{"id":9428,"date":"2021-09-01T14:00:19","date_gmt":"2021-09-01T17:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=9428"},"modified":"2021-09-01T08:27:14","modified_gmt":"2021-09-01T11:27:14","slug":"ser-o-que-se-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2021\/09\/01\/ser-o-que-se-e\/","title":{"rendered":"Ser o que se \u00e9"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"565\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/com-titulo-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9430\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/com-titulo-2.jpg 800w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/com-titulo-2-300x212.jpg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/09\/com-titulo-2-768x542.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Ser o que se \u00e9 \u2013 Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00falia Bernardes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/tag\/luisa-bahia\/\">Lu\u00edsa Bahia<\/a><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Espont\u00e2neo: o que vem assim: \u201cvim!\u201d\u00a0<\/span><\/i><br><i><span style=\"font-weight: 400\">Adriana Falc\u00e3o<\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Numa certa manh\u00e3 ensolarada de s\u00e1bado, eu passeava com os meus sobrinhos, quando o mais velho, Luca, me disse: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o espont\u00e2nea, n\u00e9?\u201d Seu tom n\u00e3o era de elogio, era de estranheza. Tamb\u00e9m com estranheza recebi o coment\u00e1rio pois, pra mim, a espontaneidade deve ser cultivada por toda a vida e estar presente, principalmente, na inf\u00e2ncia. Mas consigo compreender o coment\u00e1rio do Luca, que est\u00e1 com 10 anos, e estranha praticamente o mundo inteiro.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Depois chegamos em casa e ele quis me acompanhar na Yoga. Na hora de entoar os Ohms, eu ria por dentro ao perceber a sua risadinha com aquele canto. Depois ele quis jogar capoeira e ensinei um pouco do que sabia. Ele me perguntou como aprender a ter \u201creflexo\u201d. Expliquei que na capoeira, como no karat\u00ea, como nas brincadeiras, como na vida, \u00e9 preciso praticar a aten\u00e7\u00e3o, a disponibilidade, o remelexo. N\u00e3o adianta s\u00f3 treinar 200 vezes os movimentos e golpes. \u00c9 preciso exercitar a escuta, o jogo, a resposta a algo imprevis\u00edvel.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Depois dan\u00e7amos, inventando regras como: ficar na ponta dos p\u00e9s; dan\u00e7ar pisando nos quadradinhos de e.v.a., recriar os gestos um do outro. Foi um momento lindo, pois percebi o garoto se jogando silenciosamente, dan\u00e7ando de um jeito muito livre, desfazendo-se do escudo da vergonha e do julgamento, se entregando tranquil\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aquela manh\u00e3 me fez pensar muito. Sobre como a vida vai engessando a gente e, a gente vai perdendo aquele estado de espontaneidade, de brincadeira, de vadiagem, como se diz na capoeira. \u201cO encantamento estaria diretamente conectado a uma atitude brincante e despretensiosa que expande possibilidades, pois faz m\u00fasica com as imprevisibilidades que tanto aperreiam o modo adulto de ser.\u201d Me contou Luiz Rufino, que ainda me citou Pedrinho da Praia, er\u00ea de Turia\u00e7u \u201cser pequeno faz o grande, mas o grande n\u00e3o faz o pequeno. Ser feliz \u00e9 melhor que ser rei!\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A vida adulta nos convoca a muitas regras, padr\u00f5es e, as figuras que fogem ao esperado s\u00e3o consideradas no m\u00ednimo \u201cfiguras\u201d. Acredito que a arte seja uma das rotas de escape. Um espa\u00e7o de reinven\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma arena de autenticidade, mesmo que o que a gente queira dizer, esteja na boca de uma personagem, no tra\u00e7o de um desenho, na melodia de uma can\u00e7\u00e3o, num passo ensaiado de uma dan\u00e7a de sal\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acredito na constru\u00e7\u00e3o de um mundo franco, honesto, espont\u00e2neo. Infelizmente somos educados a receber informa\u00e7\u00f5es, copiar comportamentos, obedecer \u00e0s regras. N\u00e3o somos conduzidos a revelar o que acreditamos, a expressar livremente o nosso ponto de vista. \u00c9 mais do que sabido que somos moldados a modos de vestir, falar, sentir, amar.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Me lembrei da Regina, uma conterr\u00e2nea querida, que trabalhava numa loja de produtos esot\u00e9ricos e indianos. Ela estava sempre muito bonita, com roupas coloridas e extravagantes e um cabelo azul. Mal sabia eu que, anos depois, eu pintaria o cabelo de azul, para ser Dora, uma mulher que queria fugir do comando central, uma mulher que queria ser livre. Obrigada Regina, por ser fora da curva e me ensinar sobre identidade. Como bem disse o poeta Paulo Leminski: \u201cIsso de ser exatamente o que se \u00e9 ainda vai nos levar al\u00e9m.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>*<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><strong>CONTATO<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/luisadabahia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a>&nbsp;e Facebook:&nbsp;@luisadabahia<br>E-mail:&nbsp;<a href=\"mailto:paraluisabahia@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">paraluisabahia@gmail.com<\/a><br>Youtube, Spotify e outros:&nbsp;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/0cCiJNLI7Fe1aqYIP3FuYb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lu\u00edsa&nbsp;Bahia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa Bahia Espont\u00e2neo: o que vem assim: \u201cvim!\u201d\u00a0Adriana Falc\u00e3o Numa certa manh\u00e3 ensolarada de s\u00e1bado, eu passeava com os meus sobrinhos, quando o mais velho, Luca, me disse: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o espont\u00e2nea, n\u00e9?\u201d Seu tom n\u00e3o era de elogio, era de estranheza. 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