O difícil cenário dos treinadores no Brasil

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Entra ano, sai ano, e a vida do técnico brasileiro não tem uma reviravolta em busca de uma valorização digna para a classe. Mesmo se considerarmos uma profissão altamente – e até exageradamente – remunerada, chega a ser algo constrangedor o que o treinador enfrenta no dia a dia nos clubes do país. Os dirigentes mudam de planejamento a cada período e sobram para eles.

Eduardo Baptista, filho de Nelsinho, é a nova vítima desse cenário ruim. Contratado para substituir Paulo Autuori, promovido a gerente de futebol no Atlético-PR, o treinador sobreviveu a apenas um mês e meio (13 jogos) no clube. Foram determinantes o resultado ruim diante do Santos, pelas oitavas de final da Libertadores, e a série ruim no Brasileiro, para que a diretoria mudasse de planos.

Em recente entrevista ao Estado de Minas/Superesportes, concedida a mim e ao editor Bruno Furtado, o técnico Marcelo Oliveira diz que a prática de mandar e contratar treinadores está banalizada no futebol brasileiro. É um vício sem fim. Demitir o técnico é a solução mais viável e a justificativa para uma série de erros de dirigentes e jogadores. É o caso do Atlético. Marcelo foi demitido do clube no ano passado, antes da finalíssima da Copa do Brasil, em meio a um trabalho que esteve longe de ser ruim.

Chama a atenção o caso da Chapecoense, que dispensou Vágner Mancini depois de o treinador ter participado da reconstrução do time e ter vencido pela primeira vez na história o bicampeonato catarinense. O São Paulo se arriscou ao apostar em Rogério Ceni, que não tinha nenhuma experiência como treinador. E o próprio ídolo do clube não foi poupado da humilhação.

Por esse e outros motivos, o técnico brasileiro está muito desvalorizado no exterior, sobretudo na Europa. Não há meios de eles serem contratados por alguma força do Velho Continente, já que há falta de prestígio e crédito. No Brasil, ele não tem tempo e recursos para formar uma equipe duradoura. O treinador brasileiro tem de enfrentar problemas como o calendário, lesões em abundância, vendas de destaques para o exterior e impaciência dos dirigentes. E com isso, poucos profissionais vão surgindo. E a cada demissão, há um círculo vicioso que chega a incomodar o torcedor.

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