Ainda existe tempo para o resgate

Eduardo de Ávila

Nas últimas semanas venho dividindo minhas curtas férias, de duas semanas, depois de quase vinte anos sem uma parada dessa magnitude. Sim, foi tão significativa que justifica o abuso da expressão. E tão importante e igualmente curtida por quem me acompanha e me conhece, que tem sido prosa constante nos meus cafezinhos desde que voltei do Araxá e da Argenita. Esse arraial ao qual pretendo retornar muito em breve para novo período sabático. Tem quem diz querer ir junto, será? Nos dezembros de Papai Noel, sempre ouço isso, poucas pessoas seguiram aquela maratona.

Pois bem, para fechar essa série, se deixar passo o ano cantando e contando cada minuto vivenciado. Sobre o distrito próximo à fazenda que um dia foi do papai, hoje nas boas mãos de uma irmã e sobrinhos, só posso reafirmar que morar num lugar assim é de fazer inveja a quem enfrenta o dia a dia de uma cidade. Hoje vou me ater ao meu Araxá, “cidade onde eu nasci, cidade onde eu vivi”, na letra de Ronan Soares e musicalizada pela Magaly Cunha. Ou, essa da minha adolescência no Bene´s Privê Club, creio que do Tarcísio, Bráulio, Juninho Lemos e Virmondinho. “Não há lugar melhor pra se viver, aqui tudo se faz melhor…nunca vou deixar meu Araxá”.

Assim foi o embalo dos meus primeiros passos e até quando o destino me mandou para Belo Horizonte em busca do ensino superior, até então inexistente pelo interior. Uma ou outra cidade maior desfrutava desse privilégio, que hoje faz parte do cotidiano da maioria dos municípios brasileiros. Graças! E por aqui eu fiquei, com uma curta interrupção entre os cursos de Direito e depois Jornalismo. Nesse tempo, ocupei seguramente o cargo que mais me honrou e gratificou por toda a vida, vereador eleito da minha terra natal. Não sou vaidoso, mas nesse caso tem uma razoável e contida dose de orgulho. Confesso, mas sem culpa ou pecado.

Digo isso, pois antes de vir em busca dos diplomas, mal desfrutava das belezas da estância hidromineral da minha cidade. Exceto a piscina que era aberta aos araxaenses, até que fui descobrindo outros encantos da Bacia do Barreiro. Termas e seus banhos terapêuticos de lama, radioativo, sulforoso, piscina emanatória, saunas e duchas. Essa última, ocasionalmente, um ou outro tio e mesmo primos mais velhos me levaram para essa correnteza gelada. Era uma gritaria para espantar o frio daquela ducha grossa e forte sobre o corpo. Foi só voltar a morar lá que o uso obrigatório nas idas em férias perderam a sequência. Incrível isso, quando está próximo não sabemos aproveitar e valorizar.

E, com o tempo e a diminuição das idas na terra natal (perda de pai, mãe, irmão, irmã), quando tirava um final de semana era sempre corrido. Ver as irmãs, sobrinhada, tia (uma apenas lá e duas em Uberaba, eram dezenas), primas/os e amigas/os dos bons tempos daqueles anos 60/70/80. Muitos deles já foram para o outro plano, o que me fez diminuir e fazer algumas poucas visitas. Eram mais de cinco, quase dez casas, atualmente duas ou três. Fora isso, dentro de casa com a parte da irmandade que me resta. Pois, agora e nesta última viagem foi diferente. Afinal 15 dias por lá e cinco deles na roça, me restou tempo para redescobrir bastante coisa adormecida e conhecer muitas novidades.

A ducha de frente a fonte Dona Beija. Algo imperdível para quem passa por Araxá. A mesma incrível quantidade exagerada de água, tão forte que faz uma ondulação na pele quando em contato, fria que desperta e ao final uma sensação de relaxamento do corpo e da mente. Tem de ter coragem. Não é para qualquer. E as fontes de água. Sulfurosa com gosto nada agradável, mas com benefícios terapêuticos indiscutíveis Bem em frente dessa ducha Cascata, também a radioativa. Com sabor diferenciado. Tome e me conte, nem toda água tem o mesmo sabor, essa é deliciosa. Além disso, são bicarbonatada cálcica, magnesiana e radioativa (que bonito, essa colei). Indicadas desde os tempos da cortesã de Araxá para tratamentos diversos como gástrico, pele, reumatismo e outros.

Por fim, bares e restaurantes sugestivos, já no meu caso existem várias cafeterias, entre as quais me seduziu a Joa, localizada na cidade em direção ao Barreiro. Nela sim o verdadeiro BBB: Bom, Bonito e Barato. E lugares super interessantes como visitar a igreja de São Sebastião (construída no século XIX – ano de 1804) e seu museu sacro, destacando as obras de Bento Antônio da Boa Morte esculpida em canivete. Caso do Cristo acima em tamanho real. Coincidentemente, hoje, 20 de janeiro, é dia de São Sebastião. Vale a pena ver e viver de novo! Ainda há tempo para esse resgate das nossas vidas, cada qual no seu cantinho.

*fotos: arquivo pessoal: 1) fonte e ducha cascata; 2) amigos desde os tempos de primário e ginásio; 3) Cristo morto da Igreja de São Sebastião

7 comentários sobre “Ainda existe tempo para o resgate

  1. Você está convidando as pessoas erradas para essas estadias, querido! Se convidar “as pessoas certas” ela aceitarão o seu convite – Rssssss!!!!! Abraços, querido!

  2. Bom Dia Eduardo de Ávila! Férias Divinas e Mercedoras! Continue se presenteando com descanso de “luz”! Abraços Fraternos! Patrícia Lechtman .

  3. Eduardo, aproveite seus dias de paz e visite seus amigos de Ibiá. Aqui, apesar das sombras da chaminé da Nestlé, nosso tempo ainda é caloroso.

  4. Eduardo, você é suspeito para falar de Araxá e Argenita, mas que estes lugares são inesquecíveis, isto é uma verdade.
    Você merece fazer esta viagem ao passado todo ano. Sozinho ou bem acompanhado… kkk.
    Um abraço.

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