{"id":17667,"date":"2024-06-16T13:00:19","date_gmt":"2024-06-16T16:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=17667"},"modified":"2024-06-11T15:38:33","modified_gmt":"2024-06-11T18:38:33","slug":"namoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2024\/06\/16\/namoro\/","title":{"rendered":"Namoro"},"content":{"rendered":"<h5><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/category\/mario-sergio\/\">M\u00e1rio S\u00e9rgio<\/a><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas d\u00favidas sempre nos afligem por gerarem inseguran\u00e7a at\u00e9 quanto ao que representamos ou mesmo ao que somos. Por exemplo, durante o per\u00edodo macabro do nazismo que precedeu \u00e0 Segunda Grande Guerra, a persegui\u00e7\u00e3o aos judeus avaliava que pessoas com parentesco hebraico at\u00e9 terceiro grau deveria ser acossada, como se alguma ascend\u00eancia gerasse culpa de per si. \u00c9 desumano e inaceit\u00e1vel hoje em dia, mas j\u00e1 foi legal. Assim como a supress\u00e3o de direitos aos negros nas am\u00e9ricas e tamb\u00e9m na pr\u00f3pria \u00c1frica; os genoc\u00eddios, chin\u00eas, coreano, russo, entre outros, apenas por diferen\u00e7as \u00e9tnicas, religiosas ou pol\u00edticas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pelo lado bom, a ascend\u00eancia europeia, at\u00e9 terceiro grau, gera aos descendentes, em quaisquer estados estrangeiros, o direito \u00e0 cidadania em alguns pa\u00edses do velho mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os av\u00f3s de meu pai, poeta de olhos claros, eram negros, brasileiros pr\u00e9-aboli\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os av\u00f3s de minha bela m\u00e3e, eram portugueses, de pele alva, de cabelos claros e lisos. Assim devo me considerar negro ou branco? Minha pele, herdada da m\u00e3e, sempre foi muito clara. O fato de usar barba cerrada dava a ideia de que fosse escura. N\u00e3o importa, na verdade, pois prefiro me considerar apenas humano e, quanto \u00e0 etnia, brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas experi\u00eancias s\u00e3o dif\u00edceis de explicar. Tentamos justificativas criativas, raz\u00f5es imponder\u00e1veis ou artif\u00edcios para tentar aclarar os motivos de certas coisas ocorrerem, mas sabemos ser, no fundo, pretextos implaus\u00edveis. Foi o que aconteceu quando aquela mo\u00e7a bonita, bem mais alta que eu, cabelos pretos cacheados, se interessou por mim. Ela tamb\u00e9m egressa do interior mineiro, mais ao sul, buscava tamb\u00e9m o crescimento profissional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Come\u00e7amos a namorar e, certo dia, fomos \u00e0 sua cidade natal onde teria a oportunidade de conhecer seus velhos amigos e alguns parentes remanescentes naquela pacata e boa cidade, com pessoas simples e simp\u00e1ticas. Caracter\u00edsticas comuns aos mineiros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre os parentes, uma tia que brincava de \u201ccigana\u201d, fazendo previs\u00f5es e, naturalmente, pedindo uma \u201clembrancinha\u201d qualquer, de ouro, claro, que \u201cpodia ser velho, quebrado; o que valia era a inten\u00e7\u00e3o\u201d. Sua arte era t\u00e3o perfeita que, \u00e0s vezes, antes dos muitos risos, quer\u00edamos dar aquele presente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outra tia, de personalidade completamente distinta da anterior, nos recebeu para um caf\u00e9 em sua casa. Durante a conversa, com hist\u00f3rias e refer\u00eancias a outros tantos parentes e amigos, percebi uma express\u00e3o cont\u00ednua de comisera\u00e7\u00e3o da tal tia. O rosto entristecido e olhar desiludido, com vincos verticais na testa, entre as sobrancelhas que teimavam em se aproximar demonstrando profunda dor, cuja raz\u00e3o ainda desconhecia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Precisei dar uma sa\u00edda r\u00e1pida e, ao voltar, ouvi, por acaso, quando a velha senhora se queixava chorosa \u00e0 filha que chegara pouco antes de mim:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">&#8211; Coitada da minha sobrinha: t\u00e3o bonita, trabalhadeira, mo\u00e7a boa. Foi namorar um \u201cpretinho aleijado\u201d&#8230;<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aquela senhora humilde tinha uma expectativa estelar para sua querida sobrinha. Eu estava muito aqu\u00e9m de suas proje\u00e7\u00f5es. Mas aproveitei o ensejo do coment\u00e1rio para rir muito e levar \u201cna esportiva\u201d o coment\u00e1rio preconceituoso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando guardamos rancor ou raiva, o sofrimento \u00e9 nosso e n\u00e3o daquele que o causou.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio S\u00e9rgio Algumas d\u00favidas sempre nos afligem por gerarem inseguran\u00e7a at\u00e9 quanto ao que representamos ou mesmo ao que somos. Por exemplo, durante o per\u00edodo macabro do nazismo que precedeu \u00e0 Segunda Grande Guerra, a persegui\u00e7\u00e3o aos judeus avaliava que pessoas com parentesco hebraico at\u00e9 terceiro grau deveria ser acossada, como se alguma ascend\u00eancia gerasse culpa de per si. \u00c9 desumano e inaceit\u00e1vel hoje em &hellip; <a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2024\/06\/16\/namoro\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Namoro<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":17669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1686],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-content\/uploads\/sites\/115\/2024\/06\/24-de-maio-dia-mundial-do-cafe.png","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s9R868-namoro","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17667"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17667"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17668,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17667\/revisions\/17668"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}