{"id":3513,"date":"2020-06-05T07:00:52","date_gmt":"2020-06-05T10:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=3513"},"modified":"2020-06-04T21:50:14","modified_gmt":"2020-06-05T00:50:14","slug":"uma-direcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2020\/06\/05\/uma-direcao\/","title":{"rendered":"Uma dire\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"550\" src=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2020\/06\/hand-sanitizer-4972049_640.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3515\" srcset=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2020\/06\/hand-sanitizer-4972049_640.png 640w, https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2020\/06\/hand-sanitizer-4972049_640-300x258.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/category\/tais-civitarese\/\">Ta\u00eds Civitarese<\/a><\/h5>\n\n\n\n<p>Tem-se proliferado um certo tipo de chatice. Uma chatice necess\u00e1ria. Ela policia nossos discursos e retifica falas outrora bem aceitas, por\u00e9m, hoje, consideradas agressivas e desrespeitosas. Ela borrifa \u00e1lcool 70% em jarg\u00f5es cl\u00e1ssicos da nossa cultura, mas que nos dias atuais beiram ou cruzam os limites do crime. Pode parecer chatice. Mas \u00e9 um come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era crian\u00e7a, um amigo de meu pai n\u00e3o podia me ver que dizia que eu era sua namorada. Tinha horror a isso. O fulano chegava e eu logo ia me esconder. Quando n\u00e3o podia faz\u00ea-lo, tinha que exibir meu constrangimento na bandeja em troca dos risos de todos os presentes. Se fosse hoje, para meu al\u00edvio, algu\u00e9m lhe diria em alguma rede social: esse tipo de brincadeira n\u00e3o cabe fazer com uma crian\u00e7a de 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez, caminhando na avenida Agulhas Negras, uns meninos gritaram obscenidades para mim de dentro de um \u00f4nibus. Irritada, mostrei-lhes o dedo do meio. E s\u00f3 serviu para a baixaria se intensificar ainda mais. Na \u00e9poca, fiquei com vergonha de ambas as atitudes e fiquei pensando se deveria ter ficado quieta. Hoje, tenho certeza que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um colega de escola tinha a pele preta. Seu apelido era \u201cTiziu\u201d.&nbsp; Muitos anos depois, soube que esse nome vinha de um passarinho que tem a penugem negra. Creio que hoje, a atitude seria diferente. Se n\u00e3o das crian\u00e7as, dos diversos adultos que o ouviam calados ser chamado assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de muitos anos, viemos performando uma sequ\u00eancia nos trap\u00e9zios do preconceito, da discrimina\u00e7\u00e3o e, por que n\u00e3o dizer, da ignor\u00e2ncia. Saltando de um para o outro sem refletir ou questionar. At\u00e9 que chegou um fulano que reuniu todas as piores agruras, sintetizou-as e normalizou em si um conjunto de falas torpes. Aquilo assustou-nos tanto que n\u00e3o deu mais para fugir ou fingir. \u00c9 assim que queremos ser? Isso nos representa? J\u00e1 fomos exatamente assim enquanto sociedade. Ele n\u00e3o veio de outro planeta. Mas faz tempo que n\u00e3o queremos ser mais&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do horror, temos uma op\u00e7\u00e3o. Ele sinaliza: n\u00e3o fale como eu falo. N\u00e3o pinte como eu pinto. N\u00e3o v\u00e1 por aqui. E por muito, muito tempo, uma dire\u00e7\u00e3o (ainda que contr\u00e1ria) foi tudo o que precisamos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">*<\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Blog-Mirante-104019264595503\/\">Curta nossa p\u00e1gina no Facebook, Blog Mirante.<\/a><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ta\u00eds Civitarese Tem-se proliferado um certo tipo de chatice. Uma chatice necess\u00e1ria. Ela policia nossos discursos e retifica falas outrora bem aceitas, por\u00e9m, hoje, consideradas agressivas e desrespeitosas. 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