Fiasco no Sub-20, canarinhos e hermanos

Publicado em

ALEJANDRO PAGNI/AFP

As eliminações de Brasil e Argentina ainda na primeira fase do Sul-Americano Sub-20 podem ser consideradas como desastres, mas não um fato isolado. Como diz o famoso ditado, onde há fumaça, há fogo. Ambas as seleções passam por entressafra de bons jogadores e apresentam dificuldades para formar um grupo qualificado e, ao mesmo tempo, entrosado.

O fiasco foi maior porque a Argentina era sede da competição e o Brasil, atual campeão. Não é fácil reunir 20 jovens e formar uma equipe vencedora. O trabalho é feito aos poucos, com determinação e entusiasmo de vencer. Emerson Ávila, técnico do Brasil, juntava o grupo a cada dois meses, sendo impossível aprimorar o entrosamento. Jogadores pouco se conheciam. Outros estavam sem ritmo de jogo, pois dificilmente atuavam em suas equipes. Com tradições em torneios de base, a Argentina tampouco fez por merecer a classificação. Os hermanos ficaram em 4º lugar no Grupo A. O Brasil terminou na lanterna do B, atrás da Venezuela.

É preciso repensar o modo com que é tratado nossas joias. Eles começam a disputar o Sul-Americano e já são titulares de suas equipes. Basta olhar para o Bruno Mendes (do Botafogo) e para o Felipe Anderson (do Santos). Jovens como eles precisam descansar depois de temporada desgastante, até porque suas musculaturas não suportam alta carga de jogos. Não foi isso que ocorreu: depois do Brasileiro, nem tiveram tempo para descansar, pois começaram a preparação.

Há algum tempo, o jogador disputava o Sul-Americano Sub-20 para se tornar conhecido em seu próprio país. Na última edição, em 2011, no Peru, Neymar, Lucas comandaram a seleção verde-amarela com o prestígio conquistado no Santos e no São Paulo, respectivamente.  Entraram como craques. Então, para que serve o Sul-Americano? Não é por acaso que a Fifa ameaçou por fim à competição, já que serviria apenas para trazer problemas aos clubes, retardando suas preparações para a temporada e devido às inúmeras lesões.

Voltando ao assunto principal, trabalhar uma seleção de jovens exige psicologia, trabalho e jogo de cintura. Não é o mesmo que trabalhar com profissionais. A cada minuto, surgem novos craques e também desaparecem bons jogadores. A maturidade e a cabeça no lugar separarão os vencedores dos esquecidos. Há de lamentar a ausência do Brasil no Mundial da Turquia, as as outras seleções, como Peru, Venezuela e Equador, merecem ter oportunidade de mostrar ao mundo que também sabem os segredos do futebol moderno.

Os mesmos atletas que perderam agora podem dar a volta por cima mais tarde. Em 2014, a Copa do Mundo será em nosso território e muitos terão a chance de provar o seu valor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *