{"id":7008,"date":"2021-03-28T06:30:00","date_gmt":"2021-03-28T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=7008"},"modified":"2021-08-10T08:10:56","modified_gmt":"2021-08-10T11:10:56","slug":"cinco-sentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2021\/03\/28\/cinco-sentidos\/","title":{"rendered":"Cinco Sentidos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-19-at-16.52.28-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7021\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-19-at-16.52.28-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-19-at-16.52.28-300x200.jpeg 300w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-19-at-16.52.28-768x511.jpeg 768w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-19-at-16.52.28.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cinco Sentidos &#8211; Imagem de <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/kaboompics-1013994\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=791874\">Karolina Grabowska<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=791874\">Pixabay<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/author\/rosangelamaluf\/\">Rosangela Maluf<\/a><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aninha acorda e respira fundo enquanto se espregui\u00e7a.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre a cama, as duas gatas que lhe passaram a fazer companhia depois que T\u00falio se foi. Sobre a mesinha de cabeceira a garrafa com \u00e1gua gasosa que ela toma todas as manh\u00e3s, assim que desperta. Ajuda-lhe a acordar de verdade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ida ao banheiro \u00e9 pregui\u00e7osa e sonolenta. O cheiro do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">shampoo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> usado na noite anterior encontra-se ainda espalhado pelo ar. \u00c9 o mesmo cheiro do cabelo de T\u00falio, que nunca escolhia seu pr\u00f3prio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">shampoo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: usava o que Aninha sempre comprava. Ele fazia sim, quest\u00e3o de escolher o sabonete. Comprava da mesma marca variando apenas as fragr\u00e2ncias. Naquela manh\u00e3, ao cheiro de lavanda, tamb\u00e9m se juntava o perfume do sabonete. O cheiro de T\u00falio.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Volta pra cama. Deita-se de novo. Liga o celular para ouvir as primeiras not\u00edcias. Cobre a cabe\u00e7a. As gatas se colam nela. Uma hora se passa at\u00e9 que acorda novamente e v\u00ea que tirou um bom cochilo. Livra-se dos len\u00e7\u00f3is e das gatas. N\u00e3o encontra os chinelos e vai descal\u00e7a mesmo at\u00e9 a cozinha. Caf\u00e9. Cheiro bom. Coado na hora, naquele coadorzinho de flanela, j\u00e1 surradinho, bastante usado. Enche uma caneca e sente saudade. O cheiro afetivo do caf\u00e9, tomado juntos. Prova o l\u00edquido forte e quente. Pouco adocicado, como tem sido a vida nos \u00faltimos tempos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tomavam, aos s\u00e1bados e domingos, uma caneca bem grande. Os dois juntos, ainda sob os len\u00e7\u00f3is. Aninha volta pra cama. Aumenta o volume do r\u00e1dio no celular. Not\u00edcias desagrad\u00e1veis, repetitivas, s\u00f3 trag\u00e9dia. Troca de esta\u00e7\u00e3o, optando por uma exclusiva para MPB. Acha tudo muito chato. Desliga, procura no Youtube um concerto. De violino. Respira fundo. Saudades dele, muitas saudades. Instrumentos de corda, uma paix\u00e3o comum. Ouviam Vivaldi, de olhos fechados, os dois! E de m\u00e3os dadas. Um cheiro de m\u00fasica no ar&#8230;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e1bado \u00e9 assim. Sem pressa, ela aproveita um pouco mais o calor da cama. Ouve o canto dos passarinhos nas \u00e1rvores pr\u00f3ximas \u00e0 sua janela. O pouco movimento dos carros na rua. Sil\u00eancio e sossego. O tempo est\u00e1 bonito, c\u00e9u claro, bem azul. O sol, radiante. Talvez uma caminhada. Ou uma volta de bike. Ou quem sabe, nada disso. Por onde andar\u00e1 T\u00falio? Sente saudades e se lembra de todos os cheiros, aromas, odores, todos! T\u00falio&#8230;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Canta baixinho enquanto arruma algumas gavetas. Imposs\u00edvel n\u00e3o cheirar as roupas dele. Sim, algumas pe\u00e7as ainda ficaram e, separadas em um lugar, inundam o arm\u00e1rio com o perfume que ele usava (ou ainda usa, ela pensa).&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aninha inspira com vontade enfiando o nariz naquela surrada camiseta Polo, ainda com o cheiro dele. Cheiro do sabonete, do desodorante, do suor. Outras camisetas brancas, meio velhinhas. Dois pares de meia, dentro da caixa junto com duas cuecas, uma bem novinha ainda. Um pijama de inverno, j\u00e1 muito lavado. Cheira pe\u00e7a por pe\u00e7a. De olhos fechados revive boas lembran\u00e7as. Muitas lembran\u00e7as. Muito boas. Enche-se de ternura e beija lentamente cada uma das pe\u00e7as de roupa. Acaricia cada uma delas, sentindo nas m\u00e3os a maciez dos tecidos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Raptada, por aquele perfume t\u00e3o conhecido, Aninha mergulha o rosto naquele embolado de malha azul marinho. Sem ter muito mais o que fazer, pensa com seus bot\u00f5es sobre a vida, sobre os amores, os finais e os recome\u00e7os, por que n\u00e3o? Por onde andar\u00e1 ele? H\u00e1 meses n\u00e3o se falam, sem not\u00edcias um do outro. Ser\u00e1 que T\u00falio pensa nela tamb\u00e9m nesta manh\u00e3 ensolarada, ou n\u00e3o? N\u00e3o?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Procura pelo celular. Abre a agenda. Clica no nome dele. <em>Chamando&#8230;<\/em> Um frio na barriga, um n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea-falar. O cora\u00e7\u00e3o aos pulos. Respira fundo, a boca seca. Vamos l\u00e1, coragem!&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">\u2013 T\u00falio???<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>*<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curta:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Blog-Mirante-104019264595503\/?ref=page_internal\">Facebook<\/a>&nbsp;\/&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogmirante\/\">Instagram<\/a><\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosangela Maluf Aninha acorda e respira fundo enquanto se espregui\u00e7a. Sobre a cama, as duas gatas que lhe passaram a fazer companhia depois que T\u00falio se foi. Sobre a mesinha de cabeceira a garrafa com \u00e1gua gasosa que ela toma todas as manh\u00e3s, assim que desperta. Ajuda-lhe a acordar de verdade. A ida ao banheiro \u00e9 pregui\u00e7osa e sonolenta. 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