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Pedro Henrique é professor, blogueiro e cruzeirense fanático. Escreve desde 2012 e já teve passagens no Blog Azul Estrelado, Camisa 11, Lance Activo, Guerreiro dos Gramados e Bloguerreiro. Siga @RealPedrin no Twitter e acompanhe diariamente os comentários do blogueiro. Curta a fan page oficial do blog no Facebook: fb.com/blogsomoscruzeiro/

Ontem as Marias venceram o clássico

Há quase um ano, Cruzeiro ganhava repercussão mundial com campanha sobre violência contra a mulher.

Estamos quase completando um ano da campanha que o departamento de marketing do Cruzeiro fez sobre a violência contra as mulheres no Brasil. A repercussão foi tamanha que o clube cinco estrelas foi premiado com o Leão de Bronze, na categoria “Meios de Comunicação”, no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, realizado na França. A ação ocorreu no dia 8 de março de 2017, Dia Internacional da Mulher, quando a Raposa enfrentou a equipe do Murici, em Alagoas, pela Copa do Brasil.

Sem dúvidas, a ação foi um sucesso e o então diretor do departamento, Marcone Barbosa, comemorou muito a repercussão. É claro que existem algumas pessoas que acham que política e futebol não se misturam. Isso é falta de maturidade intelectual, pois a política está em todas as coisas. O conceito de política não deixa dúvidas. E tudo o que acontece no futebol é puro reflexo do que vem da sociedade. O racismo, por exemplo. Você se lembra daquele fato horrendo que ocorreu com o Tinga na Libertadores? Lembra da torcida do Real Garcilaso imitando o som de um macaco a cada vez que ele tocava na bola? Aquilo me doeu na alma. E se a pólis fosse um lugar onde o respeito ao próximo fosse um valor compartilhado por todos, jamais teríamos testemunhado aquela barbaridade. E, nesse sentido, ainda fico sem entender o porquê de alguns homens terem ficado incomodado com a campanha do Cruzeiro. Afinal, defender o respeito às mulheres e ser contra a misoginia não deveria ser algo que causasse desconforto, não é mesmo?

E ontem, no clássico, foi o Atlético que deu outra bola dentro. Eles seguiram os passos da Raposa e fizeram a campanha “Não se cale!”, exibindo em suas camisas de jogo o número da Central de Atendimento à Mulher (o 180) junto da hastag #NãoSeCale. Maria da Penha, a mulher que dá nome à Lei (e que tem uma história de vida triste, porém espetacular e que vale a pena conhecer), esteve no estádio Independência e entrou no gramado com os jogadores.  É muito bom saber que os clubes brasileiros estão se politizando. Se queremos uma sociedade melhor, mais justa e igualitária, então todos nós temos que lutar por isso. Pessoas físicas, jurídicas, ONGs e quaisquer outras entidades com ou sem fins lucrativos.

Símbolo da torcida do Cruzeiro, Salomé não perde um jogo da Raposa. Lugar de mulher também é no estádio!

A campanha contra a violência à mulher é necessária e é louvável que os clubes façam campanhas sobre o tema. Parabéns ao Cruzeiro e ao Atlético por isso. No entanto, há outros preconceitos que precisamos combater. Houve um constrangimento ontem. Os atleticanos costumam chamar os cruzeirenses de “maria”. Pura homofobia. Outro preconceito. Como se ser mulher, homossexual ou qualquer outra coisa fosse motivo de piada. Só que a Maria da Penha estava lá no gramado. E não deve ter entendido muito bem quando a torcida deles fazia provocações utilizando o nome “maria”. Foi feio. Muito feio. Constrangedor até.

Estamos em 2018. Não há mais espaço para violência e preconceito no mundo. Ontem, as Marias venceram o jogo. As Marias, as Joanas, as Jéssicas, as Ritas, enfim, todas as mulheres. Porque elas estiveram por alguns minutos no centro das atenções em um campo de futebol lotado de homens (porque a violência é tanta que as mulheres se sentem intimidadas a frequentarem os gramados). Sei que a causa da mulher merece mais tempo, mais divulgação, mais leis, mais tudo. Mas já é um passo que estamos dando no futebol. O Cruzeiro abrirá na quarta-feira as portas do Mineirão para suas torcedoras, de maneira gratuita. Lugar de mulher também é no estádio. E onde mais elas quiserem. Parabéns pela iniciativa, Marco Antonio Lage.

