Copo Lagoinha

Victória Farias

Todas as mentes que lotam os bares de Belo Horizonte, em pleno frio de 8º graus, estão perdidas? Divagando? Procurando alguma coisa afundada em copos Lagoinha? Tentando se encontrar ou encontrar algum igual? Embalados pela bossa nova que move os esqueletos que se debatem, com as cordas do violão relembrando notas que trazem um estranho sentimento de aconchego. A conversa atravessada entre as mesas, os cheiros misturados, a vida nas marcas d’água deixadas pelas taças na madeira. Isso é procurar alguma coisa ou aproveitar o que se tem?

Faz frio na capital mineira, mais frio do que eu me lembrava que poderia fazer. Nenhum lugar é morno e nada desce bem. Os vinhos esquentam mas nos embebedam, as cervejas esfriam e nos fazem perder o caminho de casa. As mãos tremem e se espremem nos bolsos dos casacos. O que essas pessoas querem?

Se querem alguma coisa. Tem gente que anda por aí dizendo que não quer nada. Que não tem pretensões, que gosta do que desgosta e vive desprendido da realidade. Talvez todas as pessoas que lotam os bares de Belo Horizonte em pleno frio de 8º graus sejam assim. Nunca saberei, pois sou uma delas, e até agora não consegui chegar a uma conclusão, o que eu estou procurando? O que eu tenho? O que eu quero?

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