Pá, pum, soc, pow

Protetor bucal? Check. Protetor auricular? Check. Caneleira? Check. Tudo pronto! Bora que a chinela vai cantar.

Que os eleitores de BH tenham o mínimo bom senso

Caramba, é debate ou MMA? Bem que a Alterosa poderia trocar sua vinheta por aquela musiquinha-tema da série Rock Balboa: Tãtãrãrã tãrã tãrã… tãrããããã … E o mediador Ricardo Carlini deveria chamar uma daquelas modelos “diliça”, salto alto, plaquinha pro alto indicando o bloco, ou melhor, o round. 

João Leite iniciou com tudo; nem esperou o apito e logo mandou uma voadora, na jugular de Alexandre Kalil. Tascou na fuça do oponente sua ficha-corrida, que não perde em extensão para a Avenida Antônio Carlos. Porém, o não-político político já está mais ensaiado que boneco de ventríloquo. Fez cara de paisagem, fingiu que não era com ele e mansinho, mansinho convidou JL para um debate de ideias.

O contra-ataque veio xoxo. Kalil parecia ter tomado uns três comprimidos de Rivotril com Maracujina. Fez uma daquelas perguntas enfadonhas sobre trânsito, saúde, educação ou sei lá mais o que. Tudo bobagem. Nenhum deles fará porcaria nenhuma do que prometem. Pô, Kalilzão, ajuda aê, vai? Cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!! Fim do primeiro round. Placar: JL 0x0 AK. Pancadômetro: 4.

O segundo round pareceu recreio do Sacré Couer! Eu lá na ultiminha fileira, um calor do inferno e os caras trocando ideias sobre a cidade. E desde quando alguém está interessado em propostas? Nóis qué é sangue, Truta. Novela eu vejo em casa. Placar: 0x0. Pancadômetro: -5. Deste jeito eu vou embora!

Terceiro round. Yes! Agora, sim, o bicho pegou. O Rivotril do Alexandre perdeu o efeito e Kalil foi Kalil. “Aí, presida! Aqui é Galo, pô!” Tava com saudade de tiro, porrada e bomba. Vai ficar deixando o Goleiro de Deus tirar onda? Que história é essa dele lhe apresentar sua ex-funcionária que não recebeu? E ficar contando pra todo mundo que você foi condenado a prisão?

Kalil devolveu impiedoso; deu na canela com força! “Você foi no escritório do meu pai pedir dinheiro para casar”. Nóóóó!! Agora humilhou. Mas… Tem nada melhor que isso, não? Papai, casamento, dinheiro para barquete de estrogonofe e bombom de nozes? Saca um podre do João aí, vai? Placar: JL 2×1 AK. Pancadômetro: 8. Tá esquentando, oba.

Quarto e último round. Que calor é esse, meu Deus? Ainda bem que a galera da Alterosa é sempre atenta e gentil e não deixa faltar uma aguinha gelada. No circo, digo, no palco, quero dizer, no ringue o pau comeu de vez. Até que enfim! Eu já estava pensando em devolver o ingresso. Rolou de tudo: “Caloteiro, criminoso, malandrão, tornozeleira eletrônica, vagabundo”. Briga de foice no escuro! Donald Trump e Hillary Clinton morreriam de inveja. Só faltou o Jean Wyllys distribuindo algumas cusparadas e o Bolsonaro uns safanões.

De resto, teve tudo. Até mesmo um enfezado na plateia — não tenho certeza, mas acho que era o tal Paulo Lamac, o vice petista que não é mais petista — surtando e gritando para João Leite: “Vagabundo, volte para o esgoto do seu partido”. E mostrava o dedo do meio. Aquele, sabem, do F…? Aliás, eu não entendo esta fixação por símbolos sexuais na hora de xingar. Acho que é aquele lance das fases freudianas: Anal, oral, fálico. Alô, vice do PT que não é do PT, compostura, vai? Os lutadores são os prefeitos (candidatos), não os vices. Vocês só servem quando rola um gópi, pô. Placar: AK 3×2 JL. Pancadômetro: 10! Nota 10!

Terminou? Nada. Sei lá o por quê, Kalilzão tava… Kalilzão! Nas entrevistas, era um tal de “devo, não nego”, “quem é que não deve hoje em dia?”, “qualquer empresário tem ações trabalhistas”, “eles estão desesperados”. Até pensei ser ele, Alexandre, quem está atrás nas pesquisas. Acho que foi o coquetel de Rivotril com Maracujina que lhe deram no primeiro bloco, que produziu um efeito rebote. Eu, que outro dia fiz um post irônico sobre a frase dele (“Roubo, mas não peço propina”) comparando-o (apenas nisto!!) com Paulo Maluf, tratei de sair de fininho. Vai que ele me encontra pela proa, hehe.

Fim de debate, fim de briga, todos vivos, alguns arranhões no ego e também no orgulho. Nada que os costumeiros arranjos políticos pós-eleição não resolvam. Placar final: sei lá! Tô a fim de contar, não. Tô mesmo é de saco muito cheio deste tipo de política, onde o importante não é propor, é desconstruir. Onde pessoas de bem tornam-se bate-paus cegos em busca de sangue, né?, você-sabe-quem. Onde o poder e o dinheiro, para um grupo ou um partido, valem muito mais que as criancinhas, os idosos e os pobres que eles usam — e abusam — em suas propagandas eleitorais.

Eu queria mesmo eram candidatos diferentes; eu queria uma política diferente; eu queria partidos diferentes. Eu queria, enfim, um país diferente. Mas dado o que vi “in loco”, nestes dois debates em que estive “ao vivo”, eu posso é ficar querendo. Vai rolar, não!

Triste, né, galera?

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6 comentários em “Pá, pum, soc, pow

  1. Fechou com chave de ouro. “Triste, né, galera?”
    Que país é esse?
    Belo Horizonte ficará 4 + 4 anos se administração, qualquer que seja o vencedor.
    Qualquer que seja o vencedor nós, que moramos em BH, iremos perder.
    Grande abraço.
    Triste né. Triste. Muito triste.

  2. É o mais do mesmo! As causas do baixíssimo nível de representação dos políticos ou candidatos são várias. Levaríamos horas discutindo -as.Mas a principal é o nosso querido eleitor,manifestação cabal da ignorância do povo. Não podemos exigir políticos da Suécia, votando por um par de botinas ou paixão clubistica. Ficaremos na fila por muito tempo, ainda!

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