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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

O milagre da transformação de água em cerveja

Cerveja Instantânea

2 mil anos – Jesus, em seu primeiro milagre público, transforma barris de água em vinho em uma festa de casamento. Os convidados, perplexos, percebem que o vinho servido a partir de então era muito melhor do que o anteriormente servido. Pulamos para 2019 – Cervejaria Pratinha leva para o Mondial de la Biere, em São Paulo, sachês de extrato cervejeiro que, misturado em um copo de água, se transforma em cerveja ali, na cara do consumidor. Para um consumidor leigo é como ser testemunha do milagre da transformação de água em cerveja, sem dúvida. Já para muitos experts a novidade virou motivo de debates, revoltas, críticas, trolagens, memes.

Vamos aos fatos

José Vergílio Braghetto Neto, dono da nanocervejaria Pratinha, de Ribeirão Preto, resolve desenvolver um produto inovador por meio de um projeto de startup, a Magic Booze. Aplica milhões, eu disse milhões, de reais em pesquisas que duram nove meses antes de se concretizarem no produto final. Leva tal produto para degustação em uma feira de cerveja e comprova, gostem ou não, que é possível fazer algo realmente novo neste meio ávido por novidades e tretas diárias.

Quem provou afirma que o gosto é de cerveja

Portanto a Pratipa, que será registrada como bebida mista no MAPA, é cerveja. E por que não poderia ser? O processo de produção se assemelha ao das Eisbiers, em que se congela a cerveja pronta para que a água se separe do álcool, obtendo assim um extrato concentrado ao qual é acrescentado mais lúpulos para aroma.

Até aí, pode-se argumentar, nada novo. Mas, o processo obviamente não para nesse ponto, por certo! É para o que vem depois dele que se gastaram 9 milhões de reais e meses de pesquisa até se chegar na fórmula final da cerveja instantânea, a primeira do mundo.

Dificilmente as novidades, em qualquer área, são recebidas positivamente por uma unanimidade.

Sempre há os que amam e há os que odeiam. Há os que falam bem e há os detratores. Contraditórios são o normal da vida. E foi isso o que pudemos assistir desde o fim de semana passado, quando a Magic Booze foi apresentada ao público. Grupos de whatsapp discutindo se ela é uma criação útil para o meio cervejeiro, se não representa um retrocesso à educação para o consumo de cerveja que vem sendo feita há anos, se o produto pode ser chamado de cerveja. Memes de todos os tipos, apelidos como ” Tanjal” de cerveja, trolagens de água cervejeira sendo lançada para a diluição do sachê, enfim… o produto causou! E se esgotou no site da empresa, onde estava sendo feita a pré-venda.

Quando, nos últimos tempos, um lançamento de cerveja artesanal provocou tanto alvoroço e curiosidade? Só por ter trazido o assunto à tona, por mostrar que existem cervejas diferentes e acessíveis, por mobilizar o consumidor a experimentar, Magic Booze merece aplausos. Pratinha merece aplausos por procurar novos caminhos, pagar por eles e aplicar esforços em torná-lo público.

As aplicações podem ser muitas, ou podem não ser nada viáveis

Pelo fato de ser necessário ter água gaseificada  e gelada à mão para a reconstituição da cerveja, o uso da Magic Booze pode acabar muito restrito. Não seria tão fácil levá-lo a um acampamento, por exemplo, pois o aparato necessário seria mais trabalhoso que levar latinhas de cerveja pronta. Mas, se pensarmos que enviar sachês para grandes distâncias, outros estados e até países, é mais barato e fácil do que enviar barris de chope para venda em bares, o produto já se torna viável. Para o consumidor final, comprar um sachê ao custo de 15 reais e obter um copo de 250 ml de cerveja é totalmente inviável e pouco prático, mas para estabelecimentos que poderão preparar a cerveja somente na hora do consumo, sem perdas ou deterioração do produto, o valor relativo se torna atraente.

É preciso trabalhar com todas essas variáveis antes de simplesmente descartarmos a ideia, como se ela fosse uma grande piada. Pode nos parecer algo estranho agora, mas com a apuração do produto e com os novos usos que possam surgir à frente, ainda vamos contar muita vantagem da invenção da primeira cerveja instantânea do mundo ser brasileira.

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Fabiana Arreguy

Fabiana Arreguy é jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

4 comentários em “O milagre da transformação de água em cerveja

  1. Ual!! Blog tá bacana com novo layout! E artigo show! Pelo que imagino na feira o produto esgotou (seja por ser bom ou pela curiosidade na novidade) mas nas redes sociais os “tutólogos” vivem pra criticar! Se vai dar certo ou não, se é bom ou não, não importa… O que importa é demonstrar que tem gente investimento no mercado… E assim como qualquer mercado, está se transformando!

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