{"id":17963,"date":"2024-07-13T07:00:36","date_gmt":"2024-07-13T10:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=17963"},"modified":"2024-07-13T18:37:51","modified_gmt":"2024-07-13T21:37:51","slug":"vinil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2024\/07\/13\/vinil\/","title":{"rendered":"Vinil"},"content":{"rendered":"<h5><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/category\/peter-rossi\/\"><strong>Peter Rossi<\/strong><\/a><\/h5>\n<p>Uma jovem, rec\u00e9m-formada em medicina, chega em casa com um belo exemplar de um disco de vinil. Ali\u00e1s, um n\u00e3o, dois; era um \u00e1lbum duplo. Acabara de assistir a um show e comprou um exemplar, autografado por ele.<\/p>\n<p>Fiquei encantado com sua alegria, ansiosa em ouvir algo que nunca ouvira antes. Ela, com os discos nas m\u00e3os, a se emocionar com o objeto.<br \/>\nMinha mem\u00f3ria me levou a tempos distantes. Numa \u00e9poca em que reinavam as vitrolas, as eletrolas. Para dizer a verdade, nunca entendi bem a diferen\u00e7a entre uma e outra.<\/p>\n<p>Mas me lembro bem do carinho com que trat\u00e1vamos as nossas bolachas. Era assim que nos refer\u00edamos aos nossos discos de vinil. Todos na cor preta, salvo os de hist\u00f3rias infantis, esses podiam ser amarelos, azuis, vermelhos ou verdes.<\/p>\n<p>Colocar os dedos sobre a sua superf\u00edcie era simplesmente inaceit\u00e1vel. T\u00ednhamos que fazer verdadeira gin\u00e1stica com as m\u00e3os, apoiando o polegar no selo central de papel, e a ponta do segundo dedo, o indicador, se equilibrando na beirada do disco.<\/p>\n<p>Cuid\u00e1vamos de colocar uma prote\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica nas capas, al\u00e9m da interna. Existia uma escovinha, azul de um lado e vermelha de outro, de feltro, especialmente destinada \u00e0 limpeza dos discos.<\/p>\n<p>Era um carinho demasiado. E o melhor \u00e9 que exercit\u00e1vamos tal miss\u00e3o ouvindo um disco na eletrola. Ah, a m\u00fasica! Indispens\u00e1vel \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p>Como era bom esse tempo bom!<\/p>\n<p>Hoje, estou diante da alegria de uma jovem que n\u00e3o viveu tais experi\u00eancias. Como o ciclo da vida sempre est\u00e1 presente! E fico a refletir.<\/p>\n<p>As fitas-cassete e os CD\u00b4s s\u00e3o absolutamente coisas do passado, ficaram no esquecimento. Mas os discos de vinil, n\u00e3o! Eles continuam presentes, e s\u00e3o hoje considerados artigos de luxo, fabricados com extremo zelo, em embalagens bel\u00edssimas. A cor preta das bolachas foi substitu\u00edda por novos matizes, justamente para criar novos ambientes, ares de modernidade.<\/p>\n<p>\u00c9 incr\u00edvel, os vinis, assim como os livros impressos, t\u00eam vida eterna! Eles s\u00e3o mesmo indispens\u00e1veis, seria tonteria extrema simplesmente deix\u00e1-los ao l\u00e9u.<\/p>\n<p>N\u00e3o! Precisamos sempre destes objetos. Z\u00e9 Rodrix j\u00e1 ensinava que junto \u00e0 casa no campo deveriam estar os livros, os discos, os amigos e nada mais!<\/p>\n<p>Pura verdade: os discos e livros superaram a fase de serem meros objetos, s\u00e3o nossos amigos! Com eles tanto j\u00e1 conversamos, trocando confid\u00eancias.<\/p>\n<p>Quantas vezes choramos, quantos conselhos pedimos.<\/p>\n<p>Em determinada \u00e9poca de minha vida, num ato impensado, me desfiz de diversos discos, vendendo-os a pre\u00e7o de banana num sebo qualquer. Como me arrependi desse ato.<\/p>\n<p>E o arrependimento foi tanto que tempos depois voltei no mesmo sebo e recomprei v\u00e1rios, obviamente por pre\u00e7o mais alto. Mas n\u00e3o tive a coragem de dizer que fora eu o ingrato que um dia se desfez daquelas preciosidades.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o vou com regular frequ\u00eancia \u00e0s lojas de discos, algumas do Edif\u00edcio Malleta, e fa\u00e7o minhas pesquisas. Me deparando com preciosidades, apresso em adquirir.<\/p>\n<p>Tenho uma vitrola, por\u00e9m moderna, a imitar o que chamam de \u201cvintage\u201d. Ainda n\u00e3o encontrei alguma de tempos atr\u00e1s, mas n\u00e3o desisto. Terei uma delas.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, veio parar nas minhas m\u00e3os um exemplar da revista \u201cSele\u00e7\u00f5es\u201d, que nem imaginava ainda serem editadas. Eu as lia, de cabo a rabo, enquanto menino. Me deliciava com a quantidade e a variedade de temas abordados, de piadas a hist\u00f3rias de amor.<\/p>\n<p>Mas, falava sobre um exemplar moderno nas minhas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Folheando, n\u00e3o contive a emo\u00e7\u00e3o quando percebi que a primeira mat\u00e9ria tratava justamente dos discos de vinil. Comecei a ler e ao cabo de quatro p\u00e1ginas entendi meu amor eterno pelas bolachas.<\/p>\n<p>Segundo a reportagem, o som extra\u00eddo das agulhas sobre a superf\u00edcie de vinil, apesar dos eventuais chiados, \u00e9 o que mais agrada ao ouvido humano. Alegou o rep\u00f3rter que os sons digitais s\u00e3o m\u00e1scaras, sons modificados, enquanto aqueles impressos nas bolachas s\u00e3o os mais fi\u00e9is aos emanados pela voz humana e pelos instrumentos musicais.<\/p>\n<p>Que informa\u00e7\u00e3o sensacional! Agora tenho uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para justificar o meu amor, at\u00e9 ent\u00e3o incondicional!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Rossi Uma jovem, rec\u00e9m-formada em medicina, chega em casa com um belo exemplar de um disco de vinil. Ali\u00e1s, um n\u00e3o, dois; era um \u00e1lbum duplo. Acabara de assistir a um show e comprou um exemplar, autografado por ele. 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