Sandra Belchiolina
Estava eu sentada no mural que contorna a varanda da casa em um sítio na Serra do Cipó, diante de mim avista-se um gramado grande e, mais adiante, a mata ciliar do Rio Cipó. Meu olhar, vagando pela natureza, é interrompido pela passagem de uma formiga próxima aos meus pés.
Ela carregava uma folha quatro vezes maior que seu corpo. E me entrego a essa observação: a formiga, a folha e os pensamentos… Por que estaria sozinha nessa tarefa? Sempre andam em fileiras com as companheiras.
Formiga desgarrada!
Estava à frente ou estava retardatária das demais?
Lembrei-me de muitos e muitos anos atrás, momento em que flagrei uma criança em altos papos com alguns exemplares desse inseto. Ela os interrogava se sabiam onde era o fim do mundo. Poéticas e filosóficas ocasiões infantis.
O tempo correu ligeirinho desde esse momento e, após minhas reflexões cipoeiras, esbarro na internet com uma formiguinha carregando uma flor, também tantas vezes maior que ela. E o jovem da postagem divaga, como eu: “Não sei o que você fez, mas espero que ela te perdoe.” Não tem como não rir de nossas divagações.
E não é que, na semana passada, encontro no final do poema da Ana Cristina Cesar (Ana C.) intitulado Ulisses:
“uma formiga na pele
da barriga,
rápida e ruiva,
Uma sentinela: ilha de terrível sede.
Conchas humanas.”
Formigas, formidáveis
For-migas
Migas
Excelente reflexão!
Adorei amiga!
Ei, minha amiga sumida, que vem para a Sera do Cipó e nao me avisa!
Adoro seus textos, tão simples e ainda assim plenos de significados e de pontos de partida para vôos mais altos…
Voe, minha amiga, voe!
Abraço do
Celso de tantos anos (mais de vinte!)
Celso do Lago Paiva, nos arredores da NOSSA Serra do Cipó