Conexão africana

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Glyn Kir/AFP

Messi foi anulado pelo trio de ferro formado por Cahill, Terry e Mikel. O italiano Roberto di Matteo levou a melhor sobre o colega espanhol Pep Guardiola. Vantagem pequena, mas importante para dar tranquilidade aos bravos guerreiros do Chelsea contra o temido Barcelona, semana que vem, no Camp Nou, valendo vaga na decisão da Liga dos Campeões da Europa. No triunfo por 1 a 0 dos ingleses, o brilho e os holofotes estavam apenas naquele que seria o herói e mais badalado jogador dos Blues:  o marfinense Drogba, que marcou o gol da vitória na etapa inicial. Aos 34 anos, o atacante ainda é simplesmente magnifíco: habilidoso, oportunista, rápido, atento e brigador. Aposta dos ingleses para conquistar o inédito título da competição.

Sem dúvidas, ele dá sequência ao grupo de grandes jogadores africanos que se tornaram ídolos na Europa. Ao vencerem a concorrência dos atletas do Velho Continente, o preconceito e a desconfiança dos torcedores, mostram que o talento futebolístico pode ser encontrado em todas as partes do mundo, inclusive nas áreas mais pobres.

O primeiro grande craque africano a fazer história na Europa foi o atacante camaronês Roger Milla. Em 1980, era uma das feras do Mônaco, que superou tradicionais equipes como Bordeaux e Lyon e conquistou a Copa da França. Seu auge, no entanto, ocorreria na Copa do Mundo de 1990, quando levou a Seleção Camaronesa ao 7º lugar. Depois, seu compatriota Thomás Nkono ficou oito anos no Espanyol (de 1982 a 1990) fazendo grandes defesas e se transformando no melhor goleiro africano de todos os tempos.

A nova leva de africanos também deixa saudade. George Weah, da pequena Libéria, foi ídolo do Milan e eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa em 1995. Bicampeão italiano em 1996 e 1999, era o camisa 11 que todos queriam: alto, forte e persistente em cada jogada. Uma das pessoas mais famosas em seu país, concorreu à presidência em 2005, mas foi derrotado por Ellen Johnson.

Não deixemos de relembrar o nigeriano Kanu e o camaronês Eto’o, que deixaram péssimas lembranças a nós em Olimpíadas. O primeiro estragou a festa dos brasileiros ao marcar o gol de ouro nas semifinais em 1996. Na Europa, teve boas passagens na Internazionale e no Arsenal e agora está em fim de carreira no modesto Portsmouth, da Segunda Divisão inglesa. Já o segundo esteve na equipe camaronesa que tirou o Brasil nas quartas de final em 2000, naquela que ficou conhecida com a tragédia de Sidney. Eto’o foi brilhante no famoso Barcelona de Frank Rijkaard que ganhou três campeonatos nacionais e uma Liga dos Campeões.

Há outros africanos notáveis, como os irmãos marfinenses Yayá e Kolo Touré (ambos do Manchester City) e do togolês Emmanuel Adebayor nos tempos de Arsenal e Real Madrid. Nós sempre os saudamos pelo belo trabalho depois de inúmeras dificuldades superadas.

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