
É possível achar na internet comentários sobre como Hollywood tenta enfiar Glen Powell goela abaixo do público. A bilheteria de O Sobrevivente (The Running Man, 2025) ficou bem abaixo do esperado e deu prejuízo. O outro filme estrelado pelo ator recentemente mal foi comentado, pode-se dizer que ninguém ouviu falar. Outro fracasso de bilheteria. No entanto, ao contrário da fraca adaptação de Stephen King, Manual Prático da Vingança Lucrativa (How to Make a Killing, 2026) é bem amarrado e divertido, e merece ser notado.
Powell é uma figura simpática cujos personagens invariavelmente têm pequenas falhas de caráter que são facilmente desculpadas. Você olha para ele em Todos Menos Você (2023) e pensa: é um safado mulherengo, mas tem um bom coração. Ou em Twisters (2024) e pensa: é um aproveitador ambicioso… Mas tem um bom coração. E assim em diante. Em Manual Prático, acompanhamos os percalços pelos quais a mãe dele passa, e ele próprio também,e logo desculpamos alguns assassinatos. Basta ele sorrir.

Conhecemos Beckett Redfellow no corredor da morte, esperando pela execução. Ele começa a contar sua história para o padre que o visita e descobrimos que ele é o herdeiro de uma família bilhardária, mas o patriarca (Ed Harris) deserda a mãe do rapaz logo que ela fica grávida. Aí, a jovem mimada é forçada a dar seus pulos e logo chegamos ao presente, com Beckett adulto pensando em como faria para herdar o que é dele por direito.
O que se segue é um filme que mescla bem uma trama de crimes planejados e humor, mantendo tudo leve, ligeiramente exagerado. Escrita por John Patton Ford, a história é inspirada em uma comédia de humor negro britânica de 1949, As Oito Vítimas (Kind Hearts and Coronets), que tinha Sir Alec “Obi-Wan” Guiness vivendo todos os parentes. Atualizando o cenário, Ford foca sua crítica nos ricos que vivem no luxo não gerando nada para a sociedade, apenas esbanjando em vidas vazias. E sobra espaço para uma pequena espetada nesses pastores midiáticos que arrecadam milhões pregando.

Ford passou por um longo martírio para conseguir realizar seu primeiro filme, o elogiado Emily, A Criminosa (Emily the Criminal, 2022), e aqui não foi diferente. O elenco mudou bastante, com a saída de Shia Lebouf e Mel Gibson, e até o título original, Rothchild, foi alterado para Huntington até chegar ao final. Ford, antes apenas roteirista, acabou assumindo a direção e conseguiu realizar seu projeto que vinha tentando desde 2014.
Além de Powell, o projeto conseguiu outros nomes interessantes para o elenco. Ed Harris faz uma participação rápida, mas impactante, como o avô de Beckett. O sumido Topher Grace, de That 70’s Show, aparece, e Jessica Henwick e Bill Camp têm papéis mais relevantes. Quem chama a atenção, no entanto, é Margaret Qualley (acima), que desde A Substância (The Substance, 2024) rouba a cena sempre que está nela. Todos estão muito bem em seus papéis e funcionam juntos. Se o nome de Powell não é o suficiente para te atrair a assistir, escolha um desses outros.



