O dilema do futebol brasileiro

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Foram definidos os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil, com grandes jogos (como Corinthians e Flamengo, Santos e Atlético e Cruzeiro e Fluminense). Agora, é esperado que boa parte das equipes comecem a poupar atletas nas rodadas de fim de semana do Campeonato Brasileiro para privilegiar a competição de mata-mata ou mesmo a Copa Libertadores – para aqueles que a disputam, evidentemente. O motivo é facilmente compreensível: a Copa do Brasil se tornou a “galinha dos ovos de ouro” do futebol brasileiro. Com premiação de quase R$ 70 milhões para o campeão, é notório que os clubes vão trabalhar de todas as formas para vencê-la.

Por esse motivo, a CBF tenta fortalecer e valorizar o Brasileiro a cada ano. Segundo a entidade, o vencedor embolsará R$ 33 milhões, 90% do valor recebido pelo Palmeiras na última temporada. É difícil imaginar que a principal competição do futebol brasileiro fique em segundo plano, perdendo espaço para a própria Libertadores e para a Copa do Brasil.

No discurso das equipes, vencer a Copa do Brasil é menos difícil do que tentar o título brasileiro. Num golpe de sorte – seja numa decisão por pênaltis ou mesmo naquele dia em que tudo pode dar certo –, um time vai passando de fase e pode muito bem chegar à decisão. Vale lembrar que vários clubes com menos tradição chegaram ao título da Copa do Brasil, como Criciúma, Juventude, Santo André e Paulista de Jundiaí. Eles tiveram em comum o fato de vencerem gigantes na decisão, apostando muitas vezes no jogo essencialmente defensivo.

A discussão vale para a Libertadores, primeira competição na meta dos clubes. Tem muita equipe que simplesmente se esquece do Brasileiro para se dedicar à competição sul-americana. E, quando há uma tragédia, nunca há tempo de recuperação.

O Brasileiro é diferente. É muito difícil um clube sem elenco de qualidade chegar com força nas rodadas finais para disputar o troféu. Ou a equipe ganha confiança ao longo da competição e atropela os adversários (caso do Corinthians de Fábio Carille em 2017) ou monta um grupo com muitas peças em várias posições – como o Palmeiras na última temporada.

É uma pena que as equipes tenham que poupar seus atletas no Brasileiro. Com isso, os jogos caem de nível indiretamente, o que torna a competição fraca. Mas, com o calendário brasileiro, não há maneira de um jogador suportar duas partidas numa mesma semana. Mas isso é discussão para outro post.

A questão é que não prefiro Brasileiro ou Copa do Brasil. Há espaço para os dois formatos no nosso país, sempre com grandes jogos de alto nível técnico. Mas é preciso que as equipes assumam suas prioridades no início da temporada para que o torcedor não fique confuso e não gere cobranças desnecessárias por um fracasso ou outro em qualquer disputa. E que não sobre para os pobres treinadores, sempre o culpado número 1 quando há um desvio fora de rota.

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