O futebol realmente é o ópio do povo

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Gustavo Froner /Reuters

Em meio à grande estreia da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, batendo o Japão por 3 a 0, torcedores que estiveram dentro do estádio e aqueles que não puderam comprar os ingressos caríssimos estão do mesmo lado. As manifestações pelo país contra a realização da Copa do Mundo são mais do que justas. É inadmissível que uma população sofra com baixos salários, educação ruim, saúde precária e impostos altos perca lugar para um evento que foi custeado essencialmente pelo poder público.

Dói na mente saber que os gastos foram praticamente triplicados em relação ao orçamento primário. E os brasileiros, coitados, estão lá, torcendo, vibrando pelo desempenho de nossa seleção. Torcer faz parte, mas é preciso ter a consciência do quanto estamos perdendo com essa realização da Copa do Mundo. 
O poder público se justifica dizendo que a população será beneficiada indiretamente, com a realização de obras viárias e melhorias na infraestrutura. Mas a velocidade dos investimentos nas cidades é inversamente proporcional aos bilhões gastos com estádios. E, mesmo com tanto dinheiro destinado à Copa, nem todos estão satisfeitos. Jogadores do Uruguai impuseram pesadas críticas à organização por falta de campos para treinar. E olha que os uruguaios estão bem atrás de nós na economia mundial.  
Se é para fazer algo, que seja bem executado. E o que fazer dos belíssimos estádios depois do Mundial? Terá público para usufruir deles, como é o caso de Brasília e Manaus, que não têm um grande time na Série A? São aspectos a serem pensados. O discurso de que “o futebol é o ópio do povo” pode-se aplicar agora. Os brasileiros estão felizes com a Copa e se esquecem de tudo. Veremos o que vai acontecer depois…

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