Eduardo de Ávila
Para quem desconhece o que seja dosimetria, uma breve explicação. É que recentemente ouvi gente criticando sua utilização na aplicação do Direito Penal, sem sequer saber do que se refere. Na verdade, nesse caso, ao que vi, li e ouvi, contaminadas pela torcida por líder de facção criminosa condenado à prisão. A dosimetria advém de dosagem (medição) usada especialmente na medicina e na farmacologia. No caso que me apego tem outra intenção. Nada com a biologia e tampouco com a ciência jurídica. Refiro ao dia que amanheceu, a mim, sendo anunciando ser histórico. Na verdade, 22 de novembro, em família sempre foi uma data especial. Era aniversário natalício do meu bondoso e saudoso papai, que nasceu no distante ano de 1913. E eu, de pé desde as três da manhã, para mais uma aventura Atleticana pela América do Sul.
Disse até nas minhas redes sociais, lá de Confins, apreciei o sol nascer redondo. Mal sabia que já estava quadrado para quem nunca escondi minha abominação. E foi na sala de espera que chegou a notícia tanto esperada por quem defende a Democracia e o respeito às leis e a Constituição. Antecipando ao que seria inevitável, o agora sim presidiário – que debochou de perseguidos políticos e até das 700 mil mortes pela covid -, tramava por uma fuga cinematográfica a ser executada e fugir de sua condenação por conspiração golpista. Mas, o enredo como nas revistas em quadrinhos do Walt Disney quando trazia historinhas dos irmãos Metralha, não podia ser diferente daquela esperada publicação semanal que chegava na Banca do Lazinho (Araxá) e eu aguardava com ansiedade. Bandidos e ladrões amadores, numerados de 01, 02, 03, 04 chefiados por um idoso tão burro quanto seus seguidores.
Sem me alongar, pois quero falar é do meu infortúnio pessoal, tinha de ser num 22 (parece cômico). Na véspera coube ao 01 (do chocolate) – depois de o 03 (bananinha) fugir para o exterior e blefar com ameaças contra as instituições nacionais – executar parte da trama. O pirralho senador do Rio convocando o gado pelo berrante a se reunir na frente ao condomínio – onde papai estava morando – em protesto contra as decisões judiciais, com a intenção de fazer uma cortina de fumaça para a pretendida fuga. Registre-se que o incauto teve direito a ampla defesa. Ao encarcerado e (palavras do Dudu 03) carcereiro dele próprio, cabia usar um maçarico (lembrei do cabo e um soldado) para se livrar da tornozeleira. Idiotas e burros (metralhas/trapalhões), não combinaram com os russos (digo STF) e a intenção foi frustrada. Até o tomatão americano que comemorou a fuga de véspera caiu com as calças pelas pernas.

Mas, assim embarquei cedinho e imaginando a dosimetria pessoal com o nosso Superior lá de cima. Tenho fé nEle e no seu filho, nunca fui temente – coisa de quem carrega culpa – uma vez que me esforço por não errar com palavras, atos e omissões. Desncessário falsos arrependimentos. Mas Ele é justo e não falha. Durante a viagem me lembrei, claro, de personalidades públicas da nossa história recente. Preso político e injustiçado, como o filho dEle, NSJC, não cedeu e nem aceitou benesses oferecidas por um togado desMOROlizado e partidário. Assim como nós, Atleticanos, vitimas de incontáveis armadilhas da cbf e agora de uma nova realidade societária, seguimos com a mesma paixão que nos diferencia de torcida modinha. Não foi por acaso que invadimos Assunção com mais de 20 mil Torcedores da Massa. Mas, a dosimetria veio, com uma atuação pífia em campo. Some-se a isso, as opções erradas do treinador e lá no alto da pirâmide as escolhas erradas de quem comanda (dois carne e unha) os destinos do glorioso Clube Atlético Mineiro.
Tinha tempos, mas muito mesmo que não fazia uma viagem para fora do Brasil, e nem me toquei que o Paraguai seria voo internacional. Nos dias que antecederam tive de procurar meu passaporte tenso sobre sua validade. Conferido, tá em dia. Exigem vacina contra a febre amarela, sei que tomei mas não consigo lidar com esse aplicativo do .gov. Fui parar num posto de saúde, tudo certo. Esperar ansiosamente o dia em busca de mais um título na minha vida Atleticana. Já ganhei muitos e também perdi alguns, o que me importa é estar com o Galo e minha Atleticanidade. Cheguei no aeroporto, faminto, peço logo três pães de queijo e um cafezinho. Me entregam três pacotes com seis cada, já que não percebi que era porção. O tempo de espera me permitiu viajar com o estomago cheio e dispensar o lanche de bordo. Lá chegando caçar onde deixar sacola com pertences dispensáveis ao jogo. Guarda volume paraguaio, por 35 mil guaranis (menos de 30 reais), as sacolas ficam ali no chão sob o olhar de quem circula na parte interna. Fazer o quê?

