Nos dias sombrios que nos cercam, a união e afinidade podem salvar o Brasil

Uma breve história sobre sentimentos, amizade e o triste momento em que vivemos no País. Nestas horas, o que vale é isso aí

A balança nas sombras (Imagem: Google)

Esta vida sempre me foi extremamente generosa. Família, amigos, trabalho… Por onde quer que eu olhe me sinto verdadeiramente abençoado, afortunado.

Uma destas fortunas são meus amigos. Ou melhor irmãos. Não só os de sangue. Outro dia mesmo escrevi sobre isso, numa homenagem a um destes fraternos companheiros.

Pois bem. Um destes se chama Walmir de Castro Braga. Advogado brilhante e atual secretário da fazenda de Nova Lima, Minas Gerais. Pensem num sujeito “difícil”, hehe. Mas pensem num sujeito correto. Verdadeiro. Esse é o Walmir.

Hoje ele escreveu, em sua coluna semanal de um jornal da cidade:

Caros Novalimenses,

Esta semana vou escrever pouco. A raiva, a desilusão, o desânimo são tantos que não existem palavras a preencher o espaço.

Em minha vida, como advogado, já contei muitas piadas sobre advogados. Nunca recebi nenhuma advertência de meus amigos de classe ou mesmo da OAB. Todos contam piadas sobre advogados.

E contam piadas sobre médicos, e sobre engenheiros, e sobre padres, e sobre santos, e sobre demônios e até sobre Deus. Faz parte do estilo de vida ou do espírito de sobrevivência– ou será sofrência? – brasileiro.

Mas esta semana quero falar da tristeza de quando uma piada vira realidade. Existem muitas piadas sobre juízes se sentirem como deus.É clássica a que conta que Alguns pensam que são Deus… Os outros tem certeza!!! …

E quando esta piada vira Realidade? E quando as encarnações da realidade estão na mais alta corte brasileira?

Aí volto ao início da minha coluna: o que estão fazendo com todos princípios elementares de direito, com o código de processo penal, com a lei de imprensa, com a liberdade de expressão e coisa que o valha é brincadeira!

É piada de mal gosto que vira realidade nas mãos de um Deus do Supremo. Só me resta espernear de raiva, desilusão e desânimo.

Agora vejam o que eu escrevi, num desabafo pessoal, na minha página do Facebook, ontem, mas que deixei em “modo visível só para mim”, pois não teria relevância alguma publicar:

Uma angústia imensa me toma conta hoje. Acho que desde a famigerada greve dos caminhoneiros eu não me sentia assim. Durante aqueles dias, diante das filas intermináveis em frente aos postos de gasolina, eu me vi perto demais da Venezuela.

Hiper mega super blaster ansioso que sou, de alguma forma eu enxergava ali o prenúncio de uma catástrofe derradeira. E se ao invés de combustível fosse comida? Água? Remédio? E se as Forças Armadas intervissem? Haveria ainda eleições?

Até hoje, muito pouca gente conseguiu entender de fato o que vivemos naquela semana de maio de 2018. Infelizmente, aliás.

Pois é. O STF conseguiu me atirar às sombras novamente. Lá estou eu às voltas com meus piores pensamentos outra vez. E como não estar?

A solução para tamanha barbárie passa por um legislativo com credibilidade, atuante e independente. Ele não é nada disto.

Um Poder Executivo recém-eleito, se não autofágico como se mostrou, poderia ajudar — e muito — se quisesse. Não quer.

Quem restou? O povo? Qual? Aquele que tem de acordar amanhã, às cinco da matina, ou o do Netflix? Pois ambos não estão nem aí. O cabo e o soldado num Jeep? É sério que alguém, em pleno 2019, realmente ainda crê nisso, ainda que fosse possível?

Caramba! Que sensação de impotência terrível. Que sensação de estar vivendo no país de Nicolás Maduro. Que horror!

Percebem por que nos aproximamos e nos afeiçoamos tanto a certas pessoas e a outras não? Eu e Walmir, cada um em sua casa, no mesmo dia, remoendo as mesmíssimas angústias e decepções. Uma sintonia de pensamento e sentimento incrível!!

É a tal afinidade. É o que une as pessoas.

Pena que, neste caso, seja por um motivo tão triste.

Valeu, amigo! Tamos juntos.

Leia mais.

