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Jornalista e Sommelier de Cervejas formada pela Doemens Academy de Munique através do Senac SP. Criadora e apresentadora da coluna Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora e professora da Academia Sommelier de Cerveja. Autora do livro Cervejas e Comidas Mineiras - vamos combinar?

Aonde queremos que a bebida cerveja seja posicionada no mercado?

Chegamos a um impasse! De um lado se tenta elevar o patamar de status da cerveja, mostrando que ela é uma bebida que pode fazer bonito em situações gastronômicas mais complexas. Por outro lado há a corrente dos que reclamam que ficou chato beber cerveja, que a bebida foi ” gourmetizada” e ficou cheia de frescuras. Afinal o que queremos? Diante de demandas e reclamações tão contrastantes, nos deparamos com matérias inúteis e por que não dizer, ridículas, alegando razões para que a cerveja seja substituída pelo vinho ( voltamos à Idade Antiga??). O que se percebe no mercado, e eu que lido diretamente com consumidores posso afirmar, é que ainda há muito preconceito em relação à cerveja, por incrível que possa parecer! Outro dia fui contratada para um evento no qual ilhas de degustação foram dispostas, servindo vinhos, uísques, cervejas, caviar e queijos artesanais. Sabe quantas pessoas passaram pela ilha das cervejas ( à qual eu estava à frente para apresentar os rótulos) ? Exatas 3! As outras dezenas de convidados ignoravam a existência das cervejas, ou faziam cara de nojo ao perceber que era essa a bebida servida ali. Sabe o que penso? A cerveja pode virar moda, ser mais propagada, mas o fato é que ela ainda reside em uma espécie de ” limbo cervejeiro”. Não pertence à série A e nem tampouco à série B! Quem gosta de beber cerveja não a quer com status de bebida sofisticada. Quem não gosta ou não conhece cerveja, aí é que não aceita mesmo ver a bebida inserida em algum contexto mais chique. 

Eu sou daquelas que defendem conhecer a cerveja em suas mil e uma facetas, seja para tomá-la em um copo Lagoinha, sentada no meio-fio, em frente ao boteco mais próximo de casa, seja para degustá-la em um jantar, acompanhando belos pratos, servida em taças especiais. Por que não? Por que ainda rotular a cerveja como bebida rastaquera?? O que incomoda tanto aos que reclamam dessa tal ” gourmetização” da cerveja? O fato de haver centenas de estilos de cerveja disponíveis é negativo?

Acho que a cerveja no Brasil vem passando por um período de inserção, mas penso que é necessário mais que isso. É preciso que essa bebida milenar passe pelo pertencimento e apropriação de espaços. Não é mais concebível discutirmos se vinho é melhor do que cerveja! Não dá mais para acolher serviços impecáveis para o vinho e para a cerveja a crítica de que ” ficou chata”, ” cheia de frescuras”.

Torço para que a cerveja tenha acesso a todo e qualquer perfil de público. E acessibilidade, neste caso, passa por preço também, mas principalmente pelo entendimento de todas as possibilidades que a bebida oferece. E eu, enquanto puder, pretendo servir como um canal de acesso, seja aqui neste espaço, seja nas ondas do rádio como venho fazendo há 8 anos.

Vamos tentar mudar esse pensamento pobre em relação à cerveja e deixar que ela alcance vôos mais altos ?

 

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Fabiana Arreguy

Fabiana Arreguy é jornalista e Beer Sommelier, criadora e apresentadora da coluna diária Pão e Cerveja na Rádio CDL FM. Sócia-fundadora da Academia Sommelier de Cerveja. Consultora de cervejas especiais do grupo Super Nosso e curadora de conteúdo da Plataforma Albanos de Cerveja.

5 comentários em “Aonde queremos que a bebida cerveja seja posicionada no mercado?

  1. Prezada Fabiana,

    Minha opinião não vale nada, mas como eu já a manifestei aqui, farei algumas considerações.

