Estrelas solitárias não brilham na Rússia

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Salah, Lewandowski, Benatia e Guerrero. Para estes ilustres jogadores, a Copa do Mundo terminou mais cedo. Suas seleções tiveram desempenho aquém das expectativas e deixam a Rússia precocemente. Não é que a performance das equipes seja um vexame, mas é certo que elas chegaram à disputa com expectativa enorme, tal qual à altura de seus melhores jogadores. A grande verdade é que o aspecto coletivo faz muita diferença em uma grande competição. E os quatro jogadores são estrelas solitárias em equipes comuns.

O egípcio Salah, artilheiro da Premier League pelo Liverpool, com 32 gols, começou a Copa sem estar 100% fisicamente, por causa da luxação no ombro sofrida na decisão da Liga dos Campeões, contra o Real Madrid. Ainda assim, mostrou grandeza enorme ao acelerar sua recuperação a ponto de ajudar seu país no Mundial. Foram dele os dois únicos gols do Egito na disputa. O técnico Héctor Cuper não contava com um grupo equilibrado a ponto de sonhar com voos maiores. O Egito deixa a Copa com a segunda pior campanha entre os africanos, superior apenas a da Tunísia, que ainda tem um jogo a fazer.

Lewandowski é uma estrela única num grupo que surpreendeu nas Eliminatórias. Na Copa, porém, os poloneses mostraram ser um time comum, sem repertório para chegar à segunda fase. O fato de terem perdido para Senegal (que ficou 16 anos sem ir a uma Copa), na rodada de estreia, demonstrou que os europeus seriam candidatos à decepção. E o artilheiro do Bayern de Munique, que ainda não marcou na Copa, nada pôde fazer diante de uma equipe que cria pouco. Sendo o camisa 9 do time, era sabido que ele dependia da criação dos jogadore de trás, que não ocorreu.

As expectativas do marroquino Benatia e do peruano Guerrero eram menores. Mas os jogadores chegaram à Rússia com a esperança de ser um diferencial para suas seleções, que não eram vistas como candidatas à classificação, mas que poderiam surpreender. O xerife Benatia, que atua na Juventus, até jogou coletivamente bem com Marrocos, fazendo bons jogos contra Irã, Portugal e Espanha, mas os resultados negativos foram determinantes para a queda na Copa. E Guerrero, do Flamengo, que começou a competição no banco, foi uma das vítimas dos equívocos do técnico Ricardo Gareca. Como deixar o jogador mais experiente do time no banco, depois do sofrimento que ele passou com o risco de não ir ao Mundial? É difícil entender que Guerrero, mesmo fora de ritmo, possa ficar como suplente numa equipe que não tinha grandes estrelas.

Peru certamente demorará mais algum tempo para voltar ao Mundial. Mas que, da próxima vez, o país tenha planejamento melhor para fazer bom papel no Mundial.

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