Os limites do que podemos dizer e a obrigação (deles) do que devem ouvir

Se boa parte das pessoas não compreende o que pode ou não ser dito, boa parte dos agentes públicos não compreende o que devem ouvir

Ministro promete processar quem lhe ofendeu: vítima ou apenas mimimi?

Para mim, nada mais legítimo e previsível, que a relação conflituosa entre um servidor público e a população, vulgo contribuinte, que lhe emprega e paga-lhe o salário. Aliás, antes fosse apenas o salário, e não também a lista de benefícios imorais — ainda que legais.

Sempre defendi as admoestações públicas, onde cidadão(s) indignado(s) insurge(m)-se contra políticos e autoridades de governo. Obviamente, quando tais admoestações não ultrapassam os limites legais, especialmente a integridade física e moral do agravado.

Bater, empurrar, encurralar qualquer pessoa é crime e ilegal. Ofender a moral também, ainda que a de um facínora. Contudo, chamar um criminoso condenado pela justiça, como faço com Lula, de ladrão, não só não é ilegal como um legítimo direito de quem foi por ele assaltado.

Se eu me encontrar com Lula eu posso dar-lhe um safanão? É claro que não. Posso chegar perto e dizer-lhe o que penso a seu respeito? Sim, posso. Posso sacar meu smartphone, subir em um banco e dizer-lhe tudo o que penso a seu respeito? Também. Mas não posso usar a sua imagem, sendo submetido à humilhação que lhe proporciono, para expô-lo publicamente ao ridículo — ainda que merecido.

Gilmar Mendes anda sendo admoestado por onde passa. Foi em Lisboa, foi em um avião aqui no Brasil, e será tantas outras vezes em que se aventurar publicamente. É merecido? A meu ver, sim. Não por suas decisões impopulares, mas por ser ele próprio o primeiro a buscar o confronto com o público. Ora, quantas vezes não o vimos e ouvimos desdenhar da opinião pública como se não representasse justamente quem ele mais deveria respeitar?

Gilmar, desde que amparado pela Constituição, tem o direito  — mais que isso; o dever —  de julgar os processos que lhes chegam como entendem sua capacidade intelectual e valores morais. Se entender soltar Lula, por exemplo, amparado por uma lei que fundamente suas convicções, que o faça. Isso me dará o direito de criticá-lo? Sim. Poderei escrever e lhe dizer pessoalmente que considero sua atitude (como Ministro) inadequada, conivente com a criminalidade, patrocinadora da impunidade. Mas jamais poderei lhe chamar de bandido, ladrão, corrupto, etc, como tantos idiotas fazem por aí.

O evento ocorrido em Portugal ilustra bem a diferença. As senhoras que o admoestaram o fizeram de forma pacífica e sem ultrapassar os limites da injúria e difamação. O erro foi terem filmado e publicado as imagens sem autorização. O direito de opinião e expressão deve — em certos casos — não ser confundido com publicidade. Já no avião, ainda que um ou outro idiota tenha gritado “bandido”, “ladrão”, cobranças sobre seus atos como Ministro não podem ser tratadas como crime algum, como o direito à privacidade, liberdade de ir e vir, anonimato etc. Afinal, como cidadão — e empregador — não posso marcar uma audiência oficial com um Ministro do Supremo apenas para lhe dizer que não gosto do seu trabalho, mas ao encontrá-lo posso, sim, lhe dizer o que penso.

Recentemente, um amigo muito mais que querido, atualmente no exercício de um cargo público, foi submetido a uma enxurrada de ataques pessoais e ofensas morais. As pessoas confundiram o administrador público, alvo legítimo de qualquer crítica, com o “ser humano” que ocupa o cargo. O administrador até pode ser “um merda”, mas o ser humano não pode ser “um safado” por causa disto, entendem?

A não ser que, de fato, como no caso Lula, tudo leve a crer; e a justiça diga que… sim.

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17 comentários em “Os limites do que podemos dizer e a obrigação (deles) do que devem ouvir

  1. Meu caro Ricardo e demais, o caso é muito simples, o ministro Gilmar Mendes recebe um tratamento diferrnte dos seus pares simplesmente, por ter sido o único a enfrentar Lula desde os tempos do MENSALAO, atualmente o queridinho dos socialistas caviar é o juiz Marcelo Bretas, gostaria de ver as caras dos hipócritas caso Bretas e o ministro Barroso passassem a tratar Lula conforme ele merece.