    Eu sou absolutamente contra qualquer tipo de “gourmetização”. Isso vale para cervejas, vinhos, queijos, pingas, etc. O que entendo por “gourmetização” é muito simples: glamourizar, sacramentar, sacralizar a bebida de tal forma que ela deixa de ser uma bebida, para virar um “ideal”. É mais ou menos o que ocorre no mundo do vinho com aqueles enopicaretas e enochatos com descrições ridículas a respeito da bebida: “vinho com alma”, “vinho com personalidade”, “cheiro de ervas silvestres de campos franceses da Borgonha”, sabores e cheiros que nem o melhor cão do mundo seria capaz de identificar. Aquilo é ridículo e presta um belo desserviço para a bebida.

    Isso tem dois efeitos: encarece a bebida e cria uma aura de que determinadas bebidas são para poucos e, por isso mesmo, distante de todos. Vende-se a concepção e não o líquido. Quer ver os efeitos nefastos disso? Basta ler o blog Bacco e Bocca. Leia os posts do excelente blog e veja como isso destrói todo um seguimento. O estilo dele é muito ácido, mas tem muita verdade. Para mim seria uma tragédia ver o mesmo ocorrer com o universo das cervejas, o que, na minha opinião, já está lentamente ocorrendo.

    http://baccoebocca-us.blogspot.com.br/2013/12/cuidado-com-o-salame-do-gladston.html

    http://baccoebocca-us.blogspot.com.br/2013/10/o-melhor-sommerdier-do-brasil.html

    http://baccoebocca-us.blogspot.com.br/2013/12/meus-pontos-minha-vida.html

    http://baccoebocca-us.blogspot.com.br/2013/10/curso-de-sommeliers-b.html

    Adoro vinho tanto quanto cerveja, mas tenho pavor desses eventos com gente bacana. Para mim eles só tem uma utilidade: tomar dinheiro dos ricos ou de quem quer parecer rico. Alguém aqui se lembra do guerreiro Lula exibindo uma garrafa de Romanée Conti quando venceu a primeira eleição para Presidente!? Basta lembrar, por exemplo, que restaurantes caríssimos de Paris são freqüentados apenas por idiotas estrangeiros à procura de status, quase sempre vindo de países em desenvolvimento (América do Sul, China, etc). Cada um gasta como quer seu dinheiro, mas eu prefiro viver longe desse glamour.

    Não estou querendo dizer que a cerveja não precisa alçar vôos maiores (ganhar dinheiro não é pecado), mas se for para ser mais ou menos o que vejo no mundo do vinho, prefiro tudo tal como está. Vinho e cerveja foram bebidas de todas as classes. Mas a modernidade criou os sacramentos. Quer exemplo: basta dizer que você bebe vinho e sempre vem aquele comentário patético: “Ah, ele é chique. Bebe vinho”. Por isso mesmo debocharam de você no evento. Cerveja ainda é menosprezada por essa turminha de “bacanas”.

    Enfim, escrevi demais. Abraços!

    1. Endosso o que você disse: “Vinho e cerveja foram bebidas de todas as classes. Mas a modernidade criou os sacramentos.” Por menos sacramentos e menos preconceitos!

  2. Tenho problemas sempre quando ofereço uma janta à luz de velas harmonizado com uma boa cerveja especial… sou execrado, dizendo que cerveja não combina com tal situação.
    Semanas atrás discuti com meus pais sobre tal assunto. Segundo eles, pagariam até 40 reais numa garrafa de vinho, mas que não tem “coragem” de pagar 15, numa garrafa de cerveja. No final da conversa comecei a rir e tive que mudar de assunto. Muito difícil essa situação.
    Sou eu que não tive argumentação suficiente ou as pessoas que possuem um “pré-conceito” da cerveja perante ao vinho?

    1. As pessoas têm preconceito mesmo. Você não é o único a ouvir tal argumento, eu me deparo com isso sempre! Mas nem por isso desisto! Mostro que é ignorância e desconhecimento histórico achar que cerveja é uma bebida com toda a possibilidade de fazer bonito perante qualquer comida!

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