Temporada de mentiras e agressões

Prematuramente, ao meu gosto, teve início à campanha eleitoral. Nem se tem ao certo as candidaturas, mas o desenho já aparece nas telas das redes antissociais. Saudade eu tenho dos tempos do João do Poste disputando a colagem de cartazes pela cidade. Era uma sujeira louca e absurda, mas longe da baixaria eletrônica da atualidade. Eu mesmo, quando fui eleito para um mandato de vereador na minha Araxá, cometi esse desatino de pregar cartazes nos postes de iluminação pública da cidade. Naquela ocasião soou como novidade na caça aos votos, alguns aderiram mas o planejamento da minha campanha saiu na frente e ganhei nesse quesito. Imundice!

No entanto, nada além dessa disputa – palmo a palmo – por convencer os eleitores e sem eleição de prefeito que era nomeado pelo governador. Capitais e estâncias hidrominerais, no caso. Tancredo ganhou de Eliseu, o meu então partido PMDB venceu aqui em Minas Gerais e nos principais estados da federação. Em seguida a campanha que ganhou as ruas foi “Diretas Já”, que derrotada deu lugar para “Tancredo Já”. Não sou historiador, mas elegemos prefeito nessas cidades no ano de 1985 e de lá para cá caminhamos aos tempos desse obscurantismo.

E em meio a essa decadência intelectual e de valores, com total desgosto desse momento depressivo que detonou relações familiares e de amizades de décadas, vamos – todos – sobrevivendo ao seu jeito de ser e viver. Tento, desde que não provocado, manter discrição quanto às minhas escolhas. Presencio cada aberração, tanto do lado tenho optado quanto e muito mais da outra ponta. Isso me aguça mais o desejo de morar num lugar onde esse tema não tenha espaço nas prosas de final de tarde. Mas, dizem as pessoas, no mundo globalizado não tem como isolar totalmente. Tem sim, basta usar o telefone para comunicar como antigamente, até mesmo só quando for fazer uma ligação. Fora disso, desliga o aparelho. Radicalizar, como nunca fui, diferente do que pensam os que me questionam.

Pois bem, no final de semana último, curtindo esse feriado prolongado – entrei numa hibernação que só era interrompida pelas mensagens recebidas -, tive tempo suficiente para desenhar meus desejos. Nunca escondi minhas opções e até nas últimas eleições votei pulverizado entre alguns poucos conservadores e preferencialmente por escolhas progressistas. Confesso que esses primeiros me decepcionaram. Diante disso, está decretado, pode ser quem quer que seja que meu sagrado votinho não vai para quem conspira contra a Democracia. Serão seis escolhas, diria que metade já definida e a outra metade ainda em avaliação. Entre essas imagens que vieram ao encontro do que penso, montei o que entendo que seria o quadro ideal. Para superar essa estupidez que já passam de dez anos ao nosso entorno. Eleição se ganha ou se perde, quando derrotado deve aguardar os quatro anos para a seguinte. Deveria ser de cinco anos os mandatos. Sufrágio geral para todos os cargos, com uma reeleição para o Legislativo e vedada no Executivo. Isso é outra prosa.

Ao que estamos acompanhando, Lula – que já votei na maioria das vezes (talvez duas ou três ocasiões não, como na primeira do FHC e Ciro antes de se notabilizar um atirador inconsequente) – deve se reeleger. Entre os demais nenhum tem melhor história e compromisso social que o atual presidente. Quem se opõe ao presidente Lula, sem medo de errar e isso é perceptível, tem uma única motivação não assumida. Preconceito de classe, não por ele ser nordestino, mas com os mais pobres. Arrumam argumentos terríveis, todos carregados de inconfessável discriminação e até de boa dose do complexo de vira latas. Subordinação aos EUA jamais cabe aqui nesse corpo e nessa cabeça teimosa. Os caras, notadamente agora com esse semideus Trump, são egocêntricos e nunca demonstraram solidariedade humanitária. As guerras que patrocinam tem mais de século confirmam essa afirmação. Direita volver, nunca!

