E você? Vai mudar ou vai arriscar?

Desconstruir a idealização do final feliz pode ser interessante, já que na realidade da vida, o final feliz é apenas uma exceção. Essa desconstrução, também pode abrir um espaço para que se valorize o próprio caminho enquanto ele é percorrido, pelo o que ele realmente é, e não apenas como um meio para se chegar em um ponto final. (Iossi Katri)

Dias atrás, eu li em algum lugar uma reflexão bastante interessante. Dizia respeito à incapacidade da maioria das pessoas em ser feliz. Pois bem. Hoje leio um brilhante ensaio, do irmão de um querido amigo (e espero se torne meu amigo um dia também), onde se lê o parágrafo acima. Daí me pus a pensar e decidi compartilhar com vocês.  Espero que gostem e que lhes ajude de alguma forma.

Imaginem-se com 18 anos e um sonho: possuir uma Ferrari. Imaginem-se planejando o caminho. Trabalhar, ser promovido várias vezes, ganhar muito bem, poupar, aplicar e, sei lá, com uns 40 anos finalmente comprá-la. Agora, imaginem-se com 40 anos! Nada de Ferrari. Você trabalhou, cresceu no emprego, ganha muito bem, poupou, aplicou e… Possui um, digamos, Ford Fusion! Belo carro, sem dúvida. Mas não é a tal Ferrari.

Mude o objeto do desejo para o que quiser: apartamento, casa na praia, uma rocinha ou mesmo aquela bicicleta nova. Aqui não importa o valor do sonho de consumo, tampouco a condição econômica da pessoa imaginária. Pobre, classe média, rico ou milionário, tanto faz! O que muda, geralmente, é o tipo e o preço do sonho. Mas esta não é a questão que proponho. A questão é outra. O que quero mostrar é a quase unânime incapacidade de viver e desfrutar as conquistas já alcançadas, pois sempre esperando os objetivos chegarem. E infelizmente nem sempre eles chegam. Daí, ato contínuo, frustração e tristeza, mesmo com tantos motivos para comemorar e ser feliz.

O sujeito passa a vida esperando o dia de beijar a Gisele Bunchen. Beija mulheres lindíssimas, mas sempre infeliz, pois nenhuma é a Gisele. Ao contrário de 90% dos seus amigos, que ou não beijaram tanto ou sequer beijaram alguém (e quando beijaram foram apenas selinhos em divas do tipo Dilma Rousseff), é um abençoado, mas não se sente assim. Se sente um infeliz injustiçado porque não dá uns pegas na modelo. As mulheres troquem as personagens, ok? Sai a Gisele, entra Rodrigo Santoro. Sai Dilma, entra Lula. Imagino que os sentimentos de “iupiii” e “arghh”, respectivamente, sejam os mesmos, he he!!

Finalmente, um dia o sujeito — ou a sujeita, conforme diria um petista — morre! E morre triste. Passou a vida beijando mulheres lindíssimas (ou homens lindíssimos), mas jamais foi feliz, pois nunca atingiu o objetivo desejado. Esta é a questão! Este é o pensamento, a reflexão que desejo compartilhar: É preciso abandonar a busca pelo Suflair do futuro e curtir o Bis do momento. Esquecer a Ferrari e agradecer pelo Corsinha. Não esperar para comemorar o apartamento de dois quartos e encher a cara pela pintura novinha do barraco. Viver a felicidade que o momento proporciona, mesmo que não seja aquela tão sonhada e ainda não alcançada. Releia o parágrafo de abertura! É isso que está lá e que o brilhante Iossi tão bem apontou.

Ou curtimos o presente e somos felizes pelas conquistas de hoje ou passaremos a vida tristes até chegar o dia da vitória almejada. O problema aí são dois: a vitória pode não acontecer ou o dia pode não chegar se morrermos antes. Por isto refaço a pergunta:

E você? Vai mudar ou vai arriscar?

9 comentários em “E você? Vai mudar ou vai arriscar?

  1. Brilhante e preclaro texto.
    Desde pequeno aprendemos a esperar pelo final feliz, haja vista os contos de fadas e histórias que ouvimos na infância. Implantaram em nós este desejo ardente de sermos vitoriosos no final da historia, mas este final sempre chega inesperadamente(por mais longa que seja a nossa vida).
    Temos sim, a oportunidade da gratidão pelas coisas que foram possiveis adquirir ao longo da vida. Precisamos deste reconhecimento e a felicidade vem como consequencia.

  2. Essa a psicologia que leva mesmo a algum lugar. Regosijar se com o que se tem, impor se metas alcançáveis nos leva ai controle do consumismo e inibe a inveja. Perfeito.

  3. Brilhante. Não conhecia seu blog. Entrei no dia 08/08/2016 e, concordando com todo o seu texto (mesmo havendo muitos comentários contra), hoje abri de novo.
    A vida tem sido assim. Sempre nos preocupando com o futuro. Planejando o que vamos conquistar e esquecendo de viver o presente e desfrutar do que temos.
    Já ouvi dizer que o bom da viagem já começa pela estrada. Mas a maioria só foca o destino.
    E a nossa mídia, que tem de buscar audiência, é um grande incentivador do “final feliz”. Veja filmes e novelas onde o vilão passa todo o tempo se dando bem; o “bonzinho” sempre se fe…..o e, no(s) último(s) capítulo(s) vira o jogo.
    Se fosse diferente, não daria audiência. E se é assim, é porque vivemos assim. Procurando uma maneira de encontrar “um final feliz”.
    Vamos mudar?

    1. Poxa, Ítalo, obrigado pelo comentário e pelas palavras tão gentis. E é isso mesmo: o bom da viagem pode estar, sim, na estrada. E não somente no destino. Perfeito! Grande abraço.

    1. Ôpa!!! Que ótimo receber notícias suas. Abração, Paulo. É muito obrigado pelo comentário e pela participação. Grande abraço!!

  4. Bela explanação e conteúdo, como são todos os seus textos, parabéns, Ricardo! A felicidade vem de dentro pra fora, não importando o que se tenha ou não. É um estado de espírito muito além das coisas materiais, algo transcendental que nos leva a paz plena. Podemos realizar todos os nossos sonhos, com uma Ferrari, um fusquinha, uma mansão, ou mesmo uma casinha popular, não importa. Contudo, se não nos sentirmos plenos nada irá nos agradar.

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