A energia da vida

Depois do carnaval e do “sábado gordo”, como diríamos antes de a palavra “gordo” ganhar uma conotação tão distante de sua forma denotativa, somos, às vezes, assediados por uma sensação de ressaca. Mesmo que não tenhamos participado efetivamente da grande festa de Momo, mesmo que tenhamos nos dedicado a um bom descanso, reclusão monástica, ou reencontros possíveis, o efeito se assemelha. Nesse nosso tropical delírio … Continuar lendo A energia da vida

O banho de Yara

Rosângela Maluf O ponto principal era que o sol inundasse todo o box. Todo o banheiro, mesmo o espacinho por detrás da porta, atrás do velho cesto de vime, sobre o qual os gatos jaziam preguiçosos, tomando seu banho de sol e de língua. Era um ritual consagrado ao prazer, à dedicação a si própria, ao estar a sós consigo e, ainda melhor, usufruir plenamente … Continuar lendo O banho de Yara

Arrependimento

Viver um arrependimento, na maioria das vezes, é uma situação desconfortável, e isso pelas mais diversas razões. Poderia citar que arrepende-se aquele que confessamente concluiu que errou. Assola também o arrependimento os que foram covardes consigo mesmo, ou omissos  com relação às próprias vontades. Mas sou forçado a reconhecer que a pequenez humana enseja, em algumas ocasiões, a adoção do reconhecimento do erro. E arrepender-se … Continuar lendo Arrependimento

Harry Harlow e a pedra filosofal

Em 1958, Harry Harlow realizou em experimento com macacos a fim de estudar como se dava a formação de vínculos afetivos entre eles e suas mães. Para isso, utilizou dois modelos estruturais representativos de “mães”. Um era feito de arame, com uma mamadeira de leite embutida. O outro era revestido de pano macio, sem alimento nenhum acoplado. Harlow observou que os macacos se alimentavam pela … Continuar lendo Harry Harlow e a pedra filosofal

Entre sons e silêncio

Gosto das meias palavras. Ou das poucas. Das reticências que dão margem à imaginação. Dos silêncios falantes. Das falas da natureza. Dos sons que nos invadem de poesia: a chuva que cai, cai, cai… o rio que corre, corre, corre… o vento que sopra, sopra, sopra… Do suspiro que diz. Do ritmo do coração emocionado. Das gargalhadas que dobram de prazer. Dos gemidos misteriosos… O … Continuar lendo Entre sons e silêncio

Sinônimos II

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com Perdoar e não esquecer Opinar e não conhecer Sofrer e não enfrentar Orar e não salvar Ajudar e não carregar Receber e não ganhar Parecer e não ser Participar e não dividir Tratar e não cuidar Evitar e não prevenir Curar e não aceitar Fugir e não escapar Atravessar e não sentir Sonhar e não enlouquecer Viver e não acertar Morrer … Continuar lendo Sinônimos II

Teimosia alimenta a resistência

Já havia percebido no final de ano, quando me visto de Papai Noel, que o folego não é mais aquele de outrora. Tenho guardado no armário as vestimentas do bom velhinho e fantasias de carnaval. São as mesmas tem mais de 15 anos. No caso da festa de momo, eventualmente, admito fazer uma ou outra adaptação. Morando sozinho, com rigor no meu dia a dia, … Continuar lendo Teimosia alimenta a resistência

Chegamos ao nosso destino

Grandes romances parecem reencontros. Uma sensação de que algo continua depois de um tempo abstrato, e que pede um desempenho mirabolante e uma entrega fulminante. Escolher estar na individualidade de alguém é uma habilidade surreal. É dizer que queremos penetrar na mente, na alma e no corpo do outro. Um “outro”, que até então, era uma poeira estelar. Não tinha vida nem rosto dentro da … Continuar lendo Chegamos ao nosso destino

Tudo a seu tempo

Início de ano e aquela ressaca das festas parece tomar conta de nós como se fôssemos apenas um joguete em mãos que não são as nossas. Existem fadigas boas e outras ruins como consequências de nossas ações e de decisões que tomamos ou que nos tangem, ainda que apartadas de nossa vontade. E não se trata tão somente da indisposição incômoda pelos excessos de bebida … Continuar lendo Tudo a seu tempo