Mais ofensivo e habilidoso

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Pilar Olivares/Reuters

A Seleção Italiana do século XXI é bem diferente da que terminou os anos 1990 do século passado. O sistema Catenaccio (*) nos anos 1980 acabou por criar um estilo de atuar próprio, conhecido como duro, compacto, implacável, firme e sem dar qualquer tipo de espaço aos adversários. Na Copa das Confederações, o forte tornou-se o meio para a frente, com Pirlo, Balotelli, El Shaarawy e Giaccherini. Eles dão o ritmo e são as esperança italiana de conquista, faltando um ano para a Copa do Mundo do Brasil.

A Azurra foi campeã do mundo em 1982 tendo um brilhante Paolo Rossi no ataque, mas com uma retaguarda de peso: Cabrini, Scirea, Gentile, Bergomi e Collovati. A estabilidade dessa defesa acabou por destruir atacantes de peso da época, como Zico, do Brasil, e Rummenigge, da Alemanha.

Anos se passaram e vieram novos defensores que apresentaram regularidade e história na seleção italiana: Maldini, Baresi, Ferri, Costacurta, Nesta, Cannavaro, entre outros. Os homens de frente deram sua contribuição, mas a chave do sucesso estava na sólida zaga.
O estilo aos poucos se transformou. Muito se deve também aos poucos treinadores estrangeiros que passaram pela Itália, como o português José Mourinho, os argentinos Daniel Passarela e Hector Cúper, o sueco Sven-Goran Eriksson e o brasileiro Leonardo. Eles misturaram os valores de cada país e os incorporaram ao futebol italiano. Hoje percebemos uma fartura de bons jogadores do meio para a frente, tal qual na equipe que disputa a Copa das Confederações. Balotelli é forte e habilidoso; El Shaarawy, veloz e inteligente; Giaccherini tornou-se aplicado e o motor do meio-campo; e Gilardino, experiente, é o ponto de equilíbrio, pois cadencia o jogo e é o homem-pensante. Pirlo, aos 34 anos, é o líder e o combustível para que os outros brilhem intensamente, como foi percebido na vitória sobre o México no Maracanã.
A característica vem mudando, assim como no futebol alemão, e as equipes tornaram-se muito ofensivas. Na América, Brasil, Uruguai e Argentina já são conhecidos pelo estilo habilidoso. O futebol ganhou velocidade e dinâmica em todos os setores. Por isso, os jogadores têm corrido tanto, com média de 12 quilômetros por partida. Quem ganha são os espectadores, que passam a admirar uma partida de muita movimentação e criatividade.
(*) Sistema tático no futebol representa uma forte ênfase na defesa. Em italiano, catenaccio significa “porta parafuso”, o que implica uma defesa altamente organizada e eficaz focada em anular os ataques dos adversários e prevenir as oportunidades de gol.

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