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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

Quanto vale uma medalha em concursos de cervejas?

depositphotos_3990918-stock-illustration-metal-star-sealsA cada cervejaria que ganha medalha em algum concurso cervejeiro pelo mundo lá vêm os comentários: ” também a cervejaria faz cerveja só pra ganhar concurso”; ” a cervejaria compra rótulos consagrados e reenvasa como se fosse dela”; ” o concurso não é confiável, distribui medalhas a todos os participantes”; ” o concurso só tem juízes amigos dos organizadores”… e por aí vai. É daí que vem a minha pergunta: quanto vale uma medalha em concursos de cerveja? Porque, para valer a pena esforços tão loucos como os apontados pelos críticos de plantão deve ser uma cifra alta, não?

Trabalho reconhecido

A maioria dos cervejeiros com quem já conversei sobre o assunto diz que as medalhas representam o reconhecimento de seu trabalho, de seu esforço em se manter no mercado, são fruto de investimento em tempo, expertise, equipamentos, técnicas. Todos negam, óbvio, fazer uso de expedientes digamos ” pouco ortodoxos” para ganhar concursos. E todos dizem que a cerveja que colocam no mercado é a mesma que enviam aos certames. Essa, por sinal, é a crítica que mais tenho ouvido vinda dos consumidores: a de que a cerveja comprada no mercado não é tão boa para ganhar prêmio, além de não ser a mesma julgada pelos juizes dos concursos. Há mais de um ano fiz uma entrevista com os sócios da cervejaria Tupiniquim, à época ela arrebatava dezenas de medalhas, gerando uma avalanche de comentários negativos dos que citei. Tratamos de muitos assuntos, mas no meio da entrevista eu perguntei se eles faziam cerveja só para ganhar concurso. A entrevista completa você pode escutar aqui

Desconfiança e culpabilidade

Sempre soube que ninguém é culpado até que se prove o contrário. No entanto, no Brasil a lógica é inversa e todos são culpados até que se prove sua inocência. Essa lógica tem sido usada em relação aos concursos. Basta uma cervejaria ganhar mutos prêmios que ela passa a ser apontada como uma fraudadora, daquelas que burlam todas as boas práticas.

Não seria mais correto pensar que o crescimento do mercado de cervejas artesanais no Brasil é recente e, por isso, até dois anos atrás eram poucas cervejarias concorrendo com muitos rótulos, gerando assim um número grande de medalhas para uma mesma empresa? Hoje, com a possibilidade de cervejarias ciganas inscreverem suas produções e com mais de 400 pequenas cervejarias abertas no país, o número de inscrições vindas de diferentes fontes mais que dobrou, diluindo a quantidade de medalhas entre elas, tirando das mãos de uma ou outra a concentração de prêmios.

Sinalização para o mercado

O consumidor se sente seguro em comprar uma cerveja com medalha, isso é fato. Ele entende que ali está um atestado de qualidade. E não deixa de ser. O trabalho de julgamento de cervejas é sério, impõe treinamento qualificado dos juízes. Há programas formadores de juízes, dos quais muitos brasileiros já fazem parte. Nenhuma medalha é dada em vão. Isso eu posso garantir, porque sou juíza aqui e lá fora. Para o cervejeiro, a medalha é um feed back importante , mas a falta dela é ainda mais. De acordo com Ricardo Canabrava, ex-mestre-cervejeiro da Backer,  hoje gerente de produção na Cervejaria Wals, quando uma cerveja feita por ele não ganha nada, ler os apontamentos das fichas preenchidas pelos juízes lhe dão o norte para muitas correções em seu produto.

Visibilidade _DSC5896..

Quando uma cervejaria como a Backer, de Belo Horizonte, ganha medalha na European Beer Star, por um estilo que surgiu na Europa, sendo ela brasileira, as atenções vêm para o país inteiro. O prêmio, única medalha brasileira no concurso, não representa mais venda ou mais visibilidade somente para a Backer. Ele atrai olhares para o cenário cervejeiro do Brasil. Isso é um valor inegável. Eu me sinto orgulhosa como mineira quando uma premiação dessas vem para cervejarias do nosso estado. ( aqui o vídeo do anúncio do prêmio, divulgado por mim em primeira mão)

O mesmo havia acontecido com a Wals em 2014, ao ganhar duas medalhas na World Beer Cup. Colocou o Brasil, especificamente Minas Gerais, no mapa de locais onde se produzem boas cervejas. Esse é o maior prêmio!

O valor de uma medalha é o que ela vai alavancar à frente. Tentar desqualificar isso é nadar contra a corrente e, pior, é perder um tempo precioso com ‘mimimi’, quando se podia usá-lo para aprimoramento de produtos!

 

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Fabiana Arreguy

Fabiana Arreguy é jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

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