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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

Hoje eu vou de Pilsen! Por que não dar mais atenção a ela?

Como vocês podem conferir por aqui, fui chamada de ultrapassada por ter criticado a busca cega por diplomas e certificados. Fico pensando no que seja ser ultrapassada quando o assunto é cerveja… será que gostar de Pilsen, por exemplo, é um sinal de estar em desacordo com a modernidade? Logo ela, tadinha, que nasceu bem depois das IPAs tão adoradas pelos beergeeks. Isso me fez pensar também em quanto desprezamos as Pilsens em detrimento de outros estilos, quando são cervejas, se bem feitas, tão gostosas e adequadas para nosso clima. Não me refiro a Standard American Lagers sem gosto e cheias de adjuntos, obviamente. Mas a boa Pilsen, aquela que só de olhar no copo nos faz salivar. Aquela que, sentados em um bar, numa festa, na praia, podemos beber por horas a fio sem cansar. Por que não damos mais atenção às Pilsens?

DENOMINAÇÃO DIFERENTE

Até o nome Pilsen foi abolido! No Guia de Estilos BJCP não existe mais essa denominação. Temos Czech Lager, International Lager, mas Pilsen não mais…Ok, pode fazer sentido se pensarmos que o estilo se modificou ao longo dos séculos, recebendo lupulagem diferente do original, se distanciando da cerveja criada na cidade que lhe emprestou o nome. Mas isso também ocorre com todos os demais estilos. Eles se modificam com o passar dos anos, o que é ótimo, porque assim não correm o risco de, como eu, ficarem ultrapassados. Ainda assim, como fazer para tirar do inconsciente coletivo mundial o nome Pilsen da cabeça, se é esse o entendimento do que seja cerveja para toda a população do planeta?

PILSENS TURBINADAS

Nos últimos meses, Minas Gerais ganhou duas novas cervejas Pilsen. Mas não Pilsens como outras. Diferentes. Com roupagem nova. Receberam Dry Hopping de lúpulos incomuns para o estilo. Krug 20 que leva a variedade Motueka, do Novo Mundo, e Belorizontina, da Backer, com os franceses Aramys e Tryskel … Elas vieram se juntar a outras do estilo,que já habitavam o mercado e muitas vezes passaram batido para o público, porque tomar Pilsen não é tão cool. Eis algumas  que certamente poderiam ser minhas escolhidas nas festas de fim de ano:

  1. Krug 20 – dry hopping de Motueka
  2. Belorizontina, dry hopping de Aramys e Triskel
  3. Três Lobos Pilsen, com açúcar mascavo e três variedades de lúpulo americanas
  4. Amazon Beer Forrest – que tem bacuri na receita
  5. Dama American Lager – com variedades de lúpulo americanas

PILSENS CLÁSSICAS DAS BOAS

Sem contar as Bohemian ou German Pils, que são preteridas tantas vezes, mas possuem características muito úteis na hora de harmonizá-las com comidas. Possuem lupulagem assertiva, são bastante carbonatadas, têm a presença de malte perceptível, são equilibradas o bastante para fazer belo par com diferentes pratos. Algumas cervejas , dos dois estilos, que me agradam bastante:

  1. Verace 1516, sequinha e herbal… uma German Pils exata
  2. Falke Diamantina – Exala Saaz, como uma boa tcheca
  3. Prússia Bohemian Pilsen – uma cerveja correta sem mais delongas
  4. Wals Bohemian – eis o Saaz lá nas alturas novamente
  5. Bamberg Camila Camila – clássica das clássicas

 

 

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Fabiana Arreguy

Fabiana Arreguy é jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

10 comentários em “Hoje eu vou de Pilsen! Por que não dar mais atenção a ela?

  1. Concordo com você. É o que sempre digo por aqui: estão sacralizando a cerveja. O seguimento está atolado de sujeitinhos que usam da cerveja (bebida popular e sem frescuras) para de alguma forma “fazer pose”. Como a pilsen é a mais popular (do povão mesmo), sempre aparece um sujeitinho para desqualificar o tipo porque é muito popular. O chique é tomar cerveja exclusiva, fazer cursos, etc. Queremos exclusividade e pagar de gostosão no instagram. Eu ainda sou da turma que só quer beber mesmo, seja no boteco da esquina ou na minha casa. E pagando pouco se possível.

    Três Lobos Pilsen é uma das melhores que já tomei, a propósito.

  2. Fabiana,

    o comentário de ultrapassada foi feito por alguém que tem inveja do seu trabalho e não consegue realizar tal feito, ou seja, de alguém que possui uma mente totalmente desconsiderável!
    Em relação às cervejas listadas, experimentei recentemente a Krug 20 e Backer Belorizontina, ambas muito boas, a Backer então, prestou uma belíssima homenagem à BH.
    Das outras, destaco a Prússia e a Dama, duas cervejarias excelentes assim como seus exemplares Pilsen.
    Por falar em Pilsen, há anos que procuro para comprar no Brasil a famosa Pilsner Urquell, por algum tempo ela ficou fora das nossas pratileiras e não havia importação, até para República Tcheca entrei em contato para averiguar a situação. Mas recentemente um site voltou a vender a cerveja e disse que o estoque está pequeno, já pedi para garantir a primazia de experimentar esta PIlsen tão renomada!!

    1. Oi João, pena que a Urquell chegue aqui tão castigada, sabe? Nunca consegui tomar uma aqui excelente. Sempre estava com algum problema, alguma oxidação. Tomara que você consiga tomar um exemplar preservado. Por hora, tomar as amostras brasileiras é um excelente caminho!

  3. Realmente as Pilsen acabaram ficando pra trás na lista de cervejas diferentes a tomar. Difícil mesmo optar por uma Pilsen com tantos estilos novos e sabores e aromas mais complexos e intensos…
    Nada que as torne piores, ou desprezadas, apenas para os que bebem pouco e precisam selecionar bem as cervejas na “Tap List”, fica muito difícil optar pela opção 1: Pilsen… Isso vale para as gôndolas das lojas especializadas também.
    De qualquer forma, apesar disso, é fato que em feiras ao ar livre (não só), para um público mais variado, ela ainda é a estrela de vendas, o que nos mostra que com um bom preço, e um ambiente favorável elas ainda são as favoritas da maioria dos bebedores…
    Mas não vou negar, que seu post me fez ficar com vontade de iniciar o fim de semana com uma Pilsen de verdade!
    Que venha o Happy Hour!

    1. Concordo contigo que as muita opções acabam nos distraindo das Pilsens. Mas, neste Natal fiz diferente. Em vez de levar cervejas elaboradas para a ceia em família, optei pela Pilsen Belorizontina, da Backer. Não poderia ter feito opção melhor! A noite estava quente demais e a cerveja foi um verdadeiro bálsamo em meio a tanto calor! Ainda bem que a escolhi!!

  4. Eu não sou tipo saudosista e tampouco entendo muito de cerveja, mas já tomei muitas cervejas importadas e muitas nacionais. Cheguei à conclusão que não vale a pena tomar algumas importadas, pois a distância e valor que elas chegam até as prateleiras me deixa desestimulado.

    A propósito, Fabiana, você poderia fazer um post a respeito e drinks com cervejas. Eu, por exemplo, tenho apreciado bastante moscow mule. Gosto bastante e tenho testado com vários tipos até encontrar a receita que agrade mais meu paladar. Pessoalmente, já não sigo mais a receita clássica, pois prefiro usar gengibre natural e mesclar com alguns tipo de receitas mais cítricas e florais.

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