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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

A implacável peneira que regulamenta o mercado cervejeiro

Sempre ouço falar: ” deixa que o mercado peneira”, quase como um vaticínio, às vezes maldoso, de quem adora ver um circo pegar fogo. Mas, de fato, essa autorregulamentação natural em qualquer mercado acontece. Me parece que no segmento cervejeiro isso já começou aqui no Brasil. Lendo sobre o mercado norte-americano sabemos que na década de 1980 houve uma explosão de cervejarias se abrindo visando o crescimento notável do setor naquele momento. E nos anos seguintes uma onda de cervejarias fechando por falta de consistência em sua proposta. Não digo que esse fechamento em massa de empresas brasileiras já possa ser notado, mas é de se supor, pelo ritmo de novos negócios se abrindo diante de uma economia capenga como a nossa, que um movimento semelhante ao americano esteja próximo. Ontem li em uma rede social sobre o encerramento de atividades de um pequeno empório cervejeiro, aberto há menos de um ano, na minha cidade. Me deu muita tristeza de ver o sonho de alguém ir ralo abaixo. Tristeza também por perceber que a promessa de um excelente negócio no ramo cervejeiro não era tão promissora. E mais tristeza ainda por entender que tanta gente vem entrando no mercado de cervejas sem entendê-lo, sem pesquisar, sem planejar. Sem contar com a concorrência voraz e desleal dos grandes grupos que avançam cada vez mais sobre pequenas empresas na intenção de aniquilá-las de vez. É uma peneira de mercado implacável!

Infelizmente, a realidade do nosso país é contrária ao espírito empreendedor. Ninguém que se arrisca a abrir qualquer empresa está seguro. É aposta meio cega, meio louca. E o resultado, em muitos casos, é o que vi acontecer ontem com o anúncio do fechamento da lojinha cervejeira. Ela é apenas um exemplo do que vem por aí, acho eu. Tantas pessoas apostando que o segmento cervejeiro é o que está dando lucro… e tanta gente morrendo na praia, depois de nadar, nadar. E aí nos perguntamos: haverá algum momento propício para se empreender nesse ramo? O melhor  é apostar na loucura, fechar os olhos e acelerar, mesmo quando tudo manda frear?

 

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paoecerveja

Jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

5 comentários em “A implacável peneira que regulamenta o mercado cervejeiro

  1. Acho que preço praticado também vai, em tempos de crise, ser um grande filtro !
    Alem do que volto a bater na tecla do mais do mesmo que os empórios oferecem assim como vem acontecendo com as centenas de “festivais de cervejas artesanais”.
    Não tem como, se o mercado exige, em momentos como esse, algo a mais de todos não, com os empreendedores desse mercado não será diferente !

  2. Quase todo consumidor de produtos perecíveis procura uma única coisa: preço. Ninguém compra cerveja no Empório porque o dono é gente-boa. Pelo menos eu sou assim e todo mundo que conheço. Eventualmente, uma vez ou outra, podemos comprar esse tipo de produto em razão da amizade, atendimento, etc. Contudo, de um modo geral, as pessoas querem preço baixo. Ninguém está achando dinheiro no chão…

    Nesse sentido, as redes de supermercados conseguem, boa parte das vezes, oferecer um preço muito menor, talvez por comprarem grandes lotes ou negociarem melhor ou terem margem de lucro menor.

    Eu quase sempre compro minhas cervejas no supermercado. A razão é simples: comodidade e promoções. Tenho pouco tempo e pouco paciência para sair de casa à procura de um local especializado, salvo quando quero comprar uma cerveja bem diferenciada. Acredito que a maioria das pessoas também são assim. Lei do mercado. Lei do consumidor.

    Espero que ano que vem (com a implementação do Simples para as micro) a situação mude de figura. Não haverá razão para pequenos estabelecimentos terem preços iguais ou superiores as grandes redes de supermercado. Comprarão por um valor menor e poderão vender por um valor menor. Veremos qual será a desculpa…

    A propósito, qual sua opinião sobre isso, nobre colega? Você acompanha de perto a situação e poderia nos posicionar a respeito disso.

  3. DONI, se me permite participar da discussão, minha colocação quanto ao preço refere-se principalmente a variações relacionadas a um mesmo estilo. Por exemplo, hoje, sempre busco experimentar diferentes rótulos de IPA onde encontro variação de até R$ 20,00 entre um e outro, claro que ai entrariam outras variáveis, mas, em tempos de crise como disse, o preço pode acabar sendo o fator de desequilíbrio na hora da escolha.
    Quero dizer então, e não sei se concordam, que alguns fabricantes se utilizam de um certo “prestígio” adquirido entre os consumidores e principalmente desse rótulo de “artesanal” pra pesar a mão no preço (não só em empórios, mas em bares também). Na verdade a palavra artesanal é moda hoje em nossa cidade. O cara ambienta seu estabelecimento, te serve um sanduíche num papel de pão e diz ser artesanal quando de artesanal não tem nada, isso está virando uma mera desculpa para elevar o preço.
    Agora obviamente que o visão que traz com relação aos preços é muito válida, só acho que o empório acaba não competindo diretamente com um rede de supermercado, pois quem FREQUENTA um empório busca um mix maior de rótulos e estilos.

    1. Exato. Concordo com tudo.

      Essa modinha de “artesanal” está aniquilando minha vontade de frequentar alguns ambientes. Estive uma vez num food truck, por exemplo, e o sujeito teve a desfaçatez de me vender uma pão sírio recheado com cenoura e frango desfiado (desses congelados) por 12 reais! Além de pequeno, era muito mal temperado e sem nenhum requinte que justificasse o “artesanal”. Tenha dó. Preferiria um misto-quente! A história do food truck não era justamente para vender barato, já que não pagam aluguel, garçom e demais taxas? O pastel deles era mais caro do que o vendido na esquina da rua na qual eu moro.

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