11 comentários em “Nos dias sombrios que nos cercam, a união e afinidade podem salvar o Brasil

  1. É isso que acontece quando você coloca um incapaz para ser Juiz Supremo. Quando você coloca alguém que está longe da capacidade exigida para a altura do cargo de Juiz (reprovado em concurso).
    Esse sujeito conseguiu transformar a Suprema Corte em chacota nacional. Um juiz ordena ao outro que passe o dia todo vasculhando, bisbilhotando, acessando as redes sociais do país inteiro, garimpando a internet inteira, para descobrir quem critica, ou zomba, ou fala mal, ou não concorda com o Supremo.
    Veja o que a Suprema Corte se tornou! O serviço de um Juiz Supremo agora é bisbilhotar a internet atrás de críticas. Quanta desmoralização. JUIZ GARIMPADOR DE REDES SOCIAIS, é o que você, Alexandre de Moraes, se tornou. O seu apelido a partir de agora é: Juiz Watsapp.
    Acredito que se essa ordem fosse dada ao Celso de Mello ou ao Marco Aurélio, jamais aceitariam uma ordem pífia dessas. Então por que você, Alexandre Moraes, aceitou? Um papel menor, uma função não condizente, uma tarefa ao arrepio da lei, uma função desmoralizante. Mandar um juiz ser um cassador de redes sociais, um bisbilhoteiro, quase um fofoqueiro que diz: “olha, aquele ali falou mal de você viu”…
    Coitado desse nosso país!
    Ah já ia me esquecendo, estou aguardando a “visita” dos amigos da Polícia Federal aqui em casa, pode mandá-los, é bom que a gente toma um café e fala mal do Supremo juntos. Quanto ao meu notebook, pode levar para justificar a vinda dos amigos, é até bom, pois o notebook tá bem velhinho, é bom que compro um novo.
    – Toffoli e seu serviçal, chega a dar pena do tanto que vocês são ridículos!

  2. Olá Inundado, para além das agonias solitárias creio que ha o dever da busca de compreensão do que nos cerca e de ao menos tentativa de superação. Se olharmos veremos que o problema central não se altera. A questão inegável é que nossa República vem ha muito sendo maltratada. A elitizinha rapinosa, extrativista e predadora faz de tudo para manter o grosso da população longe dos bens essenciais para a sobrevivência neste chão da país. Quando dizemos que faz de tudo é de tudo mesmo, inclusive fabricar e gerir CRISES para ao pretexto dela não alterar a distribuição e geração de riquezas e manter o povo sequestrado, amesquinhado, amordaçado e chantageado…
    Não ha negar que em alguns aspectos nos aproximamos perigosamente do padrão Venezuela. Lá como aqui abusaram de “impeachament” e ai a história não perdoa. Em 1964 houve o golpe, em 1968 ele recrudesceu e o resto da historia é conhecida. Em 2016 houve outro golpe e ele vai sendo desdobrado em 2018, 2019 e os perigos que nos rondam. Não falha, sempre contra o povo, mas para maior dos pecados nesse mesmo povo é inoculado o veneno do dissenso, do ódio, do preconceito e do endeusamento de quem o pisoteia.
    Temos de resistir e procurar saída pela democracia através da resistência, da compreensão e da cidadania. Temos de construir instituições, pois do contrário o rugido da barbárie só aumentará.

    1. “Amigo é coisa pra se guardar DEBAIXO DE SETE CHAVES “
      (Já diziam os versos proféticos de Milton Nascimento)

      POR FALAR EM “ELITE RAPINOSA”, PRECISAMOS FALAR DO AMIGO–JÁ QUE É PROIBIDO FALAR DO AMIGO DO AMIGO

      “O empresário Marcelo Odebrecht confirmou ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, que o ex-presidente Lula é o ‘amigo’ da planilha de propinas milionárias da empreiteira. Em depoimento nesta segunda-feira, 10, Odebrecht disse ainda que ‘Italiano’ – alcunha também lançada na planilha – é uma referência ao ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda/Casa Civil/Governos Lula e Dilma) e ‘Pós Itália’ referência a Guido Mantega, que também ocupou a pasta da Fazenda. Odebrecht descreveu a Moro a planilha elaborada pelo Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, o Departamento de Propinas.

