{"id":9446,"date":"2021-09-03T06:30:44","date_gmt":"2021-09-03T09:30:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=9446"},"modified":"2021-09-02T11:10:06","modified_gmt":"2021-09-02T14:10:06","slug":"maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2021\/09\/03\/maternidade\/","title":{"rendered":"Maternidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/mother-429158_1920-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9449\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/mother-429158_1920-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/mother-429158_1920-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/mother-429158_1920-768x508.jpg 768w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/mother-429158_1920-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/mother-429158_1920.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Maternidade &#8211; Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/author\/taiscivitarese\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tais Civitarese<\/a><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Tornei-me m\u00e3e aos 31 anos. J\u00e1 havia percorrido alguns caminhos. J\u00e1 tinha uma profiss\u00e3o, v\u00e1rios empregos, amigos, conviv\u00eancia em fam\u00edlia. J\u00e1 tinha morado em dois pa\u00edses e j\u00e1 tinha, eu mesma, participado de in\u00fameros nascimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, pouco me lembro conscientemente das coisas que vivi antes daquele dia. Parecem tratar-se de uma outra pessoa, de uma outra vida. Mesmo sem nunca ter sonhado em tornar-se m\u00e3e, uma vez que a maternidade colocou-se para mim, ela me transformou de forma irrecuper\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminho do parto, sentia-me como numa montanha-russa de onde n\u00e3o poderia descer sem antes enfrentar a queda livre. Aquela volta j\u00e1 havia come\u00e7ado e o ch\u00e3o ficara bem para tr\u00e1s, l\u00e1 embaixo. Quando segurei o beb\u00ea em meus bra\u00e7os, senti sim um afeto imediato. E senti que nada jamais seria como antes. A pessoa que eu era morreu com aquele nascimento. E surgiu outra no lugar, que foi nascendo aos poucos ao longo do tempo, reeditando-se dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei que processo \u00e9 esse que acontece com as mulheres. N\u00e3o se trata propriamente do &#8220;amor incondicional&#8221; de que tanto se fala. Creio ser algo mais profundo, mais instintivo. No meu caso, essa sensa\u00e7\u00e3o tocou profundamente a tecla da responsabilidade. Passei a saber que aquela vida dependia de mim. Que minha fun\u00e7\u00e3o seria zelar por aquele beb\u00ea custasse o que custasse. De certa forma, sinto-me assim at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi muito dif\u00edcil voltar a ser pediatra ap\u00f3s ter filhos. Todos os meus pacientes passaram a ser um espelho desse sentimento. Ao ponto de uma vez, durante o exame cl\u00ednico de uma crian\u00e7a no Pronto-Socorro, eu dizer: &#8220;Agora, a mam\u00e3e vai olhar seu ouvido&#8221;. Ele n\u00e3o era meu filho. Por\u00e9m, era. A m\u00e3e entendeu perfeitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es da rotina, tem algo de muito estranho e forte que nos lastreia a partir deste momento. Uma esp\u00e9cie de fio, que pode ser visto como tolhedor da liberdade, mas tamb\u00e9m como uma conex\u00e3o para um outro mundo. Um mundo muito \u00fanico, de sensa\u00e7\u00f5es intensas, de poder, de solid\u00e3o, de afeto, de medo. \u00c9 nesse novo mundo que se passa a ter que existir. E constru\u00edmos ao redor de quem \u00e9ramos uma pessoa que desempenhe bem o seu papel ali. Ainda me sinto tateando os caminhos, segurando-me nas bordas, ora escorada na parede, ora deitada no ch\u00e3o. Sinto-me em constru\u00e7\u00e3o inacabada, tendo que abrigar dois filhotinhos. Como um carro que circula cheio e de portas abertas. Ou como a terra que d\u00e1 a vida e que tamb\u00e9m treme, explode em lava, promove tempestade, transforma-se a cada chuva.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto-me muito estranha, por\u00e9m confesso viver uma aventura muito interessante. E olhe que j\u00e1 faz quase nove anos que vim para &#8220;aqui&#8221;. Dizem que essa sensa\u00e7\u00e3o dura a vida toda.<br>Cada m\u00e3e \u00e9 um planeta. Tem a face escura e a clara, a iluminada e a sombria. S\u00f3 espero n\u00e3o sair da \u00f3rbita e passar a vagar desgovernada pelo universo. Para isso, talvez a for\u00e7a gravitacional materna seja essa sensa\u00e7\u00e3o invis\u00edvel que nos conecta a esse novo jeito de existir com um horizonte no rosto de cada um de nossos filhos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>*<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curta:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Blog-Mirante-104019264595503\/?ref=page_internal\">Facebook<\/a>&nbsp;\/&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogmirante\/\">Instagram<\/a><\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tais Civitarese Tornei-me m\u00e3e aos 31 anos. J\u00e1 havia percorrido alguns caminhos. J\u00e1 tinha uma profiss\u00e3o, v\u00e1rios empregos, amigos, conviv\u00eancia em fam\u00edlia. J\u00e1 tinha morado em dois pa\u00edses e j\u00e1 tinha, eu mesma, participado de in\u00fameros nascimentos. Entretanto, pouco me lembro conscientemente das coisas que vivi antes daquele dia. 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