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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Colunista do jornal Estado de Minas e da Revista PQN Notícias. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja.

Cerveja midiática para uma sociedade midiática

Ao longo da História a cerveja vem desempenhando papeis sociais diversos, que correspondem às demandas de cada sociedade em que está inserida. Natural, portanto, que na nossa sociedade midiática, na qual a vida privada se confunde com pública, na qual os fatos se desenrolam nas redes sociais, a cerveja necessite ser midiática para existir. É importante que a gente tenha essa visão mais ampla para discutir o conceito de qualidade e de novidade em se tratando de cerveja. Nesta semana, novamente falando em sociedade midiática, o mestre-cervejeiro norte-americano, Garrett Oliver causou ao publicar um artigo na The Morning Advertiser no qual critica as NEIPA, classificando o ” estilo” como sendo fruto da cultura do Instagram e mais uma das modas, ou manias, que ele, ao longo de seus 28 anos de carreira cervejeira, viu surgirem e desaparecerem. Engraçado ver as reações e comentários sobre o artigo, principalmente em um post no Facebook do mestre-cervejeiro brasileiro Alexandre Bazzo, que replicou o texto de Oliver. A maioria das pessoas encara como ofensa dizer que este ou aquele estilo de cerveja sejam moda. Mas não é o que temos visto acontecer de fato? Saisons, Imperial Something, Sours, BlaBlaBla IPAs… uma sucessão de novas preferências de mercado que substituíram umas às outras. É dinâmico o processo, sem dramas ou ofensas a meu ver.

Acho interessante a colocação de Garrett Oliver ao dizer que  New England IPA é o primeiro estilo baseado nas mídias sociais. É a cerveja acompanhando o fluxo da história, como sempre aconteceu! Sabemos que vários fatores propiciaram o surgimento de novos estilos de cerveja ao longo dos séculos. Fatores geográficos, geológicos, políticos, econômicos e sociais. É preciso deixar para trás o conceito de que estilo de cerveja é dogma e é estático. Estilo reflete uma época. E se vivemos em uma época midiática, por que não um estilo surgido das mídias para representá-la?

Outra certíssima colocação, mas óbvia,  do mestre Garrett: NEIPA pode ser uma cerveja gostosa, desde que seja bem feita. Mas isso se aplica a qualquer outro estilo, não? Existem cervejas bem feitas e cervejas mal feitas. Boas de se tomar ou não. Faz parte da natureza da bebida – ser boa para o consumo! E aí entramos na seara do consumidor: se ele quer beber NEIPA hoje e amanhã não quer mais, direito dele. Se é modinha ou não, também é direito de escolha do consumidor. O que não pode acontecer, e aí eu entendo a bronca dos produtores, é virar obrigação que toda cervejaria produza o estilo da moda. Isso não!

A diversidade de estilos disponíveis é o grande trunfo que o segmento de cervejas artesanais possui. Se fosse para o todo planeta beber o mesmo estilo, que ficássemos para sempre somente com as American Lager industriais!!

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