E, por fim, quero dizer que não é só as mulheres que têm receio de acompanhar o Cruzeiro, o América e o Atlético nos estádios de Minas Gerais. Os gays também. Sim, minha gente. Não adianta colocar uma venda nos olhos. Existem gays cruzeirenses. Existem gays americanos. Existem gays atleticanos. Gente que é apaixonada por seus clubes e que têm medo de ir ao estádio para ver, torcer e ajudar seus times. E temem a violência e o preconceito. E evitam de ir ao estádio por causa disso. Já pensou como seria amar muito seu time e não poder vê-lo jogar por medo da violência? É estúpido, mas isso acontece. E as pessoas têm medo até de falar sobre o assunto. Mas chega de tabu. Ontem as Marias venceram sim e vão continuar vencendo.

Pedro Henrique

Olá, o meu nome é Pedro Henrique. No Twitter, sou conhecido como o @RealPedrin. No blog, todos me chamam de PH. Desde 2012, escrevo sobre o Cruzeiro. Já redigi no Blog Azul Estrelado, Camisa 11, Lance Activo, Guerreiro dos Gramados e Bloguerreiro. Não sou daqueles blogueiros que gosta mais de cutucar o rival do que de analisar o próprio time. Minha missão aqui é colocar o meu ponto de vista - dentre tantos milhões de pontos de vista possíveis - e abrir o espaço para o debate, para a troca de ideias. E prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Ei, você curte o blog? Então curte lá a nossa fan page no Facebook: fb.com/blogsomoscruzeiro/. Muito obrigado! Sejam todos bem-vindos!

85 thoughts to “Ontem as Marias venceram o clássico”

  1. Pedro;
    Parabéns pelo texto, como sempre preciso e de boa qualidade.
    Parabéns também pela coragem de abordar o preconceito em relação aos gays.
    Infelizmente a hipocrisia e o preconceito tolo reinam na sociedade.
    Que possamos evoluir como seres humanos e respeitar tudo e todos.
    Abraços.

  2. Li o texto 2 vezes. A primeira foi só pra ler o que escreveu e a segunda por orgulho! Lindo texto pedrin! Estou absurdamente impressionado com cada palavra. Parabéns!

    1. Bacana, mesmo.
      Na torcida cruzeirense há espaços para todos, sem distinção de classe social, credo, opção sexual, cor da pele. O que importa é o respeito ao próximo, sem preconceitos, a paixão pelo clube do coração. Todos os amantes do esporte são bem vindos. Todos os amantes da paz são bem vindos.
      Valeu
      Abraços

  3. Parabéns Pedro, belo texto, bela colocação sobre o preconceito.
    Sou feliz em ser cruzeirense. Amo o zeroooo e acredito que este ano vamos curtir muitas vitórias.
    Zerooooooooo!!!!!!!!!

    1. Isso infelizmente não é verdade. Sou cruzeirense e acho que temos que ser honestos: a torcida do Cruzeiro faz exatamente a mesma coisa pra responder. Além disso, tenho certeza que existem atleticanos com o mesmo bom senso do autor. Por fim, os clubes e a imprensa não tem coragem de falar algumas coisas que devem ser ditas, com medo de gerar má repercussão.

      Acho que essa constatação só dá mais motivos pra exaltar a coragem do blogueiro em escrever esse belo texto.
      Abraço

  4. Pedro Henrique;
    Parabéns pela coragem e pela lucidez em seu texto. Acredito que em si textos iguais a esse confirmados com ações práticas em nosso cotidiano já ajudam muito em reduzir o preconceito e a violência que ele gera. Acredito ainda que o preconceito se vence por vários meios, dentre esses a informação e a cultura tem real destaque. Falo isso pois já fui muito preconceituoso e venho vencendo isso dia a dia.

  5. Parabéns Rodrigo. Excelente texto. Mas, não podemos deixar a paixão pelo clube se transformar em hipocrisia. Ao citar no texto que chamar cruzeirense de MARIA é homofobia, você deveria dizer também que chamar atleticano de FRANGA tem o mesmo significado homofóbico. Fica a dica.

  6. Infelizmente o ser humano esta perdendo a chanse de evoluir com seu imediatísmo. O respeito ao semelhante é a senha para o aprimoramento. Todos ganham com a solidariedade e isto ilumina a alma. O Homem nasceu da mulher e qualquer arrogância o torna impotente. 1+1 é mais que 2. Abçs

  7. Pedro, texto sensato. A maioria dos atleticanos que conheço enchem a boca para chamar cruzeirense de Maria como algo depreciativo. Minha mãe é Maria, minha vó também era. Nossa Senhora, minha protetora, é Maria, e aposto que todos os atleticanos também possuem uma Maria amada em suas vidas. Levantei esse contrassenso contra um amigo que adora usar esse nome como um xingamento preconceituoso. Eu disse “cara, a sua mãe, aquela grande mulher, se chama Maria e vc me xinga com o nome da sua mãe?! O que ela acharia disso? Acabou a discussão ali e esse amigo não veio mais com essa besteira.

