Não existe ressaca pós-conquista

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Kai Pfaffenbach/AFP

Ao vencer o Hertha Berlim por 3 a 1 e conquistar o título alemão mais rápido da história, com sete rodadas de antecipação, o Bayern de Munique transmitiu uma lição fundamental aos clubes brasileiros. A consagração dos Bávaros no Nacional pela 24ª vez ocorreu dois meses e quatro dias depois de o clube levar o título do Mundial de Clubes, em dezembro, no Marrocos. 

O alto rendimento é uma mostra do poder de concentração, do trabalho eficiente e da sede por conquistas. Na Europa, uma equipe de ponta termina uma competição e começa a outra com vontade acima do normal de ganhar, com obsessão pela vitória. Foi assim com o Barcelona na era Guardiola. O técnico espanhol, aliás, implanta muito bem sua filosofia no Bayern. 
Não existe a ressaca pós-conquista, nem o relaxamento, justificativa mais comum dos jogadores brasileiros quando chegam a uma conquista. Lá, a cobrança também é grande por parte de dirigentes, patrocinadores e torcida. Ninguém quer ver o time fracassando depois de brilhar. 
No Brasil, infelizmente,  muitas vezes os atletas esticam as festas e comemorações e esquecem que há objetivos a cumprir. Ficam vivendo de feitos anteriores e não se lembram que a cada dia o clube vai ganhando novos torcedores e precisa de novos troféus em suas galerias. 
Cruzeiro e Atlético, por exemplo, vieram de feitos importantes em 2013, mas começaram 2014 sob críticas. Na minha visão, ainda não mostraram o grande desempenho da temporada anterior. Precisam evoluir no ponto de vista tático e na organização. Não seria o momento oportuno para ambos colocarem suas forças nas competições neste ano, já que contam com os grupos mais valorizados do país?
Puxando pela memória, o Corinthians até conseguiu provar, nos tempos do técnico Tite, que o feito que o Bayern conquistou agora não era difícil. O Timão levantou o Brasileiro de 2011, a Libertadores e o Mundial de 2012, a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Paulista em 2013. Foi preciso muita organização, investimentos e maturidade para se administrar o futebol. Clubes brasileiros têm receitas milionárias, mas carece também de aplicá-las e transformar todos os objetivos em êxitos. A receita do Bayern pode dar certo. Basta que haja inteligência na hora de agir. 

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