A polêmica dos ingressos caros

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A declaração do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ao jornal uruguaio El País, chama a atenção e nos leva a uma reflexão: “Futebol não é coisa para pobre”. De fato, não é. Num país com 14 milhões de desempregados, é praticamente impossível levar uma família inteira num estádio de futebol, tendo que pagar ingressos, refeições, estacionamento ou condução. A realidade é que o futebol se transformou num espetáculo de grande magnitude, com estádios modernos e confortáveis. Para manter toda a estrutura, exige-se uma alta quantia, algo que nem mesmos as rendas em cada jogo do Campeonato Brasileiro dão conta de pagar.

Numa pesquisa rápida, pode-se afirmar que o Flamengo tem os ingressos mais caros do Brasil, cujos preços variam entre R$ 60 e R$ 200 em cada jogo no Rio ou onde for atuar. O Corinthians vem logo atrás, com bilhetes entre R$ 40 e R$ 178. O do São Paulo tem valores promocionais e vips, entre R$ 30 e R$ 140.

Em Minas, o preço não muda muito de uma partida para outra: o Cruzeiro cobra entre R$ 20 e R$ 100 e o Atlético, entre R$ 48 e R$ 120. Ah, nesses grupos há o ingressos de meia-entrada para estudantes, menores de 12 anos e maiores de 60.

A grande questão não é o preço e sim a qualidade dos espetáculos. Cobrar um ingresso a preço caro numa partida decisiva ou final de campeonato é até algo justificável. Mas os próprios dirigentes prejudicam tudo ao aprovar torneios e mais torneios, com calendários apertados. Com os jogadores cansados, a nível cai consideravelmente. Há jogos tão ruins no Brasil que não se justifica cobrar um valor alto. E os casos de violência, como os que ocorreram no Rio e no Recife, definitivamente afastam o torcedor-comum do futebol. Vê-lo pela TV, nesse caso, é algo mais seguro e prazeroso.

Se esses valores são inviáveis, hoje tornou-se um bom custo-benefício apostar nos programas de sócio- torcedor, que garante promoções e descontos aos assinantes de cada clube. Há modalidades de todo tipo: desde as mais baratas (R$ 10) às caras (R$ 200 a R$ 500). Isso é muito comum nos Estados Unidos e na Europa, pois o torcedor assegura um valor extra para os cofres do clube. Além disso, há a facilidade de compra sem sair de casa, pela internet, num piscar de olhos.

2 comentários para “A polêmica dos ingressos caros

  1. Avacalharam com os tradicionais estádios… colocaram cadeiras desconfortáveis, tornaram o acesso ao estádio difícil, a insegurança impera e não dá pra justificar esses preços tão elevados… saudade dos velhos tempos…

  2. Vamos por partes: o ingresso com o valor máximo de 30 Reais está muito bem pago, pois o trabalhador a grande massa que sustenta o amor pelo time é assalariado.
    Segundo: Dirigentes irresponsáveis contratando jogadores e pagando salários surreal.
    Terceiro: qual trabalhador não ficaria satisfeito em ganhar 50 ou 100 mil por mês?
    Quarto: salário de jogador deveria ser tabelado o melhor não poderia exceder um teto de no máximo 100 mil.
    Quinto: times capengando e jogadores e empresarios e outras pessoas bilionários , quem paga a conta é a massa popular. Seria simples resolver isso, deixar o amor pelo clube de lado e boicotar os jogos , assim obrigaria a baixarem os ingressos e consequentemente terem responsabilidades ao contratarem e pagarem salários absurdos.

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