  8. PARABÉNS MAIS UMA VEZ VOCÊ ARREBENTOU, PH. QUEM NÃO ENTENDER QUE UM NOVO MUNDO CHEGA A CADA DIA VAI FICAR PERDIDO. PODE-SE ATÉ NÃO CONCORDAR COM A AVALANCHA DE MUDANÇAS QUE OCORREM EM NOSSO REDOR A CADA DIA, MAS QUANDO ENVOLVE PESSOAS, TEM DE RESPEITAR.

  9. Texto sensacional. Sempre leio o seu blog e esse para mim é o melhor por falar tão bem de futebol e engajamento ao mesmo tempo. Parabéns, continue escrevendo e mandando mensagens construtivas como essa!!

  10. Parabéns Ph, pela lucidez, clareza e ousadia em abordar esses tabus em um meio tao machista como o futebol. Muito boa lembrança do pioneirismo do Cruzeiro na campanha contra a violência contra a mulher, assim como em mts outras. O que mais me agrada eh ver a qualidade do seu texto, sua postura ética a serviço do Cruzeiro em contraste a péssima qualidade dos textos e abordagens do representante do rival( Fred Melo Paiva), que so se preocupa em agredir a Raposa e seus torcedores, ao invés de falar do próprio time, chegando a atingir o baixo nível.

  11. Bom o texto.
    Mas com a cachorrada e’ impossivel imaginar algo civilizado…..são estupidos e trogloditas ! Pequenos , e covardes : ontem quase mataram um torcedor nosso no Prado e ainda teve um que roubou o bolso do coitado desfalecido…..
    E a BHTrans do kalil NÃO mandou os Ônibus para segurança dos torcedores celestes….aqui em BH é dificil
    Que Deus olhe por nos !!!!
    Cruzeiro o Maior é MELHOR de Minas , sempre !

    1. Sou cruzeirense, mas pelas imagens que vi da briga, foram 2 guangues de estúpidos e trogloditas se enfrentando e mais, se ao invés de um cruzeirense cair um atleticano tivesse caído, ele seria o agredido. Então, infelizmente nessa guerra não existe lado bom e lado ruim. Torcedores imbecis dos dois lados deveriam ser banidos do futebol…

  12. PH, sua abordagem foi muito feliz! Se eu fosse dirigente do Cruzeiro até promoveria campanhas em prol da mulher e dos homossexuais. Os pretos, para minha grande alegria, parece já serem maioria em nossa imensa torcida. Observe o estádio e as fotos da torcida rival plotadas nas publicidades de traseiras de ônibus: só tem brancos

  13. PH. Vc é um cara diferenciado. Diferente dos cronistas da turma das Francas (opa, foi mal). Parabéns por abordar o tema. Reflexivo! Realmente, precisamos pensar melhor nos outros e evitar repetir ideias como se vivêssemos em um cardume de peixes.

  14. Caro PH,
    Lindo texto, ótimo para a reflexão de gente desinformada.
    Quanto ao tratamento homofóbico que nos é dispensado pelo rival(???); gostaria que soubessem que sou MARIA assim como minha querida mãe era MARIA. E, coincidentemente a letra M está entranhada em nossa história. Afinal, Maior e Melhor de Minas, rei do Mineirão, preferido pela Maioria dos Mineiros, Multicampeão……Precisa mais EMES??????????????????????????
    Abraço,

  15. Muito bom PH, o texto ficou cabuloso, o que ficou ruim mesmo foi o marketing de hoje que o CRUZEIRO fez com o presente de uma camisa autografada pelos jogadores do Neimidia, não sei se vai ser bom para o Clube ( pode até ser) mas achei ridicula essa tacada.

  16. Gostei da abordagem ao tema e tem o meu apoio…
    Na realidade, times de futebol deveriam ser RIVAIS (em campo) e nao inimigos, afinal eles dependem da forca de um contra o outro para crescer.. Vai disputar/medir focas com quem? … Esta e’ a diferenca…

  17. Pedro, excelente texto. Só gostaria de acrescentar que marginais travestidos de torcedores provocaram mais um capítulo de imbecilidade, com este comportamento expulsam Marias, Joãos, Pedros, Lurdes e famílias dos estádios. Futebol é diversão e não guerrilha. Acordem!!!!!!!!!!!

  18. Gostei do texto maduro, PH! Ano passado, quando você publicou “Arrombador de cloacas” (ou algo do tipo) e fiquei revoltado com as suas palavras. Fiz um comentário dizendo que não leria mais suas crônicas. E você me censurou ao não publicar minhas críticas. De fato, não acessei mais por um tempo e voltei a acompanhar, esporadicamente, no final do ano.
    Agora, tenho essa grata surpresa! Parabéns! Viva as Marias, as Joanas, os Josés, viva todos nós!

