Flash ganha nova chance na telinha

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

The Flash

Em 1990, a Warner Brothers resolveu levar para as telas de TV as aventuras do Flash, herói velocista da DC Comics que tem bastante importância nos quadrinhos, ainda que – na época – não tivesse tanto apelo ao público. Apesar da série ter durado apenas uma temporada, ela fez com que o personagem se tornasse bastante conhecido – e no Brasil, tornou o uso de dois artigos possível, já que muita gente se refere a ele como “o The Flash” (nome do seriado), confundindo o nome da produção com a alcunha da personagem. Essa popularidade do Flash fez com que, 24 anos depois de sua primeira aparição na telinha, a Warner/DC, em parceria com o canal CW, investisse novamente no personagem, pegando carona no sucesso de outra série do canal que também se foca em uma figura do Universo DC, o Arqueiro Verde (a série Arrow, transmitida no Brasil pelo canal pago Warner Channel).

A nova versão do Flash mistura tanto elementos de histórias clássicas da DC quanto de eventos acontecidos mais recentemente na editora. Ela começa quando o jovem Barry Allen (Grant Gustin, da série Glee) presencia a morte de sua mãe (Michelle Harrison, da série Continuum) em circunstâncias misteriosas. Para a polícia, Nora foi morta por seu marido, o médico Henry Allen (John Wesley Shipp, que interpretou Barry Allen na série dos anos 1990 e o pai do Dawson na série Dawson’s Creek). Barry, no entanto, jura que o responsável pelo assassinato é um borrão amarelo e vermelho, se movendo em supervelocidade. Com a mãe morta e o pai preso, o garoto é entregue aos cuidados do detetive Joe West (Jesse L. Martin, da série Lei & Ordem), um amigo da família – e pai da bela Iris (Candice Patton, de The Game – abaixo, com Gustin).

The Flash

Onze anos depois, encontramos Barry trabalhando como perito criminal assistente do departamento de polícia de Central City. Apesar de brilhante, Barry vive se atrasando para seus compromissos. Isso até o dia em que um acidente espetacular faz com que sua vida mude radicalmente: ao ser atingido por um raio oriundo de um tal acelerador de partículas, ele desenvolve a capacidade de se mover em velocidades impressionantes. Infelizmente para ele – e de maneira muito similar ao que aconteceu em Smallville, série que, por dez anos, explorou a juventude do Super-Homem – o acidente que lhe deu poderes também gerou uma série de pessoas superpoderosas, algumas de boa índole, outras nem tanto. Caberá a ele, com a ajuda dos cientistas Harrison Wells (Tom Cavanagh, de The Following), um dos responsáveis pelo acidente que transformou Barry, Caitlin Snow (Danielle Panabaker, de Sexta-Feira 13, 2009) e Cisco Ramon (Carlos Valdes) usar seus poderes para ajudar as primeiras e capturar as demais.

Pelo que se pode ver até o momento, The Flash pode ser tanto uma série agradável – como Agents of S.H.I.E.L.D. e a própria Arrow – ou um desastre total. Tudo depende de como os roteiristas e produtores trabalharão com essa terceira versão do Flash a estrelar na TV – o personagem, vivido por outro ator, teve pontas em Smallville. Por um lado, a série apresenta coisas interessantes, como diversos easter eggs e uma conexão com eventos vistos recentemente tanto nos quadrinhos da DC quanto em suas animações, especialmente em Liga da Justiça: Ponto de Ignição, além de tentar promover a criação de um universo integrado entre suas séries de TV (Gustin já havia feito duas aparições em Arrow e o colega arqueiro, Stephen Amell, paga o favor no piloto de The Flash). Adicionalmente, o bordão que Flash usa na série, algo como “Meu nome é Barry Allen e eu sou o homem mais rápido do mundo”, foi criado pelo escritor Mark Waid quando de seu período à frente do título do velocista, considerado um dos melhores dos quadrinhos do personagem.

Por outro lado, algumas situações apresentadas aqui lembram tanto Smallville que soam quase como um plágio. Para saber qual dos fatores prevalecerá, só após mais alguns episódios. Até o momento, a série, se não é nada impressionante, também não é, nem de longe, aquela decepção total como muitos esperavam. Teremos 23 episódios nessa primeira temporada para chegarmos a uma decisão. E vale lembrar que o início da carreira do personagem no Cinema já está confirmado, com Ezra Miller no papel (de Precisamos Falar Sobre o Kevin, 2011).

Os universos se encontram na TV

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Sobre opipoqueiro

Marcelo Seabra - Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é o criador de O Pipoqueiro. Tem matérias publicadas esporadicamente em sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena. Twitter - @SeabraM
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