Eu poderia estar roubando, mas estou aqui trabalhando. Leia e entenda o porquê

Corrupção e pobreza não são destino. São causa e efeito das escolhas que fazemos nas urnas

Dois dos maiores corruptos do País (Foto: IG/Google Images)

Uma de nossas maiores tragédias, senão a maior, é a corrupção. Entra ano, sai ano; entram governos, saem governos, só mudam os nomes. O modus operandi é sempre o mesmo.

Em plena pandemia de coronavírus, e após a Lava Jato, seria impensável assistir a tantos e tamanhos escândalos de roubalheira de dinheiro público.

A política do Rio de Janeiro, para não variar, está sendo varrida pela Justiça, outra vez. E com ela, a confirmação do que sempre se suspeitou: parte do judiciário brasileiro é sócia e cúmplice do crime organizado.

Nossa pobreza, em grande medida, é resultado também da corrupção. Nos acostumamos, nos sinais (semáforos, faróis, sinaleiras…), a ouvir dos meninos de rua: “eu poderia estar roubando, mas estou trabalhando”. Na cabeça destes pobres guris, é um favor não roubar. É uma espécie de concessão.

Mas eis que nossos governantes subverteram a tese. Para eles, a frase é assim: eu poderia estar trabalhando (para a população, como prometi), mas estou roubando. Os caras disputam, com unhas e dentes, um cargo nas altas esferas da administração pública. Muitos investem grandes somas de dinheiro em suas próprias campanhas. Por amor ao povo e à pátria? Claro que não.

Roubar se tornou quase obrigatório nos municípios, estados e União. Seja no Executivo, Legislativo ou Judiciário. Seja nas estatais ou autarquias. Seja nas ONGS e fornecedores do Estado. Se tem dinheiro do povo no negócio, uma parte deverá ser desviada. Para enriquecimento pessoal ou campanha política, pouco importa.

A corrupção no Brasil data do Império. Com a ascensão do PT ao poder, atingiu o “estado da arte”. Lula e seu bando chafurdaram na lama das propinas e realizaram o maior assalto a cofres públicos que se tem notícia na história mundial.

Nos estados, notórios, digamos suspeitos, há décadas habitam as investigações e processos penais: família Sarney, Collor de Mello, família Barbalho, Renan Calheiros, família Lobão, Paulo Maluf, Newton Cardoso. A praga é tão contagiosa, que nomes insuspeitos, como José Serra e Geraldo Alckmin também passaram a ser ouvidos nas delegacias de polícia.

No lado privado, cooptado pelo público, potentos como Odebrecht e JBS caíram em desgraça. Mesmo multinacionais europeias, como Siemens e Alstom, não foram capazes de se manter distante da corrupção pública. Sim, é o setor público que draga o privado para sua sujeira. Nenhum empresário sai de casa oferecendo dinheiro a político ou governante por vontade própria.

A cada enxadada, uma minhoca. A cada licitação, um roubo. A cada cargo ou verba, uma contrapartida. A cada funcionário fantasma, uma rachadinha. E a cada voto, infelizmente, a renovação da nossa miséria política. Da nossa miséria como nação. Uma triste nação.

Leia mais textos meus em: IstoÉEstado de Minas e Facebook

13 thoughts to “Eu poderia estar roubando, mas estou aqui trabalhando. Leia e entenda o porquê”

  1. Inundado, nenhum prova surgiu quando a PF revirou a casa de Lula. É mais uma evidência de sua honestidade. Não se pode falar qualquer coisa sobre qualquer coisa. Para ficar num exemplo: Geddel Vieira Lima foi pilhado na posse da grande quantia de dinheiro. Ha prova, num é disse e me disse.

    1. A idolatria/culto à personalidade é a característica mais associada ao baixo nível cultural e evolutivo de indivíduos e sociedades. Quanto mais atrasadas as sociedades, maior o culto à ídolos, a um pai salvador e protetor. É a característica mais clara de uma espécie de infância cultural/intelectual.

      Como escreveu Theodore Dalrymple: “idolatrar outro ser humano é abdicar de sua própria humanidade”

  2. Discordo da tese de que o público corrompe o privado. A verdade é bem o oposto. O setor privado é que, via de regra, alicia o Estado. Por dinheiro, claro, mas também por decisões (leia-se leis e políticas) que beneficiem e façam prosperar certas empresas ou setores, como o agronegócio e o sistema financeiro (esse, então, não perde nunca!).

    Importante notar que o Estado é o agente econômico que, sozinho, é capaz de (des)equilibrar a famosa equação da (macro)economia: sociedade (famílias consumidoras), mercado e estado. O governo, dado o tamanho do pais, é um agente econômico de peso: é um gigantesco consumidor! Além, por óbvio, deter o poder. Capital e poder…

    Daí, que o governo é um “cliente vip”. E o único capaz de bancar grandes obras e grandes compras. Qualquer grande conglomerado sonha ter governos como clientes. São oportunidades que não podem ser perdidas, por exemplo, em licitações honestas!

  3. A foto acima demonstra claramente a dura realidade que vivemos.
    Um alcoólatra, ex-presidiário, solto pelos afilhados do STF e outro que continua preso.
    O carniça continua afirmando que não sabia de nada e que a culpada sempre foi a Marisa
    Estes dois vermes se completam e, deveriam serem extirpados da vida pública !!!

  4. “Sim, é o setor público que draga o privado para sua sujeira. Nenhum empresário sai de casa oferecendo dinheiro a político ou governante por vontade própria.”

    Nada mais correto. Tadinhos, todos tão puros caindo nas artimanhas dos políticos. Vade retro Satanás.

  5. Inundado, para seu governo, há no atual governo mais de ONZE MIL MILITARES MAMANDO gostosamente nas tetas da Viúva. Isso são os frutos (envenenados) que se colhe do golpe dado em Dilma. Deixe o sarcófago da ignorância, do ódio, do preconceito, da má vontade e do servilhismo!

  6. “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada” .(Ayn Rand)
    Quanto maior a presença do Estado na economia maiores são os atrativos, os estímulos à corrupção. O ditado “A ocasião faz o ladrão” pode ser aplicado apropriadamente aqui: o poder e a riqueza concentrados no Estado atraem corruptor e corruptíveis .
    O excesso de poder do Estado, como é bem o caso do Brasil, faz com que haja uma predominante dependência em relação ao Estado (os cidadãos, o mercado e a iniciativa privada etc). Se submeter ao Estado significa se submeter aos interesses e às vontades dos políticos e da nomenklatura estatal. Como o poder econômico e político está concentrado nas mãos dos que não empreendem e não laboram, para produzir riquezas a sociedade tem que beijar e molhar as mãos e as patas dos poderosos de plantão.´
    A principal diferença entre empresa privada l e estatal é que a primeira é comandada por seus donos (proprietários/acionistas) e a segunda por políticos.
    A estatal é como um galinheiro rico sob domínio da raposa– que só se tem que se preocupar em comer as galinhas, pois quem banca os custos do galinheiro é vc, eu e todo mundo que paga impostos.

    1. Corretíssimo.
      Exemplo disso é a variação de percentuais de ISS por tipo de atividade inconstitucional e de redação com interpretações subjetivas a bel prazer pelas prefeituras que sustenta a corrupção, com destaque para a mafiosa, poderosa e “Sofisticada Organização da Fiscalização” na cidade de São Paulo.

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