  19. Excelente, o texto. Espero que um dia as torcidas entendam que homofobia não combina com o futebol, bem como não combinam machismo e racismo. Ainda, há muito que evoluir, mas os primeiros passos sem dúvidas devem ser celebrados.

  20. Este é um texto para entrar para a história deste blog!

    Você sempre escreve com muita consciência e precisão PH, mas dessa vez foi muito além da qualidade que já espero de você.

    Muito importante sempre lembrar da campanha do Cruzeiro contra a violência doméstica e eu gostaria muito de ver o clube oficialmente se posicionar contra a homofobia, já passou da hora de expulsar isso do futebol.

  21. PH, lindo texto. Sou sociólogo e pesquiso relações de gênero e raça. Minha pesquisa específica é com uma mãe de santo, idosa, negra, pobre e nordestina. Uma grande senhora, que admiro incrivelmente, e que infelizmente é bastante subalternizada em nosso país por ser mulher negra (como vc notou no texto) e também por seu credo e classe social. Enfim, coisas estruturais do Brasil…
    Fiquei muito feliz de ler seu texto. Que bom que, além de futebol, vc entende de humanidade. Parabéns!
    Abraços

  22. Isso aí PH,todo mundo satisfeito com seus belos textos.Mudou de assunto na hora certa,o ambiente aqui no blog estava um pouco tenso e as vezes a gente extravasa um pouco.Os otimístas irritados com os pessimístas e vice-versa,mas sempre aprendemos uma lição para evoluir e não olhar para tras.Amanhã já e dia de Cruzeiro de novo e nós estamos ansiosos para ver com o que a Raposa vai nos surpreender de novo.

  23. Parabéns Pedro Henrique, precisamos cada vez mais de pessoas sensatas. Nossa sociedade está repleta de imbecis que desprezam o seu semelhante por coisas banais. Esse é um jogo que precisa de uma virada. E as suas palavras aqui contribuem e muito para que isso aconteça. Abraços. Cruzeiro sempre.

  24. Foi legal a homenagem do time preto e branco a todas as mulheres! Eles estão aprendendo as praticar boas ações seguindo nossos exemplos!

  25. Parabéns Pedro pelo texto, como sempre preciso e de boa qualidade, focando infelizmente numa realidade muito realidade, ter coragem de abordar o preconceito em relação aos gays, Lésmicas, Prostitutas é uma qualidade impar das pessoas que querem acabar com este preconceito horroroso, estúpido de certas sociedades na face da terra. Infelizmente a hipocrisia e o preconceito tolo reinam na sociedade. Que possamos evoluir como seres humanos e respeitar tudo e todos. Está História dos Atleticanos associarem o nome de MARIA ao torcedor Cruzeirense, eu por exemplo me sinto orgulhos, afinal Maria foi a MÃE de todos nós, quer ser da raça, Amarela, Parda, Negra, Branca e todas mais.
    No mais venceram as “marias” como sempre, e no galinheiro das frangas é muito melhor, Saudações CruzeiroCabuloso e vamos às Taças.
    Abraço

  26. te dou 5 estrelas….otimo texto, não sou homofobico, afinal de contas tenho varios amigos atleticanos, mais cá entre nós, é impossivel não chamar frangas de franga. Tirando a brincadeira, parabens PH, não julgamos as pessoas pela cor, opção sexual, gênero ou até mesmo times de futebol, somos todos iguais com apenas opções diferentes, e gênero diferentes, não é pq é atleticano ele é meu inimigo numero 1, afinal de contas, futebol é só futebol e tem para todos homens, mulheres, gays, pretos e brancos…..Tenho 03 mulheres em minha casa, minha esposa e 02 filhas pequenas que são minha vida, esse termo que uso, ´´franga“, eu não repito perto das duas…E vou te falar outra coisa, se tem uma coisa melhor do que mulher, Deus ainda não mandou para nós, estou falando de um modo geral! Abraços, muito lucido vc! Mais uma vez parabens!!

  27. PH parabéns pelo belo texto, abordando tema que hoje nem deveria ser mais objeto de polêmicas. Temos que aceitar e respeitar todos como são e cada um é dono de sua vida e de suas escolhas. Essa postura pateticana tem explicação: 1) na época da inauguração do Mineirão, como escolheram o lado errado do estádio para sua torcida (era uma manhã e os pateticanos optaram pelo lado sem sol e a nossa presidência o outro lado, no qual batia o sol. Como os jogos normalmente são à tarde, a escolha mais certa foi a nossa e os pateticanos se sentindo enganados, ludibriados e idiotas, como não dão o braço a torcer, começaram a nos chamar de “refrigerados”, já que assistiam aos jogos com sol na testa e nós, cruzeirenses, na sombra; 2) com o passar dos anos, Cruzeiro hipercampeão, e os pateticanos em jejum absoluto de títulos importantes (monotítulo de 1971) e sem outros argumentos, passaram apelar ainda mais, utilizando termos como “bichas” e por último “Maria”, numa clara apelação patética / homofóbica. A minha resposta para os pateticanos sempre foi: enquanto vocês se preocupam com sexo de torcida, nós ganhamos títulos. Nunca acredito nas ações pateticanas e creio que hoje a Sra. Maria da Penha, que merece nosso total respeito, após escutar no estádio o coro da famigerada torcida pateticana, ridicularizando as “Marias”, deve ter se sentido usada….

  28. Não tenho a menor dúvida que tanto o texto quanto os comentários, foram redigidos por pessoas de bem, e assim como eu, acreditamos que é um absurdo a violência (de qualquer natureza) contra mulher. No entanto eu lhes faço a devida pergunta; todo ano vemos mais e mais campanhas de conscientização sobre este tema, e mesmo assim as estatísticas vergonhosas estão aumentando ano após ano. Acho que deve sim existir penas mais duras (que sejam realmente cumpridas, sem “direitos humanos” para defender assassino e estrupadores de mulheres e crianças) e também que a mulher possa de defender, seja com uma arma ou com defesa pessoal. Não sou contra a iniciativa que os clubes promovem durante a semana da mulher, só acho que pessoas que usam violência contra a mulher, são inexistentes de humanidade e são desprovidas de consciência crítica para assimilar campanhas deste tipo. Isso é só mais uma opinião meus amigos, um abraço.

    1. Olá Roberto, tenho uma explicação para o aumento dessas estatística, nós mulheres estamos nos conscientizando e não estamos nos calando frente a violência física e psicológica que nos são impostas. Para vc ver, se esse número é grande, pode multiplicar (infelizmente) pois não são todas que possuem coragem de expor seu/sua agressor(a). Esse número é alarmante, mas indica as mulheres que deram a cara a tapa. Muitos agressores são pessoas comuns no dia a dia, são pessoas que “a primeira” vista acreditamos que são pessoas com boa índole e muitos não serão expostos justamente por isso e por mulheres acreditarem que a culpa do que ocorreu é dela. Também não acho que armando uma população seja a melhor defesa, armas não significa segurança para ninguém, muito pelo contrário (um tiro para sua defesa pode acertar uma terceira pessoa que não tem nada a ver com a situação).Temos é que educar, conscientizar (como essas campanhas) todas as pessoas sobre os vários tipos de agressões físicas e psicológicas que mulheres e as “minorias” sofrem dia a dia. No mais, acredito que estamos indo pelo caminho certo, afinal, mudar toda uma cultura machista (inclui mulheres machistas) impostas de longa data, não será da noite para o dia e muito menos revidando com violência. 😉

  29. Chega a ser abismal a diferença de conteúdo entre a coluna do atleticano e a coluna do cruzeirense. Tenho orgulho de ser cruzeirense! Que texto, amigo!!! Tinha que ser matéria de destaque no superesportes.

  30. Acho até que a torcida do Cruzeiro deveria receber a alcunha de torcida Maria. Pronto, acabou a palhaçada e a graça. Basta fazer isso e acaba a graça desses imbecis. Pra quem não sabe foi isso que a torcida do Palmeiras fez no passado quando os rivais tentaram ser ofensivos os chamando de porcos, que jogavam no chiqueiro e coisa e tal. Assumiram e hoje são normalmente e orgulhosamente chamados de “Porco”. Gritam “porco” nos estádios, em troca do mascote original, o periquito, e todo mundo inclusive respeita…Ser Maria não é nada depreciativo, e não muda em absolutamente nada a opção sexual de ninguém. Desonra é ser chamado de ladrão, de pedófilo, e por ai vai. Mas Maria? Olha que honra. Estende faixa, se assume Maria e vão ver essa provocação sem sentido nenhum morrer.

  31. BOM DIA PH

    LINDO TEXTO AMIGO NÓS SERES HUMANOS ESTAMOS PERDENDO A ESSÊNCIA DE CIVILIDADE
    PRINCIPALMENTE UM COM OUTRO QUALQUER COISA É MOTIVO PARA SERMOS RACISTAS HOMOFÓBICOS QUEREMOS RESOLVER TUDO NA BASE DO XINGAMENTO , HUMILHAÇÃO OU TAMBÉM NA BASE DO REVÓLVER . NÃO TEMOS MAIS CARINHO RESPEITO UM POR OUTRO . E ISSO ESTÁ ENRAIZADO NA SOCIEDADE TODA INFELIZMENTE. PARABÉNS PELO TEXTO AMIGO .

  32. PH. Belo texto. Já estou na terceira idade e sempre respeitei e aceitei a decisão de cada um….
    Nunca tive preconceito com nada…. Agora.. como disse, precisamos respeitar a todos….
    Mas, antes de respeitar, é preciso se respeitar… Infelizmente, tem muitas mulheres, gays etc que não se dão ao respeito. É claro que isso não tira nossa responsabilidade de respeitar, mas, como disse: que todos nós façamos por onde merecer o respeito dos outros…. Sou cruzeirense e respeito qualquer atleticano…. desde que esse mereça meu respeito…. Vamos pensar nisso….. Respeitar para ser respeitado….

  33. Pedro Henrique :
    Esse texto é emocionante , toca o fundo da alma !
    Mostra o quanto todos nós somos preconceituosos consciente e inconscientemente nas palavras e atos ou até nas brincadeiras .
    Eu gostaria que todo o mundo tivesse acesso e lêsse esse texto
    Obrigado por conscientizar a sociedade !

  34. Eu acho uma grande hipocrisia da sua parte, que não é de hoje que os torcedores de atlético e cruzeiro zoa uns aos outros detalhes maneira,que na minha opinião não é um desrespeito, falta de respeito para mim é zoar a pessoa por sua opção sexuais, é classificar a pessoa por sua cor,por sua fisionomia e seu peso isso sim
    é uma falta de respeito e educação .Quero deixar bem
    claro que essa é o opinião
    é que com certeza que comentarão aqui já chamarão
    uns de Maria e outro de franga

  35. Boa tarde, Pedro.
    Leio seu blog todos os dias, porém nunca fui de comentar. Mas hoje eu não tive como fugir. Parabéns pelo texto, pelas palavras, pelo trabalho que vem fazendo, e por representar tão bem a torcida. Você tem um futuro e tanto pela frente, pois além de cruzeirense, você é um cara sensato que respeita as diversidades. Você é fera!
    Tmj

  36. PH,
    Texto irretocável, mas faltou um mea culpa seu.
    Outro dia vc mesmo respondeu a um comentário com “franga, franga, franga”
    Sou cruzeirense (sadio, é claro), tenho familiares e amigos atleticanos e adoramos fazer zoeira um com o outro, jogo após jogo (ponto).
    Deixei para escrever depois de ver alguns comentários. Graças aos Céus, a maioria esmagadora de altíssimo nível e concordando com suas sábias palavras. Porém houve um comentário generalizando o atleticano como ‘cachorro’ (o termo usado foi cachorrada).Totalmente sem sentido em resposta ao seu belo texto.
    Outros comentários também ‘puxaram a orelha’ de cruzeirenses que têm o mesmo viés preconceituoso, alcunhando nossos adversários como frangas ou cachorras.
    Todos sabemos como começou tudo isso. Lembram de um goleiro loiro e com pinta de galã que insistia em vestir amarelo?
    Então proponho o seguinte, ou nos assumimos Marias (adorei a ideia) ou esqueçamos as marias, frangas e outras ofensas disfarçadas para desmerecer nosso semelhante.

    Um bjão celestial a todos!!

  37. Mais uma bela análise para variar. PH eu como Cruzeirense, sempre bati na tecla o pejorativo maria (escrito e minúsculo propositalmente), só pegou porque tem quem se preocupa. Eu falo e repito, o Cruzeiro e os Cruzeirenses poderiam acabar com isso fácil , fácil assim como fez a torcida do Fluminense. Para quem não sabe em uma época onde o racismo era declarado só brancos podiam jogar, o mulatos que defendiam o tricolor carioca passavam pó de arroz para clarea a pele. Foram apelidados de pó de arroz pejorativamente, porém uma ideia fantastica surgiu de seus torcedores que passaram a levar pó de arroz ao estádio e lançar sempre que o time entrava em campo, acabou a zueira alí. Porque não o Marketing do Cruzeiro, não levar a campo tantas Marias, mães, torcedoras comuns, com a camisa do Cruzeiro escrito Maria, não tenho dúvida os argumentos pejorativos seria sepultados ali. Salve nação cinco estrela.

  38. Sou cruzeirense e nao importo com as provocacoes dos pateticanos em chamar os cruzeirenses com este apelido depreciativo de maria! Voces nunca perceberam que desde quando a torcida pateticana comecou com esse desdem contra o cruzeiro eos cruzeirenses e a direcao do patetico tambem pegou esse apelido pra nos provocar que nunca mais eles conseguem ganhar nada de relevante (excecao 2013 e 14) . Portanto tanto a torcida pateticana quanto a direcao do clubeco deles estao prestando um desservico ao time deles e ajudando o cruzeiro, afinal, voces nao concordam que isso ‘e uma maldicao pra eles? E essa eh uma maldicao que nunca vai sair deles e olha la se nao cairem pra B nesse ano, sc

  39. Sou da época em que nos clássicos no Mineirão, com torcida dividida, as torcidas gritavam, provocando o outro lado: “cachorrada” (para os atleticanos) e “refrigerados” (para os cruzeirenses). Acabado o jogo, quase sempre com resultados favoráveis ao Cruzeiro, todos voltavam em paz para sua casa, ostentando suas camisas e dividindo o mesmo ônibus, onde apenas haviam as gozações saudáveis e sem agressões físicas. Com o tempo, as coisas mudaram – e muito. Depois da reforma do Mineirão e do Independência, os dirigentes do Atlético, procurando aplicar a “Lei do Gerson” instigaram “torcida unica” e ainda procuram manobrar os 10% da bilhetes destinados aos cruzeirenses, acirrando mais os ânimos. Como se não bastasse, alguns profissionais da imprensa atleticanos instigam a rivalidade a qualquer custo. Ainda agora mesmo, foi publicado com o título: “O cruzeirense deu azar: nasceu cruzeirense”, um texto altamente ofensivo aos cruzeirenses (onde me incluo), neste EM, que deveria se pautar a não deixar publicar tais coisas……Não adianta PC, eles não aprendem nunca e não esquecem o Cruzeiro, o orgulho de Minas Gerais!

  40. Muito bom o texto PH. Ele só veio mostrar a sua capacidade e discernimento em ver as coisas preconceituosas que assolam nossa sociedade. Pena que do outro lado, não existe essa reciprocidade. Vejo que em suas matérias, você jamais se dirige ao time listrado e sua pequena torcida faltando-lhes o respeito. Ao contrário do que se vê aqui, pelas bandas de lá, o blogueiro delas, aquele barbudo, nunca nos respeitou e tá sempre instigando sua minúscula torcida a acreditar no inimaginável. Valeu PH! Não é a toa que somos gigantes e estamos bem à frente dos demais no estado de Minas Gerais. Saudações azuis.

  41. Ditadura do politicamente correto é bola fora. No futebil, então, nada a ver. Chamo atleticano de franga e não sou “homofóbico” (aliás, fobia de quê? O termo está errado!). O respeito pela vida particular de cada um não passa e nunca passará por estas campanhas de “consientização”. Abraço

  42. Professor Pedro Henrique, boa tarde!

    Este seu Post veio demonstrar que você é mais que um professor. É e sim, um grande educador. Foi magistral este texto não só pela riqueza de seu conteúdo e também pelo uso da oportunidade. Na semana em que comemoramos o dia comercial da mulher, por que todos os dias são da mulher, vc aproveita a oportunidade para nos brindar com suas lições de mestre. Sem a mulher, não haveria vida, não desfrutaríamos da doçura e do amor; o mundo seria frio porque sem desprendimento, doação, entrega; não haveria construção e sublimação e vitórias, caminhos iluminados!

    Ai vem você, num Blog de futebol, onde o imediatismo e as paixões clubísticas embotam a racionalidade exasperam as emoções, com um Post deste conteúdo educativo, cheio de realidade humana, a concitar o sentimento mais mal tratado dos tempos atuais: O RESPEITO! O educador nato age como você agiu: lançou mão de sua ferramenta de trabalho e despertou reflexões. Não perde viagem para confessar sua fé na modificação de cada uma pela força transformadora da educação contínua.

    A homofobia com outros nomes sempre acompanhou o ser o humano desde tempos imemoriais, como demonstra a história. Ser MARIA nunca me constrangeu ou humilhou. MARIA, além de ser o nome da mãe de Jesus, mulher bendita, separada, inigualável, é também nome de numerosas pessoas veneradas pela Igreja Católica e um dos nomes mais honrados por nossa população nas pias batismais e nos registros civis. Logo, assim como nunca tive por que me sentir diminuído ao ser alcunhado de “maria” pelo irmãos “frangas”, gostaria que, neste espírito de solidariedade e confraternização que o futebol ainda propaga, nenhum de nós doravante se sintam ofendidos ao assim serem alcunhados. Ser MARIA é ser agraciado, como foi a Mãe de Jesus!

    Na oportunidade comunico-lhe e aos demais companheiros o meu afastamento do Blog. Enquanto o Mano Menezes for treinador do Cruzeiro não mais assistirei jogos, tapes e rádios dos jogos do meu querido time. Estou enojado das repetidíssimas discriminações, incoerências e burrices cometidas por ele a todo jogo e decepcionado com o comodismo do Itair.

    Felicidades a todos e Feliz Dia da Mulher à todas as lindas, respeitadas e amadas cruzeirenses de Minas, do Brasil e do exterior! Sem elas, o mundo seria uma tortura! Abs.

    1. Some não companheiro Ronaldo Andrade. Prefiro ler seus textos lúcidos e enrriquecedores do que ler ou assistir as entrevistas, sempre arrogantes e equivocadas do Mano Menezes de suas leituras de jogos que nunca mudam em termos táticos. O plantel é dos melhores e as oportunidades surgiram durante as competições para jogadores que pedem passagem. Continuo torcendo para que haja tempo e novos “Hudsons” possam surgirem e nos salvarem das mesmices imposta pelo treineiro de plantão. Saudações Celestes e Cruzeiro sempre. Abraços

  43. Sou atléticano e percebi que o texto não foi útil pra muita gente aqui. Culpam a torcida do Atlético numa forma clara da mais pura hipocrisia. O que vocês querem dizer quando nós chamam de franga? Não é homofobia? Não se responde críticas com críticas. Não basta apenas ler o texto e achar bonito, e sim tirar lições do mesmo. Não há santos nesta história infelizmente. Como disse pra muitos aqui, graças a Deus que não é geral.

  44. Pedro, acompanho seu blog desde quando iniciou neste espaço. Você quebrou a mesmice de apenas descrever o que foi o jogo e cornetar. Mas desta vez você se superou no quesito quebrar paradigmas. Este texto deveria dar repercussão nacional na mídia para debates. Tua abordagem foi perfeita e de alguma forma corroborou com o que penso: toda torcida tem gay, homem, mulher, extraterrestre, etc. Contudo, a competição é entre dois times e o que dá título é o jogo jogado, não torcida mais macho, mais apaixonada, mais isso, mais aquilo. Como eles estão cansados de ser inferiores em número de títulos, buscaram esse alento (Marias) para tentar comemorar. Dizer que título não é importante é a mesma coisa que dizer que no trabalho o que importa é o esforço e não o resultado entregue. E como os atletas são profissionais, importam sim os títulos! Saudações.

  45. Dos 73 comentarios até agora,só um não esta satisfeito,isso é o que eu chamo de maioria esmagadora.Parabéns mais uma vez.Agora passou da meia noite e estamos novamente em dia de Cruzeiro,dia de ver novamente a China Azul apoiar esse esforço magnífico da nossa diretoria que manteve e montou um elenco de qualidade, e que tem tudo para levantar troféus e dar as alegrias que os Azuis merecem tanto.Não importa quem vai ser escalado,porque sabemos que nosso banco é fortíssimo e recheado de opções.

  46. Excelente texto, PH!!!
    Os torcedores do lado triste e monocromático da lagoa, por falta de argumentos, sempre tentam finalizar uma discussão com o nome “Maria”, como se isso fosse uma ofensa. Eles homenageam a Maria da Penha, mas usam o nome “Maria” de forma pejorativa durante a partida, vai entender a cabeça deles.

    Como você disse, somos um time de Maria, Isabel, Jéssica, João, Pedro…, somos um time de todos. Todos são bem vindos, desde a fundação, formada por um grupo de trabalhadores, diferente de outros times da época aqui em Minas, que era de um grupo elitizado, pois, no início do século passado, futebol era para os ricos.

  47. Texto polêmico, heim PH. Mas concordo com tudo que falou, e sou um dos que condenam esse tipo de preconceito, homofobia e violencia verbal e fisica, não so contra a mulher. Como falam, o futebol está ficando sem graça, pois não temos mais torcedores em campo, e sim um bando de hooligans sem educação. Tenho pensado muito nisso nos ultimos dias devido alguns acontecimentos, e nosso país ta essa draga pq o povo não se esforça em ser no mínimo educado uns com os outros. Não respeitam idosos ou gestantes em onibus ou filas em geral, não dão bom dia, boa tarde ou boa noite, não falam obrigado. O povo está muito egocêntrico. Já fazem anos q não vou ao estádio, pois tenho um filho de 4 anos e tenho medo de levá-lo e minha esposa. Tem gente q nunca vai mudar, pois educação vem de berço, mas se cada um fizer sua parte, as coisas vão melhorar. Futebol é diversão, e não motivo de guerra, briga, ofensas. Mas no brasil é diferente.

  48. Tirando a parte da Sra. Maria da Penha, onde realmente faltou “tato” à torcida das Lurdinhas, tenho que opinar: mas que chatice esse politicamente correto de hoje em dia. Não vejo mal algum as torcidas rivais se zoarem. Obviamente sem partir para a agressão, no mais faz parte do jogo!

      1. Hoje em dia há uma linha tênue entre a zoeira e a ofensa, e nem sempre foi assim, pois o pessoal sabia separar bem. O que quero dizer é que hoje tudo é considerado ofensa. Há que se separar bem as coisas para não esterilizar o futebol. No entanto, sim, obviamente todos merecem respeito e há limite pra tudo!

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