{"id":6106,"date":"2021-01-02T07:15:44","date_gmt":"2021-01-02T10:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=6106"},"modified":"2021-08-10T08:51:22","modified_gmt":"2021-08-10T11:51:22","slug":"mank-peixe-e-vinho-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2021\/01\/02\/mank-peixe-e-vinho-branco\/","title":{"rendered":"\u2018Mank\u2019, peixe e vinho branco"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image wp-image-6107 size-full\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"379\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/01\/1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6107\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/01\/1.jpg 570w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/01\/1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption>Gary Oldman, no papel do roteirista Herman Mankiewicz (Divulga\u00e7\u00e3o\/Netflix)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/author\/guiscarpellini\/\">Guilherme Scarpellini<\/a><br>scarpellini@gmail.com<\/h5>\n\n\n\n<p>Quando, no in\u00edcio da semana, a minha querida amiga <a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2020\/12\/28\/mais-um-dia-no-paraiso\/\">Vict\u00f3ria Farias<\/a> escreveu que era a \u00faltima segunda-feira de 2020, eu pensei com os meus bot\u00f5es: duvido. Oras, n\u00e3o devemos subestimar um ano que promete nos assombrar por muito tempo. Eis que estou aqui, ainda com a ressaca do Ano Novo, \u00e1vido em comentar o melhor filme de qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>O melhor filme de 2020 foi \u201cMank\u201d, de David Fincher. Com o glamour das produ\u00e7\u00f5es dos anos 1930, faz justi\u00e7a a um profissional do cinema que pode ser comparado ao baixista de uma banda de rock: ningu\u00e9m sabe quem \u00e9, o que faz, o que come, onde vive. Estou falando do roteirista de cinema, mais exatamente de Herman J. Mankiewicz, o cara que escreveu o roteiro do maior filme da hist\u00f3ria do cinema, o \u201cCidad\u00e3o Kane\u201d (1941), de Orson Welles.<\/p>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7o de conversa, \u201cMank\u201d, produzido pela Netflix, \u00e9 pra l\u00e1 de bom porque ignora uma pol\u00eamica t\u00e3o antiga quanto o pr\u00f3prio cinema: a quem, de fato, s\u00e3o devidos os cr\u00e9ditos do roteiro de \u201cCidad\u00e3o Kane\u201d, a Welles ou a Mank?<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, deixa essa querela pra l\u00e1, e avan\u00e7a para explorar a rela\u00e7\u00e3o entre roteiristas e diretores de cinema, evidencia o estranho of\u00edcio de escrever, n\u00e3o para ser lido, mas para ser assistido e, o melhor: escancara a sujeira dos por\u00f5es da MGM (Metro Goldwyn Mayer), de onde sa\u00edram os grandes filmes da \u00e9poca, mas tamb\u00e9m pr\u00e1ticas pouco republicanas que influenciaram a elei\u00e7\u00e3o do \u2014 n\u00e3o podia ser diferente \u2014 republicano Frank Merriam ao governo da Calif\u00f3rnia, em 1934.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 bem, \u00e9 um filme muito cabe\u00e7a. Gostamos mesmo \u00e9 de s\u00e9ries sobre rainhas com epis\u00f3dios de 50 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, tomem mais esta: \u201cMank\u201d dura mais de duas horas de puro di\u00e1logo, e \u00e9 rodado em preto e branco. Por sorte, s\u00e3o di\u00e1logos geniais, como o que se desenrola no jantar com o chef\u00e3o da MGM, Louis B. Mayer.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o cl\u00edmax do filme: b\u00eabado como um c\u00e3o, Mank come\u00e7a a contar uma par\u00f3dia de uma esp\u00e9cie de Dom Quixote, dono de um imp\u00e9rio das comunica\u00e7\u00f5es, que persegue um ideal, mas acaba corrompido pelo poder. Eureka! Estava ali o roteiro de \u201cCidad\u00e3o Kane\u201d. Mas ningu\u00e9m se deu conta. Por qu\u00ea? Porque Mank termina o discurso vomitando no tapete e ainda observa: \u201co vinho branco saiu com o peixe\u201d. E todos torcem os narizes e v\u00e3o embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio dos convivas do jantar da MGM, vejo o ano que se passou assim: no meio do peixe e vinho branco emporcalhando o tapete, pode haver salva\u00e7\u00e3o. \u201cMank\u201d salvou o ano do cinema.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image wp-image-6108 size-full\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"559\" height=\"289\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/01\/2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6108\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/01\/2.jpg 559w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2021\/01\/2-300x155.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><figcaption>Cl\u00edmax do filme &#8216;Mank&#8217; (2020), de David Fincher: a cena do jantar (Divulga\u00e7\u00e3o\/Netflix)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Scarpelliniscarpellini@gmail.com Quando, no in\u00edcio da semana, a minha querida amiga Vict\u00f3ria Farias escreveu que era a \u00faltima segunda-feira de 2020, eu pensei com os meus bot\u00f5es: duvido. 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