Quando o negócio da China realmente é bom?

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Daniel Augusto / Agência Corinthians

Nunca foi segredo para ninguém que o mercado chinês se tornou forte atrativo para um jogador brasileiro que deseja ter sua independência financeira. Mas qual o preço de se abandonar sua cultura local, se aventurar por um futebol sem qualidade em troca dos cifrões? Imaginemos, pois, que um atleta – seja brasileiro ou estrangeiro – iria para o Oriente quando passasse dos 32 ou 35 anos. Aqueles que ainda jogam em nível competitivo certamente dariam conta de disputar um campeonato ou torneio sem problemas…

O que não dá para aceitar é que bons jogadores, que poderiam perfeitamente ser opções para o técnico Dunga na Seleção Brasileira, abram mão do status em troca do dinheiro. Casos de Paulinho, Ricardo Goulart, Diego Tardelli, Jucilei, Aloísio… Qualquer um deles estaria em clube grande nacional e, em grande forma, poderia defender o país na próxima Copa do Mundo.

Campeão brasileiro pelo Corinthians, Jadson vai para o futebol chinês por mais de R$ 21 milhões. E nem é na primeira divisão. O clube é o Tiajin Quanjian, treinado por Luxemburgo, que disputará a Segunda Divisão nacional. Aliás, até os treinadores são assediados e não conseguem se livrar desse dilema: Scolari, Cuca, Mano Menezes e o próprio Luxemburgo são exemplos fortes.

Ricardo Goulart deixou o Cruzeiro no ápice, ao conquistar o bicampeonato nacional, numa transação de 15 milhões de euros ( R$ 48 milhões na época). Ele abriu mão da Seleção e de ficar em evidência para ter sua independência financeira. Qualquer um tem o direito de escolha, mas não seria melhor uma transferência para um gigante europeu no futuro.

Mas não pesa somente a vontade ou decisão do jogador. O clube muitas vezes se vê forçado a fazer esses negócios milionários e não tem escolha. O dinheiro já bancaria parte dos salários do ano inteiro no Brasil, além de garantir recursos para contratações. Infelizmente, a questão econômica no país influencia diretamente na vida de clubes e jogadores, que muitas vezes são obrigados a fazer coisas que não querem fazer.

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