Documentário cobre a brilhante carreira dos Bee Gees

Eles escreveram mais de mil músicas, vinte delas tendo chegado ao primeiro lugar das paradas de sucesso. Com um nome simples, Bee Gees (em referência a serem os Irmãos Gibb, “BGs”), eles começaram uma carreira bem-sucedida ainda na década de 60 e Barry segue firme, compondo e cantando pelo mundo. Mesmo que seja muito difícil aceitar que seus irmãos se foram e logo ele, o mais velho, ficou para contar a história.

Essa história é contada no documentário The Bee Gees: How Can You Mend a Broken Heart (2020), que contextualiza muito bem a jornada da banda ao longo dos anos, mostrando os vários gêneros pelos quais passaram, tocando os principais sucessos – muitos deles! – e esclarecendo fatos da biografia deles. Sem tornar ninguém santo, a obra mostra o lado falível dos músicos, com dúvidas e brigas fazendo parte. Mas ressalta que o amor sempre esteve entre eles.

Barry começa observando que nada é a verdade pura, mas a percepção dele. Se os irmãos estivessem vivos, estariam compartilhando as versões deles. Maurice e Robin, os gêmeos, vieram pouco depois e formaram um trio inseparável com o primogênito. Pela intimidade que dividiam, perceberam rapidamente que suas vozes tinham uma grande afinação. E também que haviam nascido para o sucesso, o que não demorariam a atingir.

Com o lado musical aflorado, eles foram aprendendo a tocar instrumentos e seguiram a tendência da década de 60, formando uma banda de rock calcada em guitarras e letras espirituosas. Spicks and Specks chamou a atenção do público e eles assinaram contrato, dando início a uma sucessão de eventos que até eles tinham dificuldade de acreditar. O documentário mostra o caminho que eles seguiram e, ao mesmo tempo, o que acontecia no mundo. Dessa forma, fica fácil entender os rumos.

Entendendo as tendências da música pelo mundo, principalmente Inglaterra e Estados Unidos, compreendemos também as influências sobre o trabalho dos irmãos Gibb. Folk, traços de gospel, houve momentos em que a sonoridade deles foi se transformando, aceitando elementos externos e se modernizando. É comum ouvir de alguns ensandecidos que os Bee Gees teriam “se vendido” na época da Disco Music e do grande sucesso de Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977). O filme esclarece bem a questão.

A HBO, responsável pela produção do longa, se esmerou ao convidar o experiente Mark Monroe para assinar o roteiro. Ele é o roteirista de filmes elogiados como Ícaro (Icarus, 2017) e A Enseada (The Cove, 2009). Mas a grande surpresa por trás das câmeras é quem assumiu a cadeira de diretor: o lendário produtor Frank Marshall. Nome ligado a grandes franquias do Cinema e parceiro habitual de gente como Steven Spielberg e George Lucas, ele certamente é a causa principal do documentário contar com tantas ótimas fotos e filmagens de arquivo, além das várias celebridades que aparecem.

Hora amados, hora nem tanto, acompanhamos Barry, Maurice e Robin pelos anos, conhecendo também Andy, o irmão mais novo que teve sua própria carreira solo. Vários artistas dividem conosco suas opiniões e apontam o tanto que os Gibb influenciaram gerações seguintes. Outros muitos fizeram sucesso com as canções deles, como Dionne Warwick, Celine Dion e Dolly Parton. A única conclusão possível, ao final de How Can You Mend a Broken Heart, é que a música deles vai continuar sendo executada em rádios e festas e tocando corações, partidos ou não.

O visual Disco marcou a banda, mas eles eram muito versáteis

Sobre Marcelo Seabra

Marcelo Seabra - Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é o criador de O Pipoqueiro. Tem matérias publicadas esporadicamente em sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena. Twitter - @SeabraM | Instagram - @opipoqueiroseabra
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