Entre os demais candidatos, os dois principais – Flavinho Rachadinha e Caiado – nenhum deles tem em seu histórico realizações em benefício do país ou da população. O herdeiro da clã do Bozo, que vem se mostrando decadente, tem mais prontuário que projetos apresentados em seus mandatos. Já o goiano, com alguma relação no triangulo de Minas, seria um carrasco com a classe trabalhadora. Direitão, com pose de conservador. Ciro pode se aventurar, mas perdeu o elã de tempos passados. O ex de Minas, Zema (já o chamei de Romeu), luta desesperadamente por visibilidade. Mas incorre sempre em erros próprios de quem não é do ramo.

Nega a política e faz politicagem o tempo todo. Se tivesse um dia assistido aulas ou palestras dos mestres Ricardo Arnaldo Malheiros Fiuza (in memoriam) e Kildare Gonçalves de Carvalho (desembargador aposentado) – meus professores de Teoria Geral do Estado e Direito Constitucional – não diria tanta grosseria sobre assuntos que demonstra desconhecer. Fui um privilegiado ter sido aluno de ambos. Fiuza, para quem desconhece os valores culturais de MG e do Brasil, escreveu a Constituição do Timor Leste. Indicado pelo então Diretor da Faculdade de Direito de Lisboa, professor Jorge Miranda, um dos maiores constitucionalistas do mundo. O Judiciário virou mote de campanha do presidenciável que se expõe em busca de um convite e vaga para vice. Erro! Por isso, esses baixos índices nas pesquisas.

Finalmente, sem citar nomes, sonhei com chapas totalmente diferentes das que estão na ordem do dia. Tanto para presidente quanto para governador de Minas, nomes que circulem nos dois ambientes das nossas relações familiares e de amizade. Que tragam de volta o diálogo. Que motivem as pessoas a prosear olhando nos olhos e não fixos na tela de um celular. Sonho meu e de muitos. Fico a imaginar o que pensam as pessoas sejam Geraldo, Rodrigo e tantos outros brasileiros e mineiros como nós? Hoje é dia 21 de abril, homenagem a Tiradentes, ativista e mártir por lutar contra a dependência da coroa portuguesa. E tem gente que entregar o Brasil aos interesses americanos. São tão caras de pau que falam em nacionalismo. Nem sabem o que dizem. Votam em personagens satíricos que desconhecem a cultura do nosso povo. Entreguistas! É proibido sonhar?

9 comentários sobre “Temporada de mentiras e agressões

  1. Bom dia meu amiGALO !! Mais um texto absolutamente perfeito, permeado pelos receios de todos da volta da famigerada polarizacao e por consequencia afastamento se amigoa e familiares.
    Eu tenho conseguido sair fora do debate mesmo quando provocado ( nem todas as vezes – ai uso a minha maquina mortifera que e a ironia )pois o sentimento que me move e uma preguica gigantesca de mostrar um pouco de cognicao aos mais limitados pelonl fanatismo.
    Como voce diz sempre: sigamos
    Abracao

  2. Bom Dia Eduardo de Ávila! Texto rico de verdade histórica. Infelizmente, os fascistas sempre estiveram entre nós, entretanto, não sabíamos. O desenvolvimento da democracia nos dias de hoje nos mostrou claramente quem é bondade e quem é maldade. A verdade tem voz. A democracia vencerá. Abraços Fraternos Patrícia Lechtman.

  3. Eduardo, ótima reflexão. Você nos leva a refletir sobre a situação política atual e o contexto do País. Que possamos fazer escolhas adequadas.

  4. Texto perfeito Eduardo. Parabéns! Gratidão por tudo que escreve . Sempre aprendendo com seus textos. Abração.

  5. Bom dia meu grande amigo , que texto fantástico .
    Os fascistas sempre estiveram aí nosso redor , más a democracia prevalecerá.
    Grande abraço .

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