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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Colunista do jornal Estado de Minas e da Revista PQN Notícias. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja.

Atividades transversais que podem se transformar em negócio cervejeiro

Volta e meia tenho ouvido pessoas me dizerem que tive o insight de redirecionar minha carreira de jornalista para a cerveja à tempo. O comentário dos colegas é natural diante do desfacelamento da profissão de jornalista, mas me sinto até sem graça em ouvi-los, uma vez que não tive nenhum pressentimento sobre meu ofício. As coisas foram se encaminhando a partir do momento que decidi inserir aquele que era um hobby no meu trabalho de jornalista. O que eu sabia fazer era escrever, entrevistar, pesquisar pautas e produzir reportagens. Colocar a cerveja no centro de tudo isso foi uma forma de trazer mais diversão à rotina de trabalho. É lógico que houve muito esforço, muito estudo, muitas viagens para me inteirar do assunto com propriedade. Esse mérito eu assumo ter. E a minha maior vantagem foi ter saído na frente, começado antes de todo mundo, chegando antes à fonte para beber água limpa, como se diz por aí. O fato é que muitas pessoas me perguntam como podem trabalhar com cerveja. E cada vez mais a resposta que tenho pra dar é: Traga a cerveja pro seu mundo. Não é preciso produzir para se trabalhar com cerveja. Existe um monte de atividades transversais que podem se transformar em  negócio cervejeiro.

Ao pensar sobre isso, me vêm à cabeça algumas iniciativas legais e rentáveis, aqui mesmo em meu estado – Minas Gerais, que podem servir de inspiração para quem quer empreender na área. Não vou falar de bares, de fábricas, de marcas ciganas, de empórios, de escolas e de blogs, porque esses são negócios mais óbvios, já bastante explorados no mercado. Aponto 5 iniciativas originais, que não teriam a cerveja como fim, mas que conseguiram inseri-la em papel principal, ou até como aquele coadjuvante que rouba a cena e leva o Oscar de melhor!

  1. Part Beer 

Part Comunicação é uma agência que une publicidade e tecnologia. Fundada há 12 anos, em 2011 foi procurada pela Cervejaria Wals (  então uma pequena empresa familiar) para fazer o site da empresa. O assunto pegou os sócios, Thiago e Matheus, pelo pé. Os dois foram estudar. Fizeram curso de Cerveja Caseira, de Sommelier de Cerveja, entenderam que o mercado publicitário era carente de conhecimento sobre o setor cervejeiro e focaram em prestar um serviço de olho nas ” dores” das cervejarias. Resultado: em 2015 desenvolveram a Think Beer, uma rede social voltada somente a cervejeiros, colocando os players do mercado em contato direto, para troca de experiências, informações, compartilhamento de receitas, avaliações de cervejas. Na esteira, um braço da agência foi criado – a Part Beer, para design de rótulos, desenvolvimento de marca, construção de sites e etc. A Part Beer é hoje um dos setores mais rentáveis da Part Comunicação. É a cerveja tomando aos poucos a cena principal!

2. Price Beer – cerveja com Desconto

Criado há 3 anos, o app funciona como um clube de descontos e benefícios cervejeiros. O assinante tem acesso a descontos exclusivos em quase uma centena de estabelecimentos de Belo Horizonte, sejam físicos ou online. Inicialmente, o Price Beer fazia a cotação de preços dos rótulos artesanais mais procurados nos pontos de venda, direcionando o consumidor para o estabelecimento com o melhor preço, vindo daí o nome do aplicativo. Em 2018, Diego Rodriguez, desenvolvedor do Price Beer, está lançando sua nova plataforma – SóCerva, que faz a venda de eventos exclusivamente cervejeiros. A nova plataforma faz a sinergia com o app PriceBeer, dando aos seus sócios descontos também nos eventos. 

3. Mapa Cervejeiro

Criado em 2015 pela Sommelière de Cerveja, Cindra Gomes, o Mapa Cervejeiro foi pensado como uma ferramenta de auxílio à população local, turistas, congressistas, visitantes  na busca por bares, lojas especializadas, cervejarias e empreendimentos da cadeia de cervejas locais. Foi ganhador de concorrência pública do governo de Minas Gerais, que permitiu a edição de 20 mil exemplares impressos do Mapa, para distribuição não somente em seu estado de origem, como em pontos estratégicos do Rio de Janeiro e São Paulo. O Mapa Cervejeiro ganhou uma segunda edição em 2017, ampliando o número de estabelecimentos listados. E em 2018 expandiu suas atividades, lançando o e-book 8 Pilares das Marcas Cervejeiras de Sucesso, falando justamente do empreendedorismo cervejeiro, tema deste nosso post.

4. BeerBread – Pães Artesanais

Autenticamente Pão e Cerveja, a oficina de pães BeerBread faz um trabalho não só delicioso para o paladar, como presta um serviço de sustentabilidade ambiental. Os pães produzidos por eles utilizam bagaço de malte descartado pelas cervejarias. Os dois sócios recolhem eles mesmos os bagaços nas fábricas-parceiras. E os pães levam ” no rótulo” qual cerveja os geraram. A ideia é fazer parceria com todas as cervejarias que desejarem ter um pão com seu próprio rótulo. BeerBread não tem loja física. Os próprios sócios fazem a entrega dos produtos em pontos de venda parceiros. E,  quando possível, a entrega é via bicicleta, dentro do propósito ecológico que norteia o negócio. É cerveja em sua essência!

5. Nós Enchemos o Seu Growler

Outro app bastante útil.  Voltado ao serviço delivery de growlers, foi desenvolvido pela empresa Scapp, com vinte anos de mercado na área de TI, cujo sócio Gustavo Gonzada foi dono de bar e empório cervejeiro em Belo Horizonte. Nós Enchemos o Seu Growler começou a ser desenvolvido dois anos atrás e em 2018 foi cedido à Plataforma Albanos de Cerveja para a entrega,em apenas 20 minutos, de growlers cheios dos chopes que estejam plugados no pub Albanos, incluindo os de marcas convidadas. Pelo próprio aplicativo se faz a compra e o pagamento do produto, entregue por motoqueiros de plantão somente para isso. É a salvação de toda festa que fica sem cerveja nos piores horários! 

Como vêem, é possível empreender em cerveja, sem necessariamente abrir um negócio copiado de outro já existente. Nem sempre produzir é o melhor negócio, o mais rentável. O mercado cervejeiro vem se expandindo, com várias lacunas que se abrem e precisam ser preenchidas.

 

Qual é a sua profissão? Qual a sua formação? Pense em como fazer o cruzamento delas com o segmento cervejeiro. Pode ser o seu caminho, pode ser um recomeço, pode ser o início de uma nova carreira.

 

 

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2 comentários em “Atividades transversais que podem se transformar em negócio cervejeiro

  1. No RS existe o Advogado Cervejeiro, um cara que se especializou em apoio e consultoria jurídica para cervejarias. É uma necessidade latente, mas que muitos ainda não dão valor.

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