Prejúizo sem fim

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Sergei Supisky/AFP

Quando Polônia e Ucrânia foram escolhidas para sede da Eurocopa 2012, jamais imaginariam que o fracasso econômico seria iminente. Ambas investiram pesado em estádios, hotéis, aeroportos, estradas e comércio, mas suas eliminações precoces na fase de classificação ja trazem reflexões profundas: como os dois países vão sobreviver economicamente depois que a competição terminar? Os gastos superaram os 8 bilhões de euros, algo que as nações custeiam para sediar uma Copa do Mundo. Vale lembrar que a Europa sobreviveu recentemente a uma crise financeira e o desemprego e a fome atormentaram as principais potências.

O pior é que os dois países do Leste Europeu não têm ligas nacionais fortes e seus estádios dificilmente serão utilizados daqui para a frente. Os jogos dos campeonatos nacionais chegam a ter um público irrisório (cerca de 10 mil pessoas por partida) e há o risco de alguns estádios serem demolidos para que sejam construídos espaços que podem ser melhor utilizados pelos habitantes. O Metalist Stadium (foto), em Kharkiv, teve custo total de 200 milhões de euros, e pode ficar sem função depois da Euro.

Foi o que ocorreu na África do Sul, sede da última Copa do Mundo. O governo local temia que os estádios perdessem espaço nos anos seguintes, o que se confirmou. O futebol não é o esporte número 1 no país do apartheid e o espaço pode ser usado pelo rugby ou mesmo grandes shows que só ocorrem três vezes por ano. Vale todo esse investimento?

Que o Brasil aprenda esta lição. Mas o nosso país começou errado ao construir estádios em cidades que não têm jogos da Primeira Divisão nacional, como Manaus (AM) e Cuiabá (MT). Outras, como Recife (PB) e Salvador (BA) já têm vários e seus governos trabalham duro para aumentar as opções. O risco de fracasso é grande: país endividado, estádios sem utilizar e população insatisfeita. A Copa poderia ser o início de que o Brasil estaria na mira das grandes potências, mas pode ocorrer o inverso.  Nossos políticos devem agir de forma a fazer o bem e manter o equilíbrio em nossas contas públicas.

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