    1. Enfrenta Lula mas abana o rabinho para Aécio Neves, Jacob Barata e gangue do ônibus, Michel Temer, Eike Batista, Rogério Abdelmassih, etc. Isso que é homem de coragem…

  2. Pois é Ricardo, muito verdadeiro esse seu texto. Temos um outro ângulo de análise, hoje em dia em função da debilidade mental das pessoas, talvez muito dependentes do “google”, ou de verdades “zapianas (zap zap)” algumas destas pessoas não conseguem dissociar as imagens do representante público, entenda-se servidor, para com a figura do indivíduo, pessoa física que fora do exercício da função é um sujeito igual a qualquer um de nós, que come, mija e caga fedendo igual a qualquer um mero mortal. Concordo que deve haver cobranças sim, mas que seja feita com o devido respeito que o ser humano merece, mesmo apesar dos humanos estarem se bestializando tanto.

  3. Ricardo, concordo com você Gilmar Mendes – indicação de FHC em 2002, é o esgoto do STF, tão repugnante como Tóffoli – indicação de Lula 2009 e igualmente nefasto como Barroso, o defensor da maconha – Indicação de Dilma 2013. O que não podemos aceitar é a tirania das palavras, onde o discurso tenta desconstruir a lógica. Esses três ministros citados, defenderam os seus interesses acima do interesse do povo, falam e falarão em proveito próprio. Atacar o poder com ira é desrespeitar o Estado que criamos, calcado na tripartição do poder e quanto mais o Estado – poder judiciário – for atacado pelos espúlios ideológicos, mais forte ficará e dessa forma será benéfico ao cidadão de bem. Hoje só temos um Ministro indicado pelo PSDB – Gilmar Mendes, os demais foram pela coligação que de forma espúria está no poder desde janeiro de 2003 – pt e PMDB – sendo o STF composto, em complemento por: Celso de Mello – 1989 Sarney; Marco Aurélio – 1990 Collor; Carmém Lúcia – 2006 lula; Ricardo Lewandowski – 2006 lula; Luiz Fux – 2011 dilma; Rosa Weber – 2011 dilma; Luiz Fachin – 2015 dilma; e Alexandre Morais – 2017 Temer o Grande Presidente das Reformas. Concordo, o homem é diferente do servidor, o homem deve agir segundo valores e virtudes e o servidor deve agir segundo a lei. A ofensa ao homem é punível na forma moral, a ofensa ao servidor é punível na forma da lei, enquanto o homem é o destinatário do direito, o servidor é a aplicação do direito, isto é a base da Revolução Francesa e a base do Direito do Homem. Afrontar a autoridade é permitir que ela exerça o seu direito de tirania, ou seja aos amigos as benesses da lei e aos inimigos os rigores da lei, é isso que o pt e seus seguidores não percebem que estão construindo, ou seja, a cada dia criam um Estado que quer se proteger deles e na mesma medida distanciarr-se deles. Os tolos não percebem que a cada dia, criam mais motivos para que o poder judiciário e não a justiça seja implacável contra eles. Mas é assim, tolinhos, títeres nas mãos de déspotas, inocentes úteis a serviço de uma ideologia, meros ocupantes de vacâncias decorrentes do êxito de quem está acima. Abraços

    1. Rapaz, você fumou um estragado, não foi? Seus comentários são inúteis e ainda consegue ver “uma figura oculta atrás de uma criança, que é um cachorro. E que quem ganhar ou perder não vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder”. Só pode.

  4. O grande problema é que o brasileiro está cançado e enojado de ver prosperar a injustiça (parafrazeando Ruy Barbosa). O povo não pede favores, pede apenas justiça igual para todos. Talvez um dia o brasileiro pare de proferir palavras de baixo calão àqueles (politicos e representantes públicos) a quem quer ofender – por merecimento, e passe a adotar métodos mais comuns usados por povos de origem européia e asiática, ou seja, explodir caminhões carregados de bombas em lugares públicos, derrubar aviões com pessoas culpadas e inocentes por que estão juntas no lugar e momento errados. Então, o que gostariamos de ver? Alguns xingamentos merecidos ou ao invés desses recursos, a morte de forma brutal e sem filtro? Tudo é uma questão de cultura. O brasileiro por ainda ser muito jóvem em questões de direito e dever ainda tem o sangue de barata e leva na farra do carnaval, da sexta feira com cerveja e do futebol, tudo o que lhe é feito de mal, mas à medida que o tempo passa e a cultura aumenta (mesmo que muito devagar – devida a baixa qualidade de formação do povo), ele começa a perceber que suas lutas são inglórias e que seu destino é pagar e sofre para alguns poucos privilegiados usufruir. Talvez, a partir desse momento e dessa nova consciência, o povo passe a achar que os governantes pagos por ele por meio de altos impostos pouco se lixam por eles e por suas necessidades. Querem mais é que o povo se exploda. Então, a partir desse momento, então, não reste outra coisa a fazer que usar a violência no lugar dos infantis xingamentos. O que será preferível?

