{"id":12440,"date":"2022-05-29T16:39:06","date_gmt":"2022-05-29T19:39:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/?p=12440"},"modified":"2022-05-29T16:39:06","modified_gmt":"2022-05-29T19:39:06","slug":"programa-e-enxaqueca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/2022\/05\/29\/programa-e-enxaqueca\/","title":{"rendered":"Programa e enxaqueca"},"content":{"rendered":"<h5><strong><a href=\"https:\/\/blogs.uai.com.br\/mirante\/tag\/marcio-magno-passos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00e1rcio Magno Passos<\/a><\/strong><\/h5>\n<p>Ele contava os dias nas pontas dos dedos esperando a sexta-feira de carnaval. J\u00e1 estava tudo armado, planejado detalhe por detalhe. A sogra sa\u00edda h\u00e1 pouco de uma cirurgia aguardava a filha para lhe fazer companhia. Seria a primeira folga depois de cinco anos de casamento com algumas sem-vergonhices de tempo curto, entre a sa\u00edda do servi\u00e7o e a chegada em casa com as desculpas esfarrapadas de sempre.<br \/>\nDesta vez seria bem diferente. A mulher j\u00e1 tinha viajado para a casa da m\u00e3e, l\u00e1 para os quintos do inferno, alguma coisa em torno de quinhentos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. S\u00f3 retornaria depois da quarta-feira de cinzas. E ele ali, solteiro, contando os minutos para o dia passar depressa e a sexta-feira chegar.<\/p>\n<p>O plano era recuperar o tempo perdido e tirar o atraso. Madalena, aquela morena brejeira da padaria l\u00e1 do bairro, estava na lista. Outra que n\u00e3o escaparia dos planos era a L\u00facia, aquela sapeca da loja do S\u00f4 Ti\u00e3o e que a turma do bairro apelidou de Mel Quiboa, numa alus\u00e3o de gosto duvidoso \u00e0 atriz Mel Lisboa. Sem esquecer a danada da Ritinha, uma biscateira de quadris largos que fazia faxina em v\u00e1rias casas do bairro, sempre de amizade com as mulheres e algo mais com os homens.<\/p>\n<p>J\u00e1 na ter\u00e7a-feira ele saiu \u00e0s compras e escolheu cinco bermudas, uma para cada dia do Carnaval, comprou dois t\u00eanis novos e seis camisas estampadas e muito coloridas. Na farm\u00e1cia tratou de pedir desodorante novo, perfume, gel para o cabelo, Epocler para curar ressaca e camisinhas. Passou no cabeleireiro para acertar a crina e fazer uma limpeza de pele e decidiu que faria duas horas de caminhada nos dois dias seguintes, al\u00e9m de ir \u00e0 sauna do clube para abrir os poros. Queria estar em forma e renovado na sexta-feira. Seria o carnaval dos tempos de solteiro. Ou melhor, de todos os tempos.<\/p>\n<p>Ele estava chegando aos quarenta, naquela famosa idade que dizem ser do lobo. Mas se julgava como um garot\u00e3o de no m\u00e1ximo trinta anos. Estava vibrando com a vida e sedento de aventuras. Gostava muito da esposa, mas gostava mais de mulher. De mais a mais, acreditava que umas escapulidas n\u00e3o faziam mal a ningu\u00e9m, quando mais no carnaval. Bandeira branca amor&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, sexta-feira chegou. O clima na cidade j\u00e1 era de folia, os sorrisos multiplicaram-se, havia cheiro de paquera no ar. Deixou o carro para uma geral no lavador do Robertinho e foi trabalhar. Saiu no final da tarde, passou naquele bar para tomar um chope e brindar a chegada do carnaval. Como combinado, \u00e0s vinte horas L\u00facia apareceu sorridente e sentou-se ao seu lado. Meia hora de conversa e j\u00e1 estava tudo acertado. Iam para a avenida curtir a festa e, l\u00e1 pelas tantas da madrugada, cairiam no ninho do amor em qualquer lugar deste mund\u00e3o de cidade.<\/p>\n<p>Entraram no carro e sa\u00edram em disparada. Ele parou perto de sua casa e pediu L\u00facia para esper\u00e1-lo. Era o tempo s\u00f3 de colocar roupa nova: aquela bermuda e a camisa vistosa que comprara, al\u00e9m do t\u00eanis para aguentar a gandaia da noite inteira. Era tanta a euforia que nem percebeu as luzes acessas no interior da casa. S\u00f3 caiu em si quando ouviu a voz da mulher gritando \u201csurpresa\u201d e pulando em seu pesco\u00e7o. Mal refeito do susto, reconheceu o sogro e a sogra entrando na sala acompanhados do cunhado Alfredo mais a mulher J\u00fania e os cinco filhos.<\/p>\n<p>&#8211; O m\u00e9dico recomendou viagem para distrair a mam\u00e3e e resolvemos vir passar o carnaval com voc\u00ea, disse o cunhado.<\/p>\n<p>V\u00edtima de uma repentina enxaqueca, ele caiu de cama e s\u00f3 melhorou na quarta-feira de cinzas. O carro foi encontrado aberto e assaltado no dia seguinte perto de sua casa. A L\u00facia ele nunca mais conseguiu ver.<\/p>\n<h5><strong>*<\/strong><\/h5>\n<h5><strong>Curta:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Blog-Mirante-104019264595503\/?ref=page_internal\">Facebook<\/a>\u00a0\/\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogmirante\/\">Instagram<\/a><\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcio Magno Passos Ele contava os dias nas pontas dos dedos esperando a sexta-feira de carnaval. J\u00e1 estava tudo armado, planejado detalhe por detalhe. A sogra sa\u00edda h\u00e1 pouco de uma cirurgia aguardava a filha para lhe fazer companhia. 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