Para acabar de vez com o preconceito racial

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O empate sem gols com o Oriente Petrolero, quarta-feira, em Santa Cruz de la Sierra, garantiu ao Vasco a classificação à segunda fase da Copa Sul-Americana. Mas o ato de injúria racial da torcida boliviana com o goleiro reserva Alexander foi mais um triste episódio no futebol. E pior. Os árbitros muitas vezes se perdem em meio às cenas bizarras, e a sensação é de que há muito a ser feito. O zagueiro Ricardo Graça foi punido com o cartão amarelo por ter saído do banco de reservas e ter relatado o caso ao juiz colombiano José Argote Vega que um torcedor estava imitando macacos nas arquibancadas.

O Código Disciplinar da Fifa desde o ano passado permite que os árbitros até encerrem um jogo quando houver atos de racismo numa partida de futebol. Mas nenhum deles chegou a esse ponto. Terminar um jogo, punir os clubes cujos torcedores estão envolvidos e identificar os criminosos seriam uma mostra de que o esporte está caminhando para outro rumo, o da decência e o da sensibilidade. Mas tais atitudes estão apenas no papel.

Recentemente, o atacante malinês Marega pediu para ser substituído depois de sofrer com cânticos racistas da torcida do Vitória de Guimarães numa partida pelo Campeonato Português. Ele também levou cartão amarelo ao fazer gestos obcenos à torcida rival inconformado com as ofensas.

O brasileiro Taison acabou expulso em novembro do ano passado pelo mesmo motivo numa partida do Shakhtar Donestk, sua equipe, contra o Dynamo de Kiev. Ele deixou o gramado chorando. O episódio causou comoção de vários clubes no mundo. Vários clubes demonstraram solidariedade ao jogador. A Liga Ucraniana abriu inquérito para apurar o caso, mas por enquanto as investigações estão longe de um desfecho.

Além do goleiro vascaíno Alexander, outros brasileiros foram vítimas de injúria racial, como Tinga e o goleiro Aranha e, mais recentemente, o segurança do Atlético atacado por dois torcedores no Mineirão. E os casos continuam mundo a fora, sem que as autoridades responsáveis pela organização do futebol tomem atitudes mais enérgicas. O mundo da intolerância realmente passa dos limites.

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