{"id":3524,"date":"2014-03-05T00:55:51","date_gmt":"2014-03-05T03:55:51","guid":{"rendered":"http:\/\/opipoqueiro.wordpress.com\/?p=3524"},"modified":"2014-03-05T00:55:51","modified_gmt":"2014-03-05T03:55:51","slug":"o-inesperado-sucesso-de-rick-and-morty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/o-inesperado-sucesso-de-rick-and-morty\/","title":{"rendered":"O inesperado sucesso de Rick and Morty"},"content":{"rendered":"<p>por Rodrigo Seabra<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/rick-and-morty.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3526\" alt=\"Rick and Morty\" src=\"http:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/rick-and-morty.jpg\" width=\"640\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/rick-and-morty.jpg 960w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/rick-and-morty-300x194.jpg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/rick-and-morty-768x498.jpg 768w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/rick-and-morty-200x130.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um dos maiores sucessos na TV norte-americana neste come\u00e7o de 2014 vem de uma fonte improv\u00e1vel: o canal de anima\u00e7\u00f5es adultas <em>Adult Swim<\/em>. A s\u00e9rie em quest\u00e3o \u00e9 a estreante <i>Rick and Morty<\/i>, com\u00e9dia tresloucada com 11 epis\u00f3dios produzidos para a primeira temporada, exibida desde dezembro de 2013 e atualmente em um breve hiato, mas prestes a retomar atividades com um novo epis\u00f3dio no dia 10 de mar\u00e7o. A audi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o boa que, em termos de grupos demogr\u00e1ficos (especialmente de homens abaixo dos 35), o programa j\u00e1 superou concorrentes de peso, e com isso ganhou do canal a renova\u00e7\u00e3o para uma segunda temporada com mais 10 epis\u00f3dios.<\/p>\n<p>Rick Sanchez (dublado pelo criador da s\u00e9rie, Justin Roiland), mentalmente perturbado, constantemente b\u00eabado, babando e arrotando entre as palavras, \u00e9 um velho cientista que foi morar na casa de sua filha Beth Smith (voz de Sarah Chalke, a Dra. Elliot Reid de <i>Scrubs<\/i>) e fez da garagem seu laborat\u00f3rio e dep\u00f3sito de todo tipo de experi\u00eancias escusas. O que ningu\u00e9m parece perceber \u00e9 que as capacidades cient\u00edficas daquele senhor esquisito s\u00e3o ilimitadas em praticamente qualquer \u00e1rea. E o pior \u00e9 que Rick considera o pobre do neto Morty Smith (cuja voz tamb\u00e9m \u00e9 feita por Roiland) como o companheiro ideal para as miss\u00f5es absurdas a que se prop\u00f5e. Completando o quadro est\u00e3o a adolescente Summer (voz de Spencer Grammer, da s\u00e9rie <i>Greek<\/i>), com a cara o tempo inteiro colada no telefone, e o marido de Beth e pai dos dois, Jerry Smith (voz de Chris Parnell, de <i>Saturday Night Live<\/i>, <i>30 Rock<\/i> e <i>Suburgatory<\/i>), um derrotado executivo de propaganda que n\u00e3o v\u00ea com bons olhos o sogro maluco.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de <i>Rick and Morty<\/i> come\u00e7a alguns anos antes, ou talvez em 1985, dependendo do que considerarmos como a primeira inspira\u00e7\u00e3o do animador, dublador e produtor de TV Justin Roiland. O caso \u00e9 que, em 2006, Roiland resolveu apresentar s\u00f3 de farra um curta animado no pequeno festival <em>Channel 101<\/em>, conduzido mensalmente por Dan Harmon (criador e escritor da j\u00e1 cl\u00e1ssica com\u00e9dia <i>Community<\/i>, atualmente no ar pela NBC &#8211; abaixo, \u00e0 direita). O desenho se chamava <i>The Real Adventures of Doc and Mharti<\/i> e baseava seus personagens principais nos c\u00e9lebres protagonistas da trilogia <i>De Volta Para o Futuro<\/i>, Doc Brown e Marty McFly. Mas com uma pegadinha: Roiland (abaixo, \u00e0 esquerda) s\u00f3 queria mesmo chocar o diminuto p\u00fablico do festival. Para tanto, deu ao mais velho tend\u00eancias sociop\u00e1ticas e uma estranha tara sexual e fez do mais novo um garoto medroso e submisso. O dublador confessa que se divertiu mais do que o normal fazendo as vozes de ambos e apelando para um humor grosseiro e juvenil, mas logo enxergou tamb\u00e9m um potencial extra nas par\u00f3dias que criara sem pretens\u00e3o. O curta, entretanto, ficaria s\u00f3 nisso mesmo durante um bom tempo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/dan-harmon-justin-roiland.