A conquista que falta

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O time de 1988, liderado por Taffarel, André CruzBebeto e Romário acabou fracassando contra a União Soviética: 2 a 1 na decisão do Ouro, em Seul

(*) Materia do Jornal Estado de Minas, assinada por mim, de 17 de julho

Aclamada nos quatro cantos do planeta por seus cinco títulos mundiais e pela grande quantidade de craques que surgiram em sua história, a Seleção Brasileira jamais conquistou a medalha de ouro olímpica, único título que falta na sua extensa galeria de troféus. Londres agora pode ser o palco ideal para que o time verde-amarelo dê fim às campanhas irregulares e repita o feito de seus vizinhos sul-americanos: Uruguai (ouro em 1924 e 1928, o que lhe valeu a fama de Celeste Olímpica) e Argentina (em 2004 e 2008).

Os brasileiros conquistaram duas pratas, em 1984 e 1988. Maior jogador de todos os tempos, Pelé jamais disputou uma Olimpíada, sendo uma das justificativas para o fiasco. Além disso, a Seleção nunca teve preparação digna de buscar o inédito troféu. Até os anos 1980, somente atletas amadores disputavam os Jogos, o que levou a equipe a ir sem a força de uma Copa. Nesse período, os países socialistas tornaram-se imbatíveis, pois, neles, nenhum atleta era considerado profissional.

Embora o futebol esteja presente nos Jogos Olímpicos desde 1908, a primeira participação da Seleção Brasileira ocorreu em 1952, em Helsinque (Finlândia). E o time de Nelson Cardoso começou a série de campanhas inexpressivas. A equipe bateu Holanda e Luxemburgo, mas foi eliminada pela Alemanha por 4 a 2, nas quartas de final. Daquele time, Zózimo e Vavá participaram do primeiro título mundial na Suécia e Larry seria ídolo do Internacional.

O Brasil não passou pela fase classificatória e ficou fora da edição de 1956, em Melbourne. Quatro anos depois, o campeão mundial em 1958 Vicente Feola foi o técnico, mas a seleção não tinha a mesma força. Depois de superar a Inglaterra (4 a 3) e a China (3 a 1), veio a eliminação pela anfitriã, Itália, e o 6º lugar na competição. O destaque foi o armador Gérson, presente no tricampeonato mundial no México.

Nas três Olimpíadas seguintes, a Seleção Brasileira teve desempenho ruim. Em 1964, em Tóquio, a equipe do armador Zé Roberto (depois brilharia por São Paulo e Corinthians) e do atacante Roberto Miranda, campeão mundial em 1970, terminaria na nona colocação. Em 1968, na Cidade do México, a campanha foi ainda pior: 10º lugar. Apenas o ponta Manuel Maria, que jogou com Pelé no Santos, apareceu. Em 1972, em Munique, mesmo com grupo mais forte – contava com Falcão, Dirceu e Washington Luís –, o Brasil ficou em 13º lugar. O Brasil levou um time mais competitivo a Montreal’1976, cujas esperanças eram o zagueiro Edinho, o volante Júnior (depois deslocado à lateral) e o ponta Marinho, destaque do Atlético. Depois de vitórias sobre Espanha (2 a 1) e Israel (4 a 1), a equipe parou na semifinal, quando perdeu para a futura campeã, a Polônia, de Lato, por 2 a 0. Na disputa pelo bronze, nova derrota: 2 a 0 para os soviéticos.

ENFIM A PRATA De novo o Brasil não passou da fase de classificação em 1980. Mas o país teve força nas duas edições seguintes e a regra foi finalmente alterada: os atletas profissionais poderiam disputar o torneio, desde que não tivessem participado de uma Copa do Mundo. Em Los Angeles, em 1984, o Brasil de Jair Picerni levou a base do Internacional, que contava com Gilmar Rinaldi, Mauro Galvão, Dunga, Kita e Luís Carlos Winck. Após bater Alemanha Ocidental (1 a 0), Arábia Saudita (3 a 1) e Marrocos (2 a 0) na fase inicial, a seleção suou para passar nos pênaltis por Canadá. Na semifinal, ganhou da forte Itália (2 a 1), que contava com Zenga, Baresi e Massaro. Na decisão, porém, os brasileiros perderam para a França por 2 a 0.

O revés serviu de lição para 1988. O Brasil desembarcou em Seul como favorito, assim como Itália e União Soviética. Comandados por Carlos Alberto Silva, os sul-americanos tinham Luís Carlos Winck e Ademir como remanescentes de 1984, além dos astros Taffarel, André Cruz, Romário e Bebeto. Na primeira fase, a equipe passou por Nigéria (4 a 0), Austrália (3 a 0) e Iugoslávia (2 a 1). Nas quartas, coube ao vascaíno Geovane marcar o gol da vitória sobre a Argentina por 1 a 0. Nas semifinais, teve o empate com os alemães por 1 a 1 e a vitória nos pênaltis. Na decisão do ouro, Romário pôs o Brasil à frente, mas a união Soviética virou por 2 a 1 no fim e o sonho da conquista foi adiado.

Em 1996 e 2000, o Brasil sucumbiu diante dos africanos. Em Atlanta, o Brasil de Dida, Rivaldo e Ronaldo, perdeu de virada para a Nigéria por 4 a 3, na prorrogação, e ficou com o bronze depois de golear Portugal (5 a 0). Em Sydney, o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Alex perdeu para Camarões nas quartas por 2 a 1, mesmo com dois jogadores a mais.

Ofuscada ainda na fase de classificação em 2004, a Seleção foi à China com grupo forte e vencedor, treinado por Dunga. Ronaldinho Gaúcho de novo era o astro do time canarinho, que também tinha Alexandre Pato, Hernanes e Diego. Mas a participação terminou com a goleada para a Argentina por 3 a 0, gols de Agüero, Riquelme e Messi.

SAIBA MAIS

Seis décadas da amarelinha

A camisa verde e amarela completa seis décadas de existência este ano e estreou justamente nos Jogos Olímpicos de 1952, em Helsinque. Ela surgiu por meio de um concurso nacional promovido pelo jornal carioca Correio da Manhã, vencido pelo gaúcho Aldyr Garcia Schlee, de 19 anos. A tentativa de utilizar o amarelo, verde e azul combinaria com a bandeira nacional e apagaria da memória dos torcedores o uniforme todo branco usado na final da Copa do Mundo de 1950 – a derrota para o Uruguai por 2 a 1, no Maracanã –, considerado motivo de azar e sinônimo da frustração na época. Na foto, em pé, Mauro, Carlos Alberto, Waldir, Zózimo, Édson e Adésio. Agachados: Mílton, Humberto Tozzi, Larry, Vavá e Jansen.

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