      Ele falou sobre R$ 4 milhões que teriam sido repassados ao Instituto Lula e na soma de R$ 12,4 milhões supostamente investidos na compra do prédio do Instituto. Também abordou a cifra de R$ 50 milhões em propinas para Mantega que teriam sido usados na campanha de Dilma e, ainda, R$ 13 milhões em espécie sacados pelo ex-assessor de Palocci, Branislav Kontic, ou Programa B, entre 2012 e 2013, valor que teria sido entregue a Lula, segundo o empresário.”
      (Estadão, 10/04/17)

      “Marcelo Odebrecht revelou que “Amigo” era uma conta criada por ele para bancar despesas de Lula após sua saída da Presidência, em 2010. “A gente sabia que ia ter demanda de Lula, na questão do Instituto, para outras coisas. Vamos pegar e provisionar uma parte deste saldo, botamos R$ 35 milhões no saldo Amigo, para uso que fosse de orientação de Lula. A gente entendia que Lula ainda ia ter influência no PT, como era uma relação nossa com Presidência, PT, tudo se misturava”, disse. No final de 2014 restavam R$ 10 milhões na conta, segundo a contabilidade da Odebrecht.”
      (Época, 10/05/17)

  3. Desde o início do novo governo eleito, a equipe do Bolsonaro sabia muito bem que não se convive com judiciário e legislativo com histórico de barra pesada, sem estar bem preparado.
    E tem até uma besta metida a tiririca por aí pedindo impeachment por ouvido como se fosse música, só para reaparecer na mídia. Projetos de lei que é bom e que é pago para isso, Neca!

  4. Ricardo,

    A mesma afinidade trás muitos ao seu blog.
    Rogério, Robes, JLT, bady Curi Neto, eu e similares.

    Até os esquerdistas veem uma afinidade, pois acham um perigo:
    um opositor em potencial.

    Certo é dizer: a união faz  a força, pois a força é a união das
    forças compartilhadas
    entre as partes, para preencher as lacunas de ambos e assim tornarem-se inabaláveis.

    Vá sempre em frente.
    Deus ouça seus clamores e de todos os cidadãos de bem.
    AMÉM.

  5. Olá Distinto, o Brasil vai fazer duzentos anos, entretanto ainda não tem instituição. Pior é que o pouco que se construiu de institucionalidade vai sendo erodido. Numa hora de balburdia no STF temos de olhar em volta e fixar elementos dessas desconstrução. São tantos é que difícil se fixar em alguns, mas vamos lá.
    1 – Existe uma lei da década se setenta que tipifica crime fazer açúcar em casa. Ridicularidade gargalhável. Mas, não é só isso, existe o lado muito perverso. Essa lei não vem sendo aplicada, contudo esta em vigor e a qualquer momento uma autoridade ou mais provavelmente uma otoridade pode aplicá-la contra algum incauto ou desafeto seu ou de seu grupo. Aí são as trevas;
    2 – Neste sentido, para retirar Dilma da Presidência da República, utilizou-se de uma lei dos anos cinquenta. Falou-se em pedalada. Veja que essa nomenclatura não foi utilizada fora desse contexto da retirada da Presidente de seu cargo;
    3 – Se Dilma não governava bem a República brasileira tem o remédio para esse mal. Qual? Eleição. Seria o caso de o eleitorado fazer, como fez na Maranhão que reconduziu o Governador ao Cargo, na Bahia, Governador do PT foi reeleito com expressiva superioridade, mais de 80% dos votos; como em MG onde o Governador do PT foi recusado e outro eleito. Tudo sem dor, sem sobressaltos, sem piora do estado de coisas. Mantido essa normalidade para funcionamento dos órgãos e confiança dos cidadão a pessoa que hoje é o Presidente da República poderia ter concorrido e sendo da vontade do povo ele poderia tal e qual esta ocupando o cargo;
    4 – Porém, naquele momento o que se deu foi os desmandos tais os de hoje do STF; que a bem da verdade esta sempre a ocorrer, variando apenas de lugar e de intensidade, e ai com a retirada de Dilma veio o Vampirão e foram mais assaltos ao povo – por exemplo – a limitação do orçamento por 20 anos nos investimentos na Saúde e na Educação – nem vou me referir a malfadada reforma trabalhista – tudo isso aos olhos do judiciário que nada fez, logo, como se alimentou o monstro ele agora esta mais rebelde e irrassível e num quer mesmo voltar para a garrafa.
    É tudo claro e estampado, mas muitos dos que poderiam ajudar na revelação atuam na velação. Então, os que assim atuam não podem reclamar dos tempos sombrios.

    .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.