
Mais uma novidade para a já diversa carreira de Christopher Nolan. Depois de ter encarado uma cinebiografia (com Oppenheimer, 2023), o cineasta partiu para a adaptação de um livro clássico: A Odisseia, de Homero. Como já é costume, ele reuniu um elenco estelar e o esmero técnico é algo raro de se ver. Primeiro filme feito cem por cento no formato IMAX, uma boa palavra para defini-lo é grandioso. Outra, no entanto, igualmente cabível, é cansativo.
A Odisseia é considerada a segunda obra da literatura ocidental, sendo precedida pela primeira parte da sua história, a Ilíada. Homero teria reunido os elementos sabidos à época, da tradição oral, e os colocado no papel, narrando os eventos que levaram à queda de Tróia e, a seguir, as aventuras de Odisseu, nosso primeiro grande herói, em sua volta para casa. É dessa aventura que vem “a jornada do herói”, descrita por Joseph Campbell no livro O Heroi de Mil Faces e aproveitada incontáveis vezes em todas as mídias possíveis.
É esse ponto que acompanhamos no longa, que, como sua fonte, é dividida em três partes: a espera da esposa, Penélope (Anne Hathaway, de Interestelar, 2014), e do filho, Telêmaco (Tom Holland, o Homem-Aranha da Marvel), por Odisseu (Matt Damon, de Oppenheimer); as viagens e o tempo fora de Odisseu; e o desenrolar de sua volta para casa. Do trio principal, mencionado acima, dois já haviam trabalhado com Nolan (Hathaway e Damon), e o mesmo pode ser observado com outros nomes do elenco. Robert Pattinson, por exemplo, que vive um odioso pretendente de Penélope, esteve no equivocado Tenet (2020).

O elenco ainda conta com Lupita Nyong’o, Samantha Morton, Zendaya, Elliot Page, Charlize Theron, Corey Hawkins, John Leguizamo, Mia Goth, Himesh Patel, Logan Marshall-Green, Jon Bernthal, Jovan Adepo e Benny Safdie. Todos muito acertados em seus papéis, com figurino e maquiagem impecáveis, que casam com os cenários e design de produção que nos levam à época descrita. O rapper Travis Scott faz uma participação pequena como um bardo que vai narrando os fatos, ilustrando a semelhança (na cabeça de Nolan) entre a tradição oral de se contar histórias e o rap.
Talvez por ser uma história tão antiga, e mais do que isso, uma que inspirou várias outras, A Odisseia tem um enredo tão batido que desanima. Dá para prever cada movimento, cada personagem, Nolan não tinha para onde correr ao escrever o roteiro. Com uma história tão longa e previsível, o filme certamente perde força, por mais beleza que traga. Não há nada errado, ou fora do lugar, mas mesmo assim não engaja. No entanto, os Oscar vêm aí, não se espante.
É curioso perceber uma certa similaridade entre os protagonistas mais recentes de Nolan. Tanto Odisseu quanto Julius Robert Oppenheimer foram celebrados por um grande feito e logo passaram a lamentar terem feito o que fizeram. Enquanto Oppenheimer liderou o projeto que criou a bomba atômica e ficou aterrorizado com as consequências, Odisseu lamentou ter quebrado regras sagradas (teoricamente de Zeus) ao invadir sorrateiramente uma cidade próspera e propiciar sua destruição – e da população. Ambição que dá errado parece ser um tema caro a Nolan.

A maior odisseia é conseguir reunir esse elenco numa foto