  5. Enquanto estiver sobrevivendo nesta pseudo-democracia terceiro-mundista, uso como mantra a máxima sherazardiana: “É compreensível ….”. Alguém tenta dar um soco no GM no avião? É compreensível… Alguém xinga MT durante sua caminhada matinal ? É compreensível … Alguém infla o Pixuleco gigante na praia do Guarujá ? É compreensível…

  6. Meus parabéns as duas senhoras que educadamente fizeram seu desabafo ao Gilmar Mendes que passeava despreocupadamente em Portugal depois de fazer suas lambanças aqui no Brasil e filmaram para divulgar nas redes sociais ( que graças a Deus hoje existem e servem para registrar e divulgar tudo) para mostrar que ele não mais poderá fazer o que quiser e depois usufruir de seu direito de ir e vir sem ser incomodado, tanto que nesta semana ele teve que ir a São Paulo e pediu um avião da FAB, está com medo, e parabéns aos corajosos que o xingaram dentro do avião recentemente, se não me engano em Campo Grande. Precisamos de mais corajosos como estes.
    Antes dos smartphones e da internet estes tipos faziam horrores e ninguém ficava sabendo, só vendo novelas, futebol e carnaval. Agora a vida deles ficou difícil.

  7. Nao se trata de briga entre direita e esquerda. Trata-se ao meu ver, de soltar ou nao um criminoso. O Sr Gilmar Mendes é bom em interpretar a Lei… Só que no Brasil, lei é bem diferente de justiça.
    Quem fez/faz as leis? Os mesmos ladroes, salafrários e vagabundos que nos governam. As autoridades deveriam ser a primeiras a darem exemplo. Entretanto, cercaram-se de prerrogativas e leis especiais que lhes garantem a pratica de má conduta. Porque diabos um politico deveria ter foro privilegiado? Salvo em raríssimos casos, nao vejo nenhum motivo a nao ser garantir a perpetuação de sua fétida espécie. O Sr Gilmar Mendes, justifica-se na lei . . Mas faz papel de bandido ao soltar corruptos e bandidos, que assassinam silenciosamente o povo, ignorando a JUSTIÇA. Espero que ele sofra sempre o Bullying da sociedade.

  8. O único jeito de tentar moralizar esse país novamente, é colocando Lula na cadeia, a primeira coisa a fazer é isso. Para ver se esse bando de gente ignorante e totalmente sem educação, espalhado por todos os cantos desse país toma jeito, nem que seja na borracha. A arruaça tomou conta de tudo, no trânsito, nas escolas, nos hospitais, em todos os lados. A moral e o respeito estão totalmente fora de área, completamente offline. E não adianta vir com a ladainha de que tem que prender também o Temer, o Aécio e o caráio a quatro, se isso resolver, prendam eles também. Mas, essa anarquia vista hoje, é única e exclusivamente culpa desses bandidos petistas. Tem que acabar completamente com essa raça.

  9. Esse STF da forma que é montado é uma afronta a sociedade, é uma imoralidade! Como que um ministro vai julgar e condenar quem o nomeou para um cargo vitalicio com polpudos vencimento e uma serie de regalias que fariam inveja a um sultão? Não há como isso funcionar! É claro que essas nomeações fazem parte de um circo montado pelos próprios políticos para manterem privilégios e permanecerem impunes perante a lei. É a promiscuidade entre os “podres poderes” na manutenção da corrupção e sua impunidade. Isso não pode continuar assim, isso ameaça a democracia brasileira, não vou nem entrar no mérito da competência para o cargo! Esses cargos deviam ser preenchidos por concurso público entre os juízes federais com mais de 20 anos de profissão e que tenha uma carreira ilibada, fora isso não passa de uma grande armação!

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