Se um cachorro louco te morder, você precisa se vacinar urgentemente contra a raiva e torcer para a loucura do cachorro ser apenas agitação. Se ele estiver infectado e você pegar raiva, bau, bau.
Se for um cão conhecido, você pode observá-lo por um tempo e ver o que acontece. Se ele ficar bem por dez dias, não precisa de vacina. Se adoecer ou sumir, é hora das agulhadas.
Todo esse protocolo existe porque a raiva não tem cura, somente prevenção. Uma vez contraída, é mal estar e garganta pulando – a pessoa não consegue nem ingerir água (daí o outro nome da doença, hidrofobia).
A raiva das coisas segue mais ou menos a mesma lógica. Tem muita gente com raiva justificada de crime, raiva de imposto, raiva de assassino, de ladrão. Matar, sonegar e entupir a cadeia não vai resolver: vem mais roubo, taxa e meliante no rastro. Com a cabeça fria, penso que a única solução possível é transformar as situações de base para que haja cada vez menos motivos para se enraivecer.
Decidir na direção da raiva não é grande ideia porque isso costuma levar a caminhos muito destrutivos – ou ao arrependimento.
Caso necessário, tanto a vacina quanto o soro antirrábico (que atenua os sintomas) estão disponíveis no SUS. Na rede privada, não tem.