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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

Falta pouco para que vejamos surgir a categoria Tea Beer

1o contato: Surpresa

Foi em 2016,durante uma sessão de julgamento na World Beer Cup, me lembro como se fosse hoje. A categoria julgada era Herb&Spice. E eis que entre tantas amostras, dezenas, aparece uma cerveja surpreendente. A base era de IPA e as ervas acrescentadas eram o tradicional chá inglês Earl Grey. Foi unânime, todos nós juízes nos encantamos pela complexidade delicada daquela cerveja. Pode parecer estranho associar complexidade e delicadeza, mas não consigo descrever de outra forma. Os aromas de lúpulo menos proeminentes e o buquê de flores, lembrando jasmim, do Earl Grey. Nunca mais me esqueci do aroma, do sabor do chá no fim de boca. Uma das melhores surpresas que já tive em relação a uma cerveja. Até hoje não sei que cerveja era aquela, uma vez que o julgamento é às cegas. Só sei que naquele momento me rendi às cervejas com chá e sabia que haveria de encontrar outras em meu caminho.

20 contato: Apaixonar-se

Foi há duas semanas, na festa da Confece ( Confraria Feminina da Cerveja), que tive a felicidade de me encontrar de novo com uma cerveja com chá. Desta vez não foi às cegas, tomei sabendo quem a produz. Era a 5 O´clock, da cervejaria Trinca, de Belo Horizonte. Uma Irish Red Ale com Rooibos, infusão feita do arbusto sul-africano e frutas vermelhas. A cerveja tem um aroma tão perfumado, tão instigante e, novamente, tão delicado, que não consegui beber nada mais do que ela na festa. Queria litros ! Me apaixonei na primeira, segunda, terceira doses.

30 contato: Desenvolvimento

Porque nunca me esqueci da cerveja julgada em 2016, sempre disse a mim mesma que se tivesse oportunidade, faria uma cerveja com chá. E a oportunidade caiu no colo. Na reunião de desenvolvimento de novos produtos da Cervejaria Albanos, onde exerço a curadoria de conteúdo, surgiu essa história que contei acima. E a ideia foi abraçada de imediato pela equipe, até porque já havia  uma parceria firmada entre a cervejaria e uma das unidades Tea Shop na capital mineira. Buscando inspiração para o nossa APA, resolvemos juntar as histórias e daí foi elaborada pelo mestre-cervejeiro Pablo Carvalho a receita da TeAPA Albanos. Usando um blend de três chás -um  floral, outro de frutas vermelhas e outro de frutas amarelas. A cerveja está pronta e, tenho certeza, vai ganhar tantos fãs quanto eu sou.

Cervejas com chá já são tendência

Em março a cervejaria Cozalinda, de Florianópolis, inscreveu no Concurso Brasileiro da Cerveja o rótulo Fumaceira, que tem adicionado o chá defumado Formosa Tarry Lapsang Souchong. Também sei que no Japão se produz várias cervejas com Matcha. Em Brasília, a cervejaria Cruls lançou a série Revelia, que já conta com duas cervejas em que o chá é adicionado. Isso sem esquecer da Dado Bier Ilex, com erva-mate, lançada há uma década. Parece que estamos assistindo a construção de uma nova categoria. Por enquanto elas são classificadas como Herb & Spice, mas não dou nem um ano para que seja descrita a categoria Tea Beer, a exemplo da Coffee Beer, Chocolate Beer, Chilli Beer, entre outras.

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Fabiana Arreguy

Fabiana Arreguy é jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

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