Skip to main content
 -
Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

Por que não escolhemos mais as cervejas pela simples vontade de beber?

 Curtir a cerveja  virou detalhe

Já reparou que beber cerveja hoje em dia é mais um ato público, de auto-afirmação, de pertencimento, de publicidade, de exibiçao e menos de vontade e identificação? Engraçado como mudam as perspectivas… houve um tempo em que queríamos provar as novas cervejas, geralmente feitas por amigos, para sentir seu sabor, para nos deliciarmos com elas, para tecer comentários construtivos. Hoje, me parece,  tomar cerveja virou uma profissão, na qual são muitos os conhecedores e entendidos prontos para apontar erros. Ou prontos para pontuar no Untappd. Ou prontos para mostrar no Instagram. Curtir a cerveja mesmo, que é o melhor, virou apenas um detalhe… Você consegue se lembrar há quanto tempo você não compra uma cerveja simplesmente pela vontade de bebê-la?

 

Pouco prazer em bebê-la. Muito orgulho em demonstrar que bebeu.

Outro dia, passeando no MASP, fiquei observando as pessoas diante dos quadros na exposição da Tarsila Amaral. Poucas, quase nenhuma, estavam ali para ter uma experiência de vivenciar aquelas imagens, de deixá-las dialogarem consigo. O mais importante era tirar fotos com o celular ( que, tenho certeza, jamais serão vistas. Cairão no limbo das fotos de celular, um lugar nunca revisitado!), selfies em frente às telas mais famosas e mostrar que estavam ali. Nenhuma troca, nenhuma auto-transformação se deu. E, desconfio, estamos caindo nessa armadilha também com a cerveja. Pouco prazer em bebê-la. Muito orgulho em demonstrar que bebeu.

Por que não procurar apenas o prazer em uma cerveja?

Flor da Bananeira, Cervejaria Zalaz

Em outra experiência vivida há alguns dias, tive de ir à loja Mamãe Bebidas, em Belo Horizonte ( para mim a tradução de parque de diversões), comprar um rótulo específico de cerveja, necessário para a reunião de uma confraria de estudos. É claro que diante das imensas prateleiras, repletas de rótulos diferentes, fiquei sapeando o que havia ali . E de repente bati os olhos nesta cerveja aí da foto. Imediatamente me chamou a atenção o nome e a explicação de um ingrediente que eu adoro: doce de banana. Na mesma hora, sem consultar rankings na internet ou procurar informações de medalhas ou dicas hipsters sobre ela, peguei a garrafa e comprei. Vocês não têm a noção da minha alegria ao sair da loja com esta cerveja nas mãos. Uma cerveja que me deu vontade de beber! Sem qualquer pretensão exibitória. Simplesmente vontade de sentir o sabor. E foi aí que me veio o insight de escrever sobre isso aqui. Por que não procurar apenas o prazer em uma cerveja?

A ditadura do Untappd

O escritor e mestre norte-americano,Randy Mosher, no curso de Degustação Profissional e Estilos, do qual participei mês passado em São Paulo, disse uma frase que não me saiu mais da cabeça: ” nem todo mestre-cervejeiro tem a felicidade de fazer a sua cerveja sem a preocupação com o Untappd”, referindo-se à ditadura da necessidade de novidades e loucuras constantes lançadas em forma de cerveja para estar bem no ranking das mais tomadas. Fiquei pensando que a ditadura também atinge o consumidor, que tem perdido a espontaneidade em gostar ou não gostar de uma cerveja baseado apenas em seu paladar.

Conselho de graça

Quer um conselho? Volte a beber cerveja impunemente! Não se deixe levar pela falsa ideia de likes em redes sociais, como se isso fosse te credenciar para qualquer coisa. Como diz o ditado: na vida mais vale um gosto!

Me siga também nas redes sociais

Twitter@paoecerveja

Facebook/radiopaoecerveja

Instagram@fabiana.arreguy

Ou ouça a coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM

 

Fabiana Arreguy

Fabiana Arreguy é jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

3 comentários em “Por que não escolhemos mais as cervejas pela simples vontade de beber?

  1. Eu sempre recebo olhares de censura quando estou bebendo cerveja, porque mesmo experimentando todos os tipos disponíveis, acabo voltando aos meus favoritos, que não estão na lista de tipos “on” do momento.
    Os episódios mais engraçados foram na época da moda das IPAs, quando eu dizia que preferia as pale ale às IPAs.
    Enfim, eu sempre escolho pelo prazer de beber e não pela moda.

  2. HOJE EM DIA O POVO É CHEIO DE MIMIMI ATE PARA BEBER .KKKK FORAM BANALIZAR A INTERNET LIBERANDO O ACESSO PARA TODO MUNDO E AI A VIDA VIROU ESSSE GRANDE MIMIMI .. TUDO É CHEIO DE LERO LERO.. APPS CONTROLANDO A VIDA DAS PESSOAS. EPOCA BOA ERA A EPOCA DA CERVA 600ML NOS COPO SUJO DA VIDA .. HOJE VENDEM CERVA COMO SE FOSSE ALGO SUPER GLORIOSO KKKK CERVEJA FOI FEITA PARA BEBER TODO DIA SEM CERIMONIA IGUAL EU E ALGUNS FLORESTANOS FAZEMOS KKKK DE RESTO É LERO LERO. ABRAÇO MUNDAO!

  3. Bom dia. Talvez minha cara o meio em que voce esta vivendo é que lhe da essa impressão de que as pessoas não tomem cerveja pelo simples prazer de saborea-la junto a amigos, em casal ou sozinho. Na verdade, um mundo de instagrans, facebooks e twiters é muito chato, voce perde o lado humano da coisa, de se apresentar, de apertar a mão e bater um papo sem ter que ficar olhando celular. Voce reparou que nesse seu post, tem todo o seu curriculo mas não tem seu nome? A não ser pela menção feita no Instagran, que imagino ser o seu nome. É disso que falo e talvez é nesse mundo que a cerveja deixou de ser simplesmente saboreada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *