{"id":9751,"date":"2021-09-24T06:30:00","date_gmt":"2021-09-24T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=9751"},"modified":"2021-09-23T18:48:29","modified_gmt":"2021-09-23T21:48:29","slug":"o-paradoxo-do-ipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2021\/09\/24\/o-paradoxo-do-ipe\/","title":{"rendered":"O paradoxo do ip\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/trees-2690128_1280-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9752\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/trees-2690128_1280-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/trees-2690128_1280-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/trees-2690128_1280-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/trees-2690128_1280.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/author\/taiscivitarese\/\" target=\"_blank\">Tais Civitarese<\/a><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Entre os seis e os vinte anos, morei em um gostoso bairro residencial de BH, o Anchieta. L\u00e1, fazia-se tudo \u00e0 p\u00e9. Sacol\u00e3o, padaria, farm\u00e1cia, papelaria. \u00c0 p\u00e9 tamb\u00e9m eu ia para as aulas que cursava no per\u00edodo da tarde, quando n\u00e3o estava na escola. Entre elas, as de teclado e as de ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Usualmente, para chegar at\u00e9 meus destinos, precisava passar por uma rua mais movimentada que a minha e muito arborizada. Nela, havia algo que me chamava a aten\u00e7\u00e3o: um frondoso e enorme ip\u00ea amarelo. Ele se encontrava plantado sobre um alargamento da cal\u00e7ada, rente a um muro. E era uma verdadeira apari\u00e7\u00e3o. Quando floria, salpicava todo o asfalto de pontos de cor e formava uma cena encantadora em contraste com os pr\u00e9dios e o c\u00e9u. <\/p>\n\n\n\n<p>Ver a \u00e1rvore amenizava a pen\u00faria do morro que estaria prestes a subir, rumo \u00e0 avenida Afonso Pena, onde ficava a Cultura Inglesa (e onde j\u00e1 levei um tombo hom\u00e9rico que trouxe minha primeira cicatriz). Ao mesmo tempo, j\u00e1 dava o tom da erudi\u00e7\u00e3o em preparo para a aula de m\u00fasica, uma rua \u00e0 frente (nem sempre, eu estava nesse tom\u2026). <\/p>\n\n\n\n<p>Houve uma tarde em que, embevecida pela beleza daquele trecho do caminho, senti um mau cheiro ao passar ali. Logo deduzi que algu\u00e9m havia utilizado o espa\u00e7o que ficava entre o tronco e o muro como banheiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Aquilo, para uma mente infantil e em desenvolvimento, me trouxe bastante horror. Passei a associar a \u00e1rvore ao cheiro ruim e ao passar por ela, prendia a respira\u00e7\u00e3o e mal a contemplava para que odor nenhum pudesse aproximar-se de mim. <\/p>\n\n\n\n<p>Subitamente, aquilo que mais me encantava em minhas andan\u00e7as passou a tornar-se um inc\u00f4modo, motivo de tens\u00e3o e repulsa. <em>De todas as \u00e1rvores desta rua, <\/em>pensei<em>, por que acontecer isso justo aqui, na mais bonita?<\/em> Ela era t\u00e3o alta que se seu tronco n\u00e3o fosse suficientemente largo, certamente o local escolhido para o al\u00edvio intestinal teria sido outro, por n\u00e3o prover a &#8220;privacidade&#8221; adequada. <\/p>\n\n\n\n<p>E foi esta uma das primeiras vezes em que vislumbrei a dualidade das coisas. Da grandeza que traz problemas justamente por ser grande. Da beleza que jamais \u00e9 completa. Da rua de pr\u00e9dios que n\u00e3o \u00e9 a realidade da moradia de muitos. Ou \u00e9, de forma literal e triste. Foi a\u00ed tamb\u00e9m que uma embrion\u00e1ria consci\u00eancia social come\u00e7ou a despontar em meu caminho.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Ah, os ip\u00eas de BH! Para cada um de n\u00f3s que aqui vive, carregam ainda mais do que flores, hist\u00f3rias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>*<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curta:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Blog-Mirante-104019264595503\/?ref=page_internal\">Facebook<\/a>&nbsp;\/&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogmirante\/\">Instagram<\/a><\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tais Civitarese Entre os seis e os vinte anos, morei em um gostoso bairro residencial de BH, o Anchieta. L\u00e1, fazia-se tudo \u00e0 p\u00e9. Sacol\u00e3o, padaria, farm\u00e1cia, papelaria. \u00c0 p\u00e9 tamb\u00e9m eu ia para as aulas que cursava no per\u00edodo da tarde, quando n\u00e3o estava na escola. Entre elas, as de teclado e as de ingl\u00eas. 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