O trem é tão desorganizado que o piloto ao descer anunciou os horários (Brasil e Paraguai) com fuso inexistente, levando a maioria a confundir sobre o início da partida. Já no traslado um afago, só se via camisa do Galo nas ruas. Será? Dia 22 será tão completo assim? Demoramos a sair do aeroporto, uma vez que a polícia paraguaia faria escolta, mas não cumpriu o horário. Ao final, já com o título perdido, repetiu isso, mas a responsabilidade foi do indócil transfer. Depois de um almoço razoável e caro, rumo ao estádio e de novo aquele mar em preto e branco. Que doido, me lembrando o saudoso Mineirão. Já com guaranis cambiados, a água era 10 mil (correspondendo a mais ou menos oito reais). Lá na arquibancada, a extorsão do vendedor, com esse valor impresso na sua camisa, exigia 20 mil guaranis por uma garrafinha de água. Sinal de internet comprado tinha limitações. E foi nesse ambiente de festas e incertezas que presenciei o fiasco do meu Galo em campo. Time feio, sem vontade, covarde que deu de presente o título para o fraquíssimo Lanús. Era a dosimetria Divina. Ora, Eduardo, dia que papai – fosse vivo – faria 112 anos. Prisão do capiroto! E ainda comemorar o título? Deus justo não me permitiria o gozo pleno. Mesmo com quem lhe tem devoção sem negociação. Temente a Deus só mesmo aqueles de consciência intranqüila. Apesar desse sentimento de perda do pertencimento do nosso time do coração. Aqui é Gaaalooo, po##@!
Ótima crônica. Gostamos muito.
Um grande abraço
Bom Dia, Eduardo de Ávila! Palavras repletas de emoção! Escrever sobre o que sentimos alivia a “pressão interna ‘ . Lidar com a coexistência de tristeza e alegria faz paz da complexidade da experiência humana! Carpe Diem! Abraços Fraternos Patrícia Lechtman.
O senador usou o berrante porque ainda não inventaram o “zurrante”. Ainda bem, pois se assim fosse o gado teria de ser “poliglota”. Sigamos…
Excelente crônica Eduardo!
Dosimetria divina para os seus sentimentos Eduardo Ávila. Sigamos.
Dosimetria perfeita das palavras, unindo futebol e política de modo agradável e sem agressões. Parabéns.
Salve, Eduardo! Talvez a providência divina tenha salvado o Galo de ter um título paraguaio! 😉 Mesmo sendo Cruzeirense não me alegrei com a derrota do time mineiro para o fraquíssimo Lanús. Quanto às outras comemorações, viva o seu pai e a democracia!
22, data de aniversário do seu pai.
22, dia de prisão de criminoso.
Dia 22, enfrentar esculhambação da Conmebol.
22, dia de derrota do Galo.
Dia 23, uma excelente crônica
É isso aí, perfeito!
Já gostei de futebol, quando os jogadores não tinham dinheiro para os cortes e tinturas capilares, tatoo e piercings. Também se preocupavam mais em praticar, com maestria e habilidade, tal esporte, raridade nos últimos tempos. Dias atrás, teimoso que sou, senti-me para assistir a jogo da UEFA. Daqueles que pagam mais de um milhão por mês, se for um jogador medíocre. Pois bem, o jogo começou e o atacante voltou a bola para o goleiro. Esse, para um dos laterais que devolveu para o outro lateral e, em seguida, a bola voltou para o goleiro. Durante os 10 primeiros minutos, tais jogadas foram repetidas por várias vezes e não fiquei totalmente p da vida, pois aproveitei para me exercícios com o pescoço. Ginástica concluída, desliguei a TV, com a intenção de religá-la, após tão alardeada partida. Infelizmente, sem gols, tal como foi o fiasco do seu glorioso, famoso e preguiçoso time. Aí, vem o locutor com as estatísticas: % de bola, assistências (3 ou 4, drante todo o jogo), chutes a gol (2 ou 3), escanteios e cartões. Isso ainda se chama futebol? Ah, ia me esquecendo da nova moda: dobrar os calções, cada vez mais cavados, talvez para exibirem músculos, utopicamente sensuais, ou os passarinhos respirarem melhor! Enquanto isso, os Estádios estão lotados e ninguém reclama do valor do ingresso. Paralelamente, reclamam de tudo. Se o Biel tivesse marcado o gol, seria coroado, democraticamente, como rei. No entanto, deverá carregar uma cruz tão pesada, como a de JC, chicotadas eternas, sem ter um Pilatos imparcial para defendê-lo. Poderá ser mais apedrejado que a Turma do INSS, dos Correios, do Banco Master e de mais infinitos grupos que tomam silenciosamente o nosso suado dindin. Vou chorar um pouco para respirar melhor, meu caro Eduardo.