Pela separação entre futebol e política

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Política e futebol devem sempre ficar em planos opostos. Futebol é festa, comemoração, lazer. A ausência do armador Mkhitaryan, do Arsenal, na grande final da Liga Europa, diante do Chelsea, no Azerbaijão, entristece os fãs desse esporte apaixonante. E até mesmo os torcedores que vestirem a camisa com o nome do jogador serão abordados em Baku, sede da grande final entre os rivais de Londres. Tudo isso é um exagero profundo.

Mkhitaryan está fora por causa da crise diplomática que existe entre seu país, Armênia, e o Azerbaijão. O problema existe desde o fim da União Soviética, nos anos 1980, quando as nações independentes travaram disputa territorial. Desde então, Armênia e Azerbaijão romperam suas relações e travaram conflitos marcantes na década de 1990.

Nem a Uefa nem as forças de segurança da Europa deram garantias suficientes para que Mkhitaryan pudesse participar da final. Logo, a comissão técnica do Arsenal optou por tirá-lo da partida, depois de conversar com o jogador e sua família. A ausência de atletas da decisão por suspensão ou lesão é comum. Mas tirá-lo de uma partida importante por causa de conflitos entre sua nação de origem e o país-sede da partida é algo lamentável.

Casos em que política e futebol se misturam vêm das antigas. Em 1934, a Itália foi obrigada a atuar na Copa do Mundo com o símbolo do Facismo em homenagem a Benito Mussolini, líder italiano. O técnico Vittório Pozzo foi obrigado a vencer aquela competição ou seria executado pelo forte exército facista. Um dos treinadores mais brilhantes naquela época, ele não só venceu em 1934 como ganhou o bicampeonato com um time diferente em 1938, na França.

Outro caso é a Alemanha, que anexou a Áustria em 1938 e obrigou os austríacos a atuarem com a camisa germânica. O craque austríaco Mathias Sindelar jogou sem as cores de sua nação. Depois da Copa, ele se suicidou em virtude das pressõers nazistas.

Um bom exemplo foi em 1998, quando Estados Unidos e Irã se enfrentaram na Copa do Mundo da França.Não é segredo para ninguém que os dois países têm relações estremecidas há muitos anos. Mas, no campo, jogadores e comissões técnicas deixaram tudo de lado. Fizeram um jogo disputado (o Irã venceu por 2 a 1) e se cumprimentaram e tiraram fotos depois da partida.

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