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3525\" alt=\"Dan Harmon &amp; Justin Roiland\" src=\"http:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/dan-harmon-justin-roiland.jpg\" width=\"396\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/dan-harmon-justin-roiland.jpg 396w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/dan-harmon-justin-roiland-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/dan-harmon-justin-roiland-200x149.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Eis que, em 2012, o curador Harmon se viu demitido do comando de <i>Community<\/i> (voltaria no ano seguinte) e teve de procurar outros caminhos para retomar a carreira. Encontrou Roiland ainda sonhando com as possibilidades abertas por seu velho curta animado, mas agora buscando um contexto mais profissional. Considerando que o <em>Adult Swim<\/em> j\u00e1 o tinha sondado a respeito de uma parceria, Harmon ent\u00e3o decidiu que ali estava seu pr\u00f3ximo passo.<\/p>\n<p>A dupla trabalhou rapidamente em cima das ideias de Roiland a fim de estabelecer um produto novo e livre de compara\u00e7\u00f5es. Conferiram um <i>design<\/i> mais refinado aos tra\u00e7os toscos do original, renomearam os personagens e deram a eles uma nova rela\u00e7\u00e3o de av\u00f4 e neto. O conceito das viagens que vinha do filme oitentista n\u00e3o apenas permaneceu como se tornou o ponto central do desenho \u2013 claro que sem men\u00e7\u00e3o a DeLoreans. E ainda, para escrever as aventuras da nova anima\u00e7\u00e3o, os co-criadores foram se inspirar nos saltos espa\u00e7o-temporais da cultuada s\u00e9rie inglesa <i>Doctor Who<\/i> e no surrealismo interplanet\u00e1rio de <i>O Guia do Mochileiro das Gal\u00e1xias<\/i>.<\/p>\n<p>Os seis epis\u00f3dios j\u00e1 exibidos de <i>Rick and Morty<\/i> comprovam que essas fontes comparecem em peso sem dedicar muito tempo para explica\u00e7\u00f5es. Por exemplo, para justificar as aus\u00eancias de Morty na escola ou na hora do jantar enquanto ele est\u00e1 participando a contragosto de alguma viagem, Rick sempre providencia um \u201cremendo\u201d qualquer, t\u00e3o esquisito quanto suas miss\u00f5es, e acaba envolvendo a fam\u00edlia inteira em cat\u00e1strofes de escala mundial. Para desespero do garoto, nada fica de fora do desenho: dimens\u00f5es paralelas perfeitinhas ou completamente distorcidas, planetas com fauna e flora estranh\u00edssimas, sonhos delirantes, muita gosma e nojeira, alien\u00edgenas lascivos, transmorfos, rob\u00f4s, cachorros falantes, monstros escatol\u00f3gicos, microorganismos amea\u00e7adores, vers\u00f5es desfiguradas dos pr\u00f3prios personagens e qualquer coisa que Harmon, Roiland e seu time de escritores conseguirem imaginar.<\/p>\n<p>A linguagem n\u00e3o \u00e9 necessariamente apelativa, mas os di\u00e1logos e situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o decididamente adultos, \u00e0s vezes at\u00e9 um pouco fortes e frequentemente hil\u00e1rios. A liberdade criativa \u00e9 tanta que \u00e9 melhor nem esperar que <i>Rick and Morty<\/i> crie uma mitologia t\u00e3o s\u00e9ria e t\u00e3o rica quanto, por exemplo, a de <i>South Park<\/i> ou Os Simpsons. Afinal, cada aventura de meia-hora \u00e9 deliberadamente esquizofr\u00eanica e se resolve com algum atropelo impens\u00e1vel dali a pouco mesmo, de modo que tudo volte a algum tipo de normalidade. Nesse meio-tempo em que nada parece fazer sentido, os apuros da dupla divertem horrores e valem o ingresso.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/scene.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3527\" alt=\"Scene\" src=\"http:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/scene.jpg\" width=\"640\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/scene.jpg 900w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/scene-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/scene-768x429.jpg 768w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/opipoqueiro\/wp-content\/uploads\/sites\/54\/2014\/03\/scene-200x112.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Rodrigo Seabra Um dos maiores sucessos na TV norte-americana neste come\u00e7o de 2014 vem de uma fonte improv\u00e1vel: o canal de anima\u00e7\u00f5es adultas